DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES

O que me distingue de um revolucionário, é que este quer mudar o mundo. eu não quero mudar rigorosamente nada, apenas registar a iniquidade humana.

sábado, 31 de março de 2012

Otelo defende actuação das Forças Armadas contra perda de soberania


mas é essa intervenção possível ou mesmo desejável?
não é possível:

o problema é que as forças armadas já não são as do tempo do Otelo. com o fim do serviço militar obrigatório criaram-se, por um lado, forças armadas de elite e mercenárias que gostam de participar nos conflitos internacionais porque vão lá ganhar muito dinheiro, por outro lado, umas forças armadas precárias, com recrutas com contrato a termo certo, findo o qual voltam à condição de civis e como tal também eles imbuídos do sentido mercenário de ganhar muito dinheiro em pouco tempo. os militares de carreira que vem de tempos anteriores estão apenas a preparar a sua passagem à reserva e consequente reforma, também já não estão para se envolverem em "chatices". no tempo do Otelo, todos iam à tropa, era uma força interclassista, ganhava-se um miserável pré e era-se obrigado a ir sobreviver para guerras coloniais em África que apenas eram interessantes, monetariamente para os militares do quadro e alguns milicianos ganharem comissões de serviço. quando os capitães também começaram a morrer e os milicianos foram comparados aos oficiais da academia, fizeram o 25 de abril que impulsionado pelo povo nas ruas deu uma coisa contrária ao que estava previsto. hoje como sempre, as forças armadas existem para servir e se servirem do regime, a questão que se coloca é que papel tem as forças armadas num país como Portugal ou mesmo se um país assim necessita de forças armadas como estas, que não tem na sua génese a defesa da soberania nacional, seja lá isso o que for, mas para defenderem interesses estratégicos do capital financeiro dentro do quadro da NATO e das intervenções militares a que esta dá cobertura.
 
Nem é desejável:
as forças armadas, são pela sua própria natureza, instrumentos de afirmação e defesa dos regimes instituídos, são pela sua organização elitista e piramidal e pela sua disciplina repressiva, instrumentos do imperialismo económico e financeiro, defendem quem melhor lhes paga e quem lhes afaga o pelo.
salvo raras exceções, quase sempre ao longo da História, as forças armadas foram sustentáculo do poder opressivo dos poderosos contra o povo ou ajudaram, quando essa ordem por algum motivo foi alterada, a retomá-la.
diz-se que fizeram o 25 de abril, pura ilusão. o golpe mais não era que uma reivindicação corporativista dos capitães aproveitada pelos generais para numa operação de cosmética encontrarem novo folego ao regime marcelista.
foi o povo nas ruas quem lhes cortou as vazas por uns meses, impôs a libertação dos presos políticos, o regresso dos exilados, as nacionalizações, o saneamento de fascistas, o fim da pide e o fim da guerra colonial. com o povo na rua não havia volta a dar e as cúpulas militares, por instantes, subordinaram-se aos subordinados: soldados, sargentos e alguns capitães... 
a intervenção de queOtelo tanto fala, não só não é possível nem é desejável, uma intervenção militar nas atuais circunstâncias que o país vive teria como argumento o de estabelecer a ordem e um novo paríodo ditatorial seria inaugurado sem que lhe víssemos o fim.
golpes militares e ordeiras ditaduras? não, nem obrigado!
 
jaime crespo



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