DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES

O que me distingue de um revolucionário, é que este quer mudar o mundo. eu não quero mudar rigorosamente nada, apenas registar a iniquidade humana.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

crise vs crise



A crise parece que é geral e é para todos. Mas também parece que há crises mais crises que outras. Senão vejamos algumas comparações:

Enviei ontem por e-mail a alguns amigos mais chegados, mas eu sabia que me tinha escapado alguma coisa, e não querem lá ver que havia sido o mais importante?

A crise parece que é geral e é para todos. Mas também parece que há crises mais crises que outras. Senão vejamos algumas comparações:

Em Portugal: 
Ataca-se a classe média 
Aumentam-se os impostos sobre as atividades económicas e
 o consumo
Facilitam-se os despedimentos
Baixam-se os rendimentos dos reformados
lá fora: taxam-se as grandes fortunas
baixam-se os impostos punem-se as empresas e empresários que despedem trabalhadores aumentam-se as pensões

Apenas alguns pontos exemplificativos. Não inventei nada, esta informação foi tema de capa da revista visão em setembro último.

and... Last but not least:

em Portugal:
nacionalizou-se a dívida do BPN
dão-se comendas a banqueiros ladrões





lá fora:
não se paga a dívida de bancos privados
prendem-se os banqueiros aldrabões!

Cumprimentos
Jaime crespo

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Demolições violentas neste momento a ocorrer na Amadora, bairro de santa filomena



Demolições violentas neste momento a ocorrer na Amadora, bairro de santa filomena

A Câmara Municipal da Amadora enviou hoje um grande batalhão policial para o Bairro de Santa Filomena e continua a desalojar para a rua sem qualquer alternativa famílias que vivem neste. No grupo hoje desalojado há pessoas idosas, há pessoas com problemas graves de saúde, há crianças. Não há qualquer respeito pela dignidade das pessoas nem há responsabilidade para assegurar a protecção destas famílias que tendo rendimentos reduzidos não conseguem aceder ao mercado livre de habitação. O que a Câmara está a fazer é um atentado contra a vida das pessoas e um absoluto desrespeito pelos direitos fundamentais e pela vida humana.
A Câmara da Amadora mente quando diz que analisou e ofereceu alternativas às famílias. A única alternativa que ofereceu foi a rua, a bem ou a mal.

A Comissão de Moradores do Bairro e o Colectivo Habita condenam as demolições sem alternativas e vão denunciar e lutar contra o que considera como atentado contra a vida humana.

Contactos
Colectivo Habita: Rita Silva 966035893
Comissão de moradores Eurico Cangumi 927737710

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sobre a carga policial em São Bento




Sobre a carga policial em São Bento

No dia 14 de Novembro, na maior manifestação em dia de greve geral, os chefes da polícia, o ministro da administração interna e outros políticos tentaram justificar a carga policial sobre os manifestantes em São Bento, dizendo que as "forças de segurança" tinham sido muito tolerantes porque durante mais de uma hora “com serenidade e firmeza” levaram com pedras e garrafas atiradas por “meia dúzia de profissionais da provocação”.

Houve várias pessoas a atirar pedras e outros objectos ao cordão policial que defendia o Parlamento e não só eram bem mais do que meia dúzia, como muitos outros permaneceram por ali bastante tempo, sem arredar pé.
Também é verdade que houve uma carga violentíssima sobre os manifestantes, homens, mulheres, idosos, crianças, tudo o que se mexia foi varrido, atirado ao chão, ameaçado com gritos e balas de borracha. Houve ainda uma perseguição por várias ruas, onde se prenderam pessoas indiscriminadamente. Dezenas de pessoas foram identificadas sem saberem porquê. Nas esquadras não lhes foi dada a possibilidade de falar com um advogado, ir ao wc ou até de receber assistência médica.

Sobre a repressão policial temos apenas a dizer o seguinte: violência não é atirar pedras contra o corpo de intervenção, protegido com os seus fatos especiais, capacetes, escudos, cassetetes e armas. Violência não é a revolta de quem trabalha e não tem dinheiro suficiente para viver, de quem nem trabalho tem e desespera à procura, de quem passa fome, dos idosos que vêem as suas pensões reduzidas, de quem não explora ninguém e vive uma vida inteira a ser explorado pelos mesmos de sempre: políticos, banqueiros e empresários. Violência não é atacar a polícia quando esta defende o sistema ao qual pertence: o Estado, esse mesmo Estado que concedeu um aumento salarial de 10% para as forças de intervenção enquanto milhares de pessoas vivem em pobreza e outros para lá caminham.
Violência não é gritar palavrões contra os agentes policiais quando eles escolheram estar ali, especialmente os do corpo de intervenção. A polícia só existe para manter a ordem pública. E manter a ordem pública não é mais que evitar quaisquer acções que possam perturbar o sono dos ricos e poderosos.

Para nós violência é passar fome. Violência é 561 postos de trabalho serem destruídos todos os dias e 500 mil pessoas não terem qualquer apoio social. Violência é  os 25 mais ricos de Portugal crescerem 17,8% em 2011 face ao ano anterior. Violência é passar toda a vida a trabalhar por um salário, apenas para sobreviver. Violência é ter de cumprir ordens sem nunca podermos ser nós a decidir como queremos viver. Violência são os ataques diários da polícia nos bairros sociais, violência é a detenção de imigrantes que procuram uma vida melhor, violência é prender pessoas por roubar algo para comer, violência é não poderes ir por ali porque está a Merkel a passar, não poderes ir por acolá porque é o parlamento onde se encontram seguros os governantes, não poderes passar porque simplesmente os polícias te gritam que tens de te ir embora se não queres levar um tiro. Violência foi a morte à queima roupa do Kuku na Amadora, os ataques da polícia contra os piquetes de greve, as balas de borracha numa manifestação no 1º de Maio em Setúbal, a carga brutal ontem em São Bento como em tantas outras situações. Que se desiludam aqueles que pensam que são as “pedradas” que causam alguma coisa, a violência policial em manifestações é uma constante, sobretudo se não houver televisões por perto a filmar.

A violência policial é a violência ordenada pelo sistema em que vivemos, em que uns têm tudo e outros sofrem na miséria. É a violência do Estado e do Capital. É a violência que irá crescer aqui em Portugal e em todos os lugares onde os governantes e os ricos tenham medo da revolta dos pobres.
Mas eles que não se esqueçam que não nos podem matar a todos. Não nos podem prender a todos. Haverá sempre quem resista. Quem volte. Com pedras ou sem pedras, haverá sempre quem lute contra os polícias armados, pois onde houver luta pela justiça e igualdade, haverá sempre cães de guarda a defender o dono.

Levamos um mundo novo nos nossos corações, e os golpes que nos desferem só nos fazem acreditar mais na justeza dos ideais e das formas de luta que defendemos.

Contra a repressão, solidariedade! Contra a exploração, acção directa!
Unidos e auto-organizados, nós damos-lhes a crise!

Associação Internacional dos Trabalhadores – Secção Portuguesa                                                         16/11/2012
Núcleo de Lisboa    -     http://ait-sp.blogspot.com

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

GREVE GERAL - 14 NOVEMBRO ESPANHA E PORTUGAL: OS MESMOS ROUBOS, A MESMA LUTA!


GREVE GERAL - 14 NOVEMBRO
ESPANHA E PORTUGAL: OS MESMOS ROUBOS, A MESMA LUTA!

A AIT-SP e a CNT-AIT apelam conjuntamente à participação de todos os trabalhadores ibéricos, com ou sem trabalho, na greve geral de 14 de Novembro, porque em ambos os países:

- governos e patronato recorrem a medidas de austeridade com o pretexto do combate à “crise”, que são autênticos roubos e intensificação da exploração da classe trabalhadora e aos sectores da população mais fragilizados;

- os governos sobem os impostos aos trabalhadores, diminuem-lhes os salários e reduzem direitos conquistados no passado com as suas lutas;

- os governos cortam nas pensões, nos subsídios de desemprego e nos vários apoios sociais, pagos de antemão pelos trabalhadores com os seus descontos, passando-se o mesmo tanto na saúde como na educação, em benefício sempre dos mesmos: o capital financeiro e o patronato em geral;

- os bancos recebem apoio financeiro do Estado enquanto as pessoas são obrigadas a entregar as suas casas aos bancos; o desemprego atinge mais de cinco milhões de pessoas em Espanha e cerca de um milhão em Portugal e a maioria da população enfrenta diariamente uma vida de pobreza e exploração;

- a economia capitalista e o Estado favorecerão sempre o patronato e os ricos, porém são os trabalhadores os verdadeiros produtores da riqueza social.

Somente a classe trabalhadora tem a capacidade de paralisar a economia de forma a fazer com que os governos cedam aos interesses da população explorada e oprimida. Para isso temos de ser capazes de ir mais além de paragens de 24 horas isoladas no tempo, mais além da paralisação pontual da actividade nas indústrias e sectores tradicionais, de encontrar formas de interromper todo o processo de produção e consumo, de incorporar na mobilização o conjunto da classe trabalhadora, por mais precarizada e dividida que esta esteja. Ganhar a capacidade de fazer o maior dano possível aos interesses económicos da elite empresarial e financeira é o objectivo principal da greve geral.

A greve geral deve também ser um passo para a autogestão, ou seja, para consciencialização de que a classe trabalhadora possui a capacidade para recuperar o controlo sobre a economia e para repartir com justiça a riqueza produzida, através de processos de participação directa e assembleária.

A AIT-SP e a CNT-AIT, como organizações anarco-sindicalistas que são, praticam um sindicalismo independente e revolucionário, de acção directa e apoio-mútuo, rejeitando a colaboração de classes e qualquer apoio do Estado e do capitalismo. Participamos na jornada de mobilização internacional de 14 de Novembro juntamente com as demais secções da Associação Internacional dos Trabalhadores, que luta pela construção de uma sociedade livre e igualitária, onde todos possam viver com dignidade.

Por uma greve geral por tempo indeterminado!

Pela auto-organização e auto-emancipação dos trabalhadores!

CNT-AIT
Confederación Nacional del Trabajo
C/Historiador Domínguez Ortíz, 7 local
14002 Córdoba – España
spcc@cnt.es
http://www.cnt.es

AIT-SP
Associação Internacional dos Trabalhadores – Secção Portuguesa
Apartado 50029
1701-001 Lisboa - Portugal
aitport@yahoo.com
http://ait-sp.blogspot.com

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Traducción:
Huelga general – 14 Noviembre
España y Portugal: los mismos robos, la misma lucha!

La AIT-SP y la CNT-AIT apelan conjuntamente a la participación de todos los trabajadores ibéricos, con o sin trabajo, en la huelga general de 14 de Noviembre, porque en ambos los países:
- gobiernos y patronato recurren a medidas de austeridad, con el pretexto del combate a la “crisis”, que son verdaderos robos e intensificación de la explotación de la clase trabajadora y de los sectores más vulnerables de la población;
- los gobiernos suben los impuestos a los trabajadores, les disminuyen los salarios y reducen derechos conquistados por sus luchas en el pasado;
- los gobiernos recortan las pensiones, las prestaciones por desempleo y los varios apoyos sociales, pagos de antemano por los trabajadores con sus contribuciones, lo mismo sucediendo en la sanidad y en la educación, en beneficio siempre de los mismos: el capital financiero y el patronato en general;
- los bancos reciben apoyo financiero del Estado mientras las personas son obligadas a entregar sus casas a los bancos; el paro afecta a más de cinco millones de trabajadores en España y a cerca de un millón en Portugal y la mayoría de la población enfrentase diariamente con una vida de pobreza y explotación;
- la economía capitalista y el Estado favorecerán siempre al patronato y a los ricos, pero son los trabajadores los verdaderos productores de la riqueza social.
Sólo la clase trabajadora tiene la capacidad para paralizar la economía de forma a hacer con que los gobiernos cedan a los intereses de la población explotada y oprimida. Para ello, tenemos de ser capaces de ir más allá de paros de 24 horas aislados en el tiempo, más allá de la paralización de la actividad puntual en las industrias y sectores tradicionales, de encontrar formas de interrumpir todo el proceso de producción y consumo, de incorporar a la movilización al conjunto de la clase trabajadora, por precarizada y dividida que esté. Ganar la capacidad de hacer el mayor daño posible a los intereses económicos de la élite empresarial y financiera es el objetivo principal de la huelga general.
La huelga general debe también ser un paso hacia la autogestión, es decir, para la concienciación de que la clase trabajadora tiene la capacidad para recuperar el controlo sobre la economía y para repartir con justicia la riqueza producida, a través de procesos de participación directa y asamblearia.
La AIT-SP y la CNT-AIT, como organizaciones anarcosindicalistas que son, practican un sindicalismo independiente y revolucionario, de acción directa y apoyo mutuo, rechazando cualquiera colaboración de clases y cualquier apoyo del Estado y del capitalismo. Participamos en la jornada de movilización internacional de 14 de noviembre junto con las demás secciones de la Asociación Internacional de los Trabajadores, que lucha por la construcción de una sociedad libre e igualitaria, donde todos podamos vivir con dignidad.
 ¡Por una huelga general por tiempo indeterminado!
¡Por la auto-organización y auto-emancipación de los trabajadores!
CNT-AIT
Confederación Nacional del Trabajo
C/Historiador Domínguez Ortíz, 7 local
14002 Córdoba – España
spcc@cnt.es
http://www.cnt.es
AIT-SP
Asociación Internacional de los Trabajadores – Sección Portuguesa
Apartado 50029 /1701-001 Lisboa / Portugal

sábado, 10 de novembro de 2012

Bipolaridade política








Ouvi  algumas aegações irónicas proferidas, hoje, na convenção do Bloco de Esquerda as quais tomo a liberdade de comentar:
Complexo do dito pelo não dito – foi repetidamente alegada a urgência de formar um governo de esquerda sem o P.S., o que estas afirmações querem dizer na realidade é que os dirigentes do Bloco não desejam governo de esquerda nenhum, eles na realidade, tomando esta posição irredutível, querem é que a direita continue a governar Portugal, ainda por cima chegam atrasados em relação ao P.C.P. esta tem sido a tática política deste partido desde pelo menos o 25 de abril, esta hostilização do P.S. à esquerda empurrou-o taticamente para a direita, claro que as políticas de direita tomadas pelos governos do P.S. são da sua responsabilidade mas não só;
Complexo da nuvem por Juno – nesta linha, confundir o P.S. com a direção de José Seguro é como tomar Coelho, Portas, Gaspar, Relvas ou o dr. Cavaco por todo o povo português;
Complexo visionário – foi badalada a emergência de uma grande esquerda, ou uma esquerda grande, visionarismo puro na linha de Santa Teresa de Ávila ou de Savonarola, demonstra ainda uma mania das grandezas mal digerida pela pequenez a que a realidade os remete;
Complexo da mudança eterna – Rosas disse que o país está à beira de uma grande mudança, isto é repetido desde pelo menos o Renascimento e já Camões poetava que “todo o mundo é composto de mudança / tomando sempre novas qualidades”, enfim;
Complexo democrático – foi dito que o Bloco quer derrubar este governo e a convocação de novas eleições, se as eleições representassem uma mola viável de mudança estaria de acordo, mas a mudança só acontece com a mudança de mentalidades e particularmente com a mudança de atitudes e práticas políticas que o povo espera da parte das organizações políticas e das quais o Bloco de Esquerda tem mais responsabilidades que outro qualquer uma vez que apareceu como a força política da modernidade mas revelando afinal que não passa de mais do mesmo, a mediocridade geral e a esperteza saloia como prática política, assim o fosso entre eleitores e partidos ou eleitos alargar-se-á irremediavelmente pois o que lhes é oferecido é mais do mesmo.
jaime crespo

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

levar a greve geral mais além.

é minha convicção que devíamos transformar a greve geral de dia 14 em algo de diferente e excecional, independentemente das posições que possam vir ou não a ser tomadas pelos dirigentes sindicais. afinal os sindicatos são nossos não são del
es.
estou farto da normalidadezinha e da calma modorrenta das outras greves: ficamos calmamente em casa, lamentamos o dia de salário que perdemos, nas tv's os dirigentes sindicais congratulam-se com a adesão e sucesso da greve, os ministros desvalorizam e enfatizam o civismo do povo. depois, tudo fica na mesma: cortam-nos salário, direitos e aumentam os impostos; os precários continuam na sua precariedade e os desempregados cada vez mais à rasca. estou farto desta calma confrangedora, porra!
4ª feira vamo-nos a eles, saiamos de casa, façamos piquetes frente ao local de trabalho, manifestemo-nos, e já agora, porque não ocuparmos os locais de trabalho, simbolicamente por um dia? para já.
ou agimos ou "eles" decidem sobre as nossas vidas.

domingo, 4 de novembro de 2012

Bairro de Santa Filomena: iminência de novas demolições que degradarão a vida de dezenas de pessoas


Bairro de Santa Filomena (Amadora):
iminência de novas demolições que
degradarão a vida de dezenas de pessoas

25 de Setembro
O Colectivo Habita e a Comissão de Moradores/as do Bairro de Sta Filomena vêm por este meio denunciar e manifestar a sua preocupação com o processo de demolições que se prepara para recomeçar. Novamente, as famílias começaram a ser chamadas ao atendimento social da Câmara. A autarquia convocou-as para um atendimento individualizado, com a presença de representantes do ACIDI e da embaixada de Cabo Verde, para dizer que nada têm para oferecer: não lhes é apresentada qualquer solução mas é-lhes exigido   que abandonem as suas casas rapidamente. A Câmara e o ACIDI assumem que o destino destas famílias, a sua integridade e segurança bem como os seus direitos não têm qualquer importância.

A situação concreta das famílias em causa é preocupante: fora do PER estão no total uma centena de agregados familiares, representando umas 380 pessoas entre as quais pelo menos 105 crianças e jovens de menos de 18 anos, mais de 80 pessoas estão desempregadas, pelo menos 14 pessoas que sofrem de invalidez permanente, deficiência ou doença crónica. Também incluem muitas famílias monoparentais, a maior parte compostas por uma mãe e seus filhos/as. A média dos rendimentos está a volta de 250€, 300€ por mês.

É preocupante também o facto de estarmos no período de Outono/ Inverno em que as condições meteorológicas são mais adversas; assim como a existência de várias crianças que já iniciaram o ano escolar e se vêm agora ameaçadas de despejo sem alternativas, atentando  contra os seus mais elementares direitos, provocando uma instabilidade prejudicial e inaceitável.

Relembramos que todas as famílias desalojadas na primeira fase não viram até hoje qualquer tipo de apoio e vivem em condições degradantes, incertas, que não respeitam a sua dignidade e segurança.

Se a Autarquia e o Governo não têm, ou não querem ter, programas e alternativas para as pessoas que não conseguem aceder ao mercado livre de habitação, então é necessário que suspendam o processo de demolições e despejos em curso. O critério de constar num recenseamento de há 20 anos atrás (PER, 1993) está ultrapassado e é inaceitável. A situação do país é grave e a das pessoas pior: os níveis de desemprego e de diminuição de rendimentos não podem ser acompanhados pela humilhação e indignidade do despejo sem que se assegure qualquer alternativa.