DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES

O que me distingue de um revolucionário, é que este quer mudar o mundo. eu não quero mudar rigorosamente nada, apenas registar a iniquidade humana.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

é a vida



por ser verdade, me assumo e divulgo:
sei que não sou uma pessoa fácil, mas também estou longe de ser homem de trato complicado. as complicações tenho-as na cabeça, na ordem das ideias.
confesso que politicamente tenho uma posição dificil de defender e de me movimentar. estou assim só,  num caminho solitário.
situo-me entre o trotskismo da IV internacional e o anarco-sindicalismo da cnt.
do trotskismo separa-me a questão do partido único, dos anarquistas a organização social.
dos primeiros penso que o partid0o único conduzirá inevitavelmente a uma ditadura totalitária, dos segundos, a falta de uma estrutura social forte, chame-se estado ou outra coisa qualquer, levará inevitavelmente ao domínio dos mais fortes sobre os mais fracos.
são duas lições que retirei da História.

entre estas nuvens duvidosas do pensamento e a falta de certezas que completassem o puzzle das minhas dúvidas, surgiu-me no horizonte o bloco de esquerda como uma organização política aparentemente afetada pelas mesmas dúvidas que eu e inflamada de uma modernidade que aparentava quebrar o gelo político que divide as chamadas esquerdas e empurrar para o devido lugar, as páginas da História a velha e novas direitas.
entre as minhas contradições, aderi ao bloco, saí por dá cá aquela palha, readeri, voltei a sair e voltei a pedir a adesão...
reconheço-lhes todo o direito a dizerem-me "eh pá, vai tratar-te para outro lado, ao psiquiatra, por exemplo, e depois volta a falar connosco".
responderia como Vasco Santana: "comprendido!"
esperei o tempo suficiente por uma justificação, ou antes por um simples aviso da decisão de recusarem o meu pedido.
nem decisão, nem justificação, apenas a cobardia do silêncio. soube da decisão por intermédio de terceiros.
estive para calar, mas como os políticos e suas organizações medram na medida em que nós vamos consentindo todos os atropelos, todas as cobardias, todos os silêncios... tenho que vir declarar que o bloco de esquerda por detrás de toda a fachada de modernidade, não passa de mais uma organização política igual a todas as outras, quer apropriar-se das nossas consciências, convive mal com a divergência e muito bem com aqueles que apesar de medíocres seguem a voz do dono.

e assim o país vai de carreirinho