DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES

O que me distingue de um revolucionário, é que este quer mudar o mundo. eu não quero mudar rigorosamente nada, apenas registar a iniquidade humana.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

o SPGL e o futuro congresso da CGTP


irá a CGTP/IN realizar, a 27 e 28 de janeiro, um dos seus mais importantes e fundamentais congressos, com importância extrema para o futuro do sindicalismo em portugal. por dois motivos: a crise mundial provocada pelos especuladores financeiros e pelo mundo da finança, obrigando agora os trabalhadores a pagarem os seus prejuízos para manterem o status económico da banca e seus acionistas e a substituição de Carvalho da Silva à frente da direção da Central. pelo menos, se não ouvi mal, o próprio afirmou que não seria candidato, mas é claro que as circunstâncias mudam as posições dos homens.
estou em crer que o PCP já tem a encomenda feita e que o futuro líder da Central será Mário Nogueira, até agora principal dirigente da FENPROF, principal sindicato dos professores. muitas vezes tenho dúvidas e engano-me frequentemente, mas é uma aposta que faço.

perante tão grande importância de que se reveste este evento, como preparou o SPGL, estrutura sindical mais importante dentro da FENprof, pois abrange quatro distritos de suprema importância, lisboa, leiria, santarém e setúbal, a assembleia eletiva dos seus delegados ao congresso?
num comunicado mal divulgado, marcou a assembleia eletiva para a pretérita 5ª feira, 12 de janeiro, com decurso entre as 15 e as 18 horas, na sede do SPGL em lisboa.
tenho a apontar várias nódoas no processo: a pouca ou quase nula divulgação do ato; a data, meio de semana, e a hora para o evento impossibilitavam a maioria dos professores de estarem presentes ao ato por simplesmente estarem nas escolas a trabalhar; a centralização da assembleia em lisboa afastando os professores a lecionarem nas zonas mais afastadas de estarem presentes mesmo que o quisessem; o comunicado do conselho fiscal justificando o afastamento da lista D, remetendo para as costas do presidente do sindicato, António Avelãs, o ónus da responsabilidade por ter informado erradamente os elementos da lista sobre a data limite para a entrega das listas, mais pareceu uma tentativa de eliminar,  politicamente, pelo conselho fiscal, o próprio presidente do sindicato; em qualquer organização a responsabilidade pela organização e funcionamento de uma assembleia geral de sócios, ainda para mais eletiva, cabe por norma à assembleia geral e em última instância, o responsável máximo pelos acontecimentos é o presidente da mesma assembleia geral, no SPGL pelos vistos assim não é, essas tarefas cabem ao conselho fiscal.
tudo em nome da democracia, da transparência e do cumprimento dos estatutos.
os estatutos são um instrumento de auxílio legal ao funcionamento das instituições, nunca devem constituir um impedimento, ainda que legal, à máxima participação dos associados na vida da instituição. como qualquer outro instrumento são passíveis de serem alterados e melhorados. 
julgava eu que o principal objetivo de um sindicato é fazer com que um maior número de trabalhadores a ele se associem e participem ativamente na vida do sindicato.
pelos vistos no SPGL quantos menos melhor.
o resultado de tudo isto, foi que num universo de quase 17000 eleitores, votaram cerca de 200!!!
os delegados foram eleitos, os dirigentes ficaram contentíssimos, cumpriram-se os estatutos e a democracia venceu.
votou quem quis, não votou quem não quis. é a liberdade de opção. viva o melhor dos mundos e tudo está bem e na santa paz do senhor.
se mal pergunto, quem representam esses delegados? apenas aqueles que faziam parte da lista e uma dúzia de apaniguados. professores? não representam um!
se tivesse englobado alguma das listas e tivesse sido eleito, sentia-me agora envergonhado e não iria ocupar o lugar no congresso. lembraram-se de tudo, exceto da legitimidade pelo voto.
duzentos em dezassete mil não representam nada, ou melhor, representam o afastamento dos trabalhadores, cada vez maior, em relação aos seus dirigentes sindicais, o que leva a números ridículos de sindicalizados em portugal.
porque não são apenas os governos e as políticas de direita e o programa da troica que mata os sindicatos. os seus dirigentes tem dado um importante contributo para isso.
assim como Estaline foi o coveiro da revolução socialista, os dirigentes sindicais, a maioria ligados ao PCP, serão os coveiros do sindicalismo em portugal.
há muitos proenças neste país.


já agora, um bom congresso é o que desejo.

NOTA: os dados sobre o ato eleitoral foram lidos na página do SPGL. hoje andei à procura e não os encontrei, estarão escondidos em nome do decoro? democrático?

Adenda: segundo o jornal expresso e vários comentadores ouvidos durante o fim de semana, parece que afinal a escolha para secretário geral recai sobre Arménio Carlos. o mesmo conteúdo em embalagem diferente.

jaime crespo


José Régio - Soneto quase inédito e muito actual


'José Régio e o seu burro' - por Hermínio Felizardo


Soneto quase inédito
Em memória de Aurélio Cunha Bengala

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício

Receber, a bem dele... e da nação.
JOSÉ RÉGIO Soneto escrito em 1969, no dia de uma reunião de antigos alunos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

pinto da costa

o presidente do fc porto, manifestou, ontem, no jornal "público", a sua repulsa pelas fotos colocadas pelo Sporting, no corredor de acesso aos balneários da equipa adversária. enfim, gostos, como diz a sapiência popular, não se discutem.
mas já os critérios morais do senhor pinto da costa são passíveis de apreciação, ainda estou recordado de um célebre benfica - porto, para o qual a então esposa de pinto da costa, carolina salgado, se deslocou entre a claque super-dragões, nesse dia, pinto da costa não se incomodou minimamente que as televisões tivessem passado imagens do "macaco" a colocar a mão e o braço entre as pernas da srª pinto da costa elevando-a no ar para que ela mostrasse ao país um cartaz com os dizeres: "orelhas! estou aqui!"
Sugestão de fotos do revolução aos dirigentes do Sporting para forrarem as paredes dos acessos aos balneários dos adversários

se bem me lembro, na altura, pinto da costa até achou muita piada à situação.
eu também.
ora quem tem a própria cabeça cheia de preocupações, não é saudável preocupar-se com os assuntos dos outros.
é muito peso para uma cabeça só.

sindicalismo / sindicaleiros

Seja nos nossos locais de trabalho, seja em conversas informais com amigos, conhecidos ou interlocutores de ocasião, sobressai aos olhos que um descontentamento generalizado e uma fissura intapável se abriu entre os trabalhadores e os atuais dirigentes sindicais. Apesar de esboçarem negação é hoje indesmentível os baixos níveis de sindicalização que se verificam em Portugal, a par disso, as cada vez mais fracas adesões dos trabalhadores às iniciativas sindicais, a que a cosmética mobilizadora da CGTP/PCP já não consegue disfarçar.
Perante este cenário, julgamos não podermos adiar mais este debate, no seio do Bloco de Esquerda e dando a palavra a quem trabalha, perdendo a arrogância diretiva daqueles que julgam a todo o momento o que é melhor para os trabalhadores, que julgam conhecer-lhes os anseios, as suas dificuldades e a saída para os seus problemas.
Opinemos pois, mas principalmente, que sejamos capazes de devolver a palavra a quem trabalha.
estou sindicalizado no SPGL, exerço no 1º CEB, num agrupamento em Monte Abraão. nas últimas eleições para a direção do spgl, num universo de cerca de 30 a 50 votantes, votaram 9. estamos a falar num agrupamento que tem cerca de 300 professores, quase metade já nem são sindicalizados e no spgl estarão uns 30. julgo serem indicadores suficientes para preocuparem as direções sindicais. mas não, assobiam p'ró ar e continuam.
devemos refletir se a via seguida pelos dirigentes sindicais, a concertação social é a melhor via para defender os direitos dos trabalhadores. pelos vistos, a julgar pelos resultados, perdemos quase todos os direitos que levaram séculos a conquistar em menos de uma década. à partida, não me oponho a negociações, elas são indispensáveis e os patrões inteligentes negoceiam com os seus trabalhadores. agora, negociações nas quais são sempre os mesmos a ceder e a baixar as calças, peço desculpa, mas já me dói o cu...


Jaime Crespo, Bloco de Esquerda de Nisa

o lambão



o patrão da cip faz-me lembrar aqueles amigos da onça, muito lambareiros, e que convidados cá para casa para tomarem uma cerveja e um snack, só de cá saem bem jantados e melhor bebidos. com cafezinho tomado e cigarro fumado. há nossa pala, claro está. ou como diz o povo na sua sabedoria milenar, "há gente a quem oferecemos o dedo e eles agarram logo o braço todo".
o governo acenou com a meia hora diária de trabalho grátis, dos sindicatos não se viram esboços de grandes protestos, a malta também amouxou e o homem agora como a quem não cabe uma palhinha no rabiosque, dá-se ao luxo de apresentar ultimatos e de querer além da semana de bulição à borla mais uma de bónus.
com empresários destes não há economia que aguente nem paciência que resista.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

assalto de sexo armado.


interrogo-me. um gajo paga por tudo e por nada. temos uma das internetes mais caras e lentas da europa. já privatizaram os jornais, as rádios e as televisões. privatizaram a energia e esta ficou mais cara. querem privatizar a água que já é mais cara que a cerveja e esta contém uma boa quantidade dela e qualquer dia, se a seca continua vai ser mais cara que a gasolina. já colocaram umas porcarias a captar a energia do sol e umas ventarolas a fazer o mesmo ao vento... e um gajo a pagar. agora dizem-me que copiar um disco para dar ou emprestar a um amigo e não correr o risco deste o extraviar ou esquecer-se de o devolver, ou simplesmente para ouvir no carro e ficar protegido, se roubarem o carro ao menos fica com a música que gosta lá em casa para combater a ansiedade. dizem, é pirataria! interrogo-me. qualquer dia ir dar uma queca com uma colega ou com a vizinha do 5º esq. é o quê? assalto de sexo armado? e aplicam uma coima de 500€ ou enviam um fulano p'ró linhó durante 3 anos? vão mazé catar-se e deixem-nos os tomates em paz.


jaime crespo

domingo, 8 de janeiro de 2012

populismo (in)comum

Iberê Camargo, A Idiota, 1991, óleo sobre tela

A saúde é cara? Experimente a doença.
A justiça é cara? Experimente a injustiça.
A segurança é cara? Experimente a insegurança.
A educação é cara? Experimente a ignorância.
O Estado é caro? Experimente a privaritaria.
jaime crespo

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

os patriotas que enriquecem e os pobres que arrostam com a crise.


de quando em vez, assistimos a ondas de patriotismo, acalentadas por quem afinal não passa de interesseiro patrioteiro.
foi assim com Vaz Guedes e a Somague, dias depois de ter aparecido, no seguimento de um encontro do grupo "compromisso portugal", falou e veio defender a proteção das empresas e empresários portugueses. passados dias, vendia a sua participação maioritária na "somague" a investidores espanhóis...
aquando estudante na escola industrial e comercial de portalegre, o ilustre professor de matemática, Dr. José Nunes, contava, história cuja veracidade nunca pude confirmar, mas pela idoneidade do locutor poucas dúvidas deixa, que Georges Robinson, inglês e industrial da cortiça em portugal, que muito ajudou no desenvolvimento de portalegre, passou a sua herança às suas três filhas, as quais, venderam todo o património que tinham em portalegre para ajudarem a inglaterra no esforço de guerra (salvo erro, 2ª guerra mundial).
há tempos, começou a aparecer diariamente no e-mail e no facebook, mensagens apelativas ao consumo de produtos portugueses, fabricados ou distribuídos por empresas portuguesas como caminho para combater e sair da crise. dei o destino que este tipo de revivalismos nacionais me merecem, o caixote do lixo.
há pouco tempo atrás, uma das vozes que mais fortemente fazia este mesmo apelo era a do empresário gerente, da jerónimo martins, soares dos santos que vivazmente nos alertava para a necessidade de apostarmos em empresas portuguesas e moralizava sobre a nossa produtividade.
agora, parece que para pagar menos impostos, tornoou o grupo que gere holandês. tudo legal como outra coisa não seria de esperar.
mas enquanto estes patriotas de pacotilha vão continuando a engordar as suas contas bancárias, o pobre emagrece e mesmo sem conhecer o significado de pátria, é ele que é obrigado a pagar a crise.
vão-se mas é foder!

jaime crespo

Finanças, arrecadação de receita e entrega de bens aos legítimos proprietários


A imprensa de hoje publicita notícia da DGCI, onde esta dá conta de alguns milhões de euros por ela recolhidos da venda de bens alienados, àqueles que não cumpriam com as suas obrigações fiscais.
O que a DGCI não publicita é o número de cidadãos cumpridores que legalmente e detentores de todos os quesitos legais, concorreram aos ditos leilões, pagaram na hora pelo bem que adquiriram e passados meses, por incúria de funcionários da DGCI, das autoridades policiais e judiciais, passados largos meses ainda não estão na posse dos bens que adquiriram, alguns tem sido vítimas de agressões físicas e verbais e de ameaças, por parte dos antigos proprietários que se recusam em deixar devolutos esses bens para os novos proprietários.
Tudo acontecendo sob a passividade das autoridades atrás referênciadas (finanças, GNR e tribunais).
Em resumo, a DGCI utiliza as pessoas sérias para encher os cofres, mas depois, como tudo e como sempre, neste país, proteje os incumpridores.
Assim vai este país.

É assim ou não é? Finanças de Nisa?