DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES

O que me distingue de um revolucionário, é que este quer mudar o mundo. eu não quero mudar rigorosamente nada, apenas registar a iniquidade humana.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

é a vida



por ser verdade, me assumo e divulgo:
sei que não sou uma pessoa fácil, mas também estou longe de ser homem de trato complicado. as complicações tenho-as na cabeça, na ordem das ideias.
confesso que politicamente tenho uma posição dificil de defender e de me movimentar. estou assim só,  num caminho solitário.
situo-me entre o trotskismo da IV internacional e o anarco-sindicalismo da cnt.
do trotskismo separa-me a questão do partido único, dos anarquistas a organização social.
dos primeiros penso que o partid0o único conduzirá inevitavelmente a uma ditadura totalitária, dos segundos, a falta de uma estrutura social forte, chame-se estado ou outra coisa qualquer, levará inevitavelmente ao domínio dos mais fortes sobre os mais fracos.
são duas lições que retirei da História.

entre estas nuvens duvidosas do pensamento e a falta de certezas que completassem o puzzle das minhas dúvidas, surgiu-me no horizonte o bloco de esquerda como uma organização política aparentemente afetada pelas mesmas dúvidas que eu e inflamada de uma modernidade que aparentava quebrar o gelo político que divide as chamadas esquerdas e empurrar para o devido lugar, as páginas da História a velha e novas direitas.
entre as minhas contradições, aderi ao bloco, saí por dá cá aquela palha, readeri, voltei a sair e voltei a pedir a adesão...
reconheço-lhes todo o direito a dizerem-me "eh pá, vai tratar-te para outro lado, ao psiquiatra, por exemplo, e depois volta a falar connosco".
responderia como Vasco Santana: "comprendido!"
esperei o tempo suficiente por uma justificação, ou antes por um simples aviso da decisão de recusarem o meu pedido.
nem decisão, nem justificação, apenas a cobardia do silêncio. soube da decisão por intermédio de terceiros.
estive para calar, mas como os políticos e suas organizações medram na medida em que nós vamos consentindo todos os atropelos, todas as cobardias, todos os silêncios... tenho que vir declarar que o bloco de esquerda por detrás de toda a fachada de modernidade, não passa de mais uma organização política igual a todas as outras, quer apropriar-se das nossas consciências, convive mal com a divergência e muito bem com aqueles que apesar de medíocres seguem a voz do dono.

e assim o país vai de carreirinho

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

crise vs crise



A crise parece que é geral e é para todos. Mas também parece que há crises mais crises que outras. Senão vejamos algumas comparações:

Enviei ontem por e-mail a alguns amigos mais chegados, mas eu sabia que me tinha escapado alguma coisa, e não querem lá ver que havia sido o mais importante?

A crise parece que é geral e é para todos. Mas também parece que há crises mais crises que outras. Senão vejamos algumas comparações:

Em Portugal: 
Ataca-se a classe média 
Aumentam-se os impostos sobre as atividades económicas e
 o consumo
Facilitam-se os despedimentos
Baixam-se os rendimentos dos reformados
lá fora: taxam-se as grandes fortunas
baixam-se os impostos punem-se as empresas e empresários que despedem trabalhadores aumentam-se as pensões

Apenas alguns pontos exemplificativos. Não inventei nada, esta informação foi tema de capa da revista visão em setembro último.

and... Last but not least:

em Portugal:
nacionalizou-se a dívida do BPN
dão-se comendas a banqueiros ladrões





lá fora:
não se paga a dívida de bancos privados
prendem-se os banqueiros aldrabões!

Cumprimentos
Jaime crespo

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Demolições violentas neste momento a ocorrer na Amadora, bairro de santa filomena



Demolições violentas neste momento a ocorrer na Amadora, bairro de santa filomena

A Câmara Municipal da Amadora enviou hoje um grande batalhão policial para o Bairro de Santa Filomena e continua a desalojar para a rua sem qualquer alternativa famílias que vivem neste. No grupo hoje desalojado há pessoas idosas, há pessoas com problemas graves de saúde, há crianças. Não há qualquer respeito pela dignidade das pessoas nem há responsabilidade para assegurar a protecção destas famílias que tendo rendimentos reduzidos não conseguem aceder ao mercado livre de habitação. O que a Câmara está a fazer é um atentado contra a vida das pessoas e um absoluto desrespeito pelos direitos fundamentais e pela vida humana.
A Câmara da Amadora mente quando diz que analisou e ofereceu alternativas às famílias. A única alternativa que ofereceu foi a rua, a bem ou a mal.

A Comissão de Moradores do Bairro e o Colectivo Habita condenam as demolições sem alternativas e vão denunciar e lutar contra o que considera como atentado contra a vida humana.

Contactos
Colectivo Habita: Rita Silva 966035893
Comissão de moradores Eurico Cangumi 927737710

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sobre a carga policial em São Bento




Sobre a carga policial em São Bento

No dia 14 de Novembro, na maior manifestação em dia de greve geral, os chefes da polícia, o ministro da administração interna e outros políticos tentaram justificar a carga policial sobre os manifestantes em São Bento, dizendo que as "forças de segurança" tinham sido muito tolerantes porque durante mais de uma hora “com serenidade e firmeza” levaram com pedras e garrafas atiradas por “meia dúzia de profissionais da provocação”.

Houve várias pessoas a atirar pedras e outros objectos ao cordão policial que defendia o Parlamento e não só eram bem mais do que meia dúzia, como muitos outros permaneceram por ali bastante tempo, sem arredar pé.
Também é verdade que houve uma carga violentíssima sobre os manifestantes, homens, mulheres, idosos, crianças, tudo o que se mexia foi varrido, atirado ao chão, ameaçado com gritos e balas de borracha. Houve ainda uma perseguição por várias ruas, onde se prenderam pessoas indiscriminadamente. Dezenas de pessoas foram identificadas sem saberem porquê. Nas esquadras não lhes foi dada a possibilidade de falar com um advogado, ir ao wc ou até de receber assistência médica.

Sobre a repressão policial temos apenas a dizer o seguinte: violência não é atirar pedras contra o corpo de intervenção, protegido com os seus fatos especiais, capacetes, escudos, cassetetes e armas. Violência não é a revolta de quem trabalha e não tem dinheiro suficiente para viver, de quem nem trabalho tem e desespera à procura, de quem passa fome, dos idosos que vêem as suas pensões reduzidas, de quem não explora ninguém e vive uma vida inteira a ser explorado pelos mesmos de sempre: políticos, banqueiros e empresários. Violência não é atacar a polícia quando esta defende o sistema ao qual pertence: o Estado, esse mesmo Estado que concedeu um aumento salarial de 10% para as forças de intervenção enquanto milhares de pessoas vivem em pobreza e outros para lá caminham.
Violência não é gritar palavrões contra os agentes policiais quando eles escolheram estar ali, especialmente os do corpo de intervenção. A polícia só existe para manter a ordem pública. E manter a ordem pública não é mais que evitar quaisquer acções que possam perturbar o sono dos ricos e poderosos.

Para nós violência é passar fome. Violência é 561 postos de trabalho serem destruídos todos os dias e 500 mil pessoas não terem qualquer apoio social. Violência é  os 25 mais ricos de Portugal crescerem 17,8% em 2011 face ao ano anterior. Violência é passar toda a vida a trabalhar por um salário, apenas para sobreviver. Violência é ter de cumprir ordens sem nunca podermos ser nós a decidir como queremos viver. Violência são os ataques diários da polícia nos bairros sociais, violência é a detenção de imigrantes que procuram uma vida melhor, violência é prender pessoas por roubar algo para comer, violência é não poderes ir por ali porque está a Merkel a passar, não poderes ir por acolá porque é o parlamento onde se encontram seguros os governantes, não poderes passar porque simplesmente os polícias te gritam que tens de te ir embora se não queres levar um tiro. Violência foi a morte à queima roupa do Kuku na Amadora, os ataques da polícia contra os piquetes de greve, as balas de borracha numa manifestação no 1º de Maio em Setúbal, a carga brutal ontem em São Bento como em tantas outras situações. Que se desiludam aqueles que pensam que são as “pedradas” que causam alguma coisa, a violência policial em manifestações é uma constante, sobretudo se não houver televisões por perto a filmar.

A violência policial é a violência ordenada pelo sistema em que vivemos, em que uns têm tudo e outros sofrem na miséria. É a violência do Estado e do Capital. É a violência que irá crescer aqui em Portugal e em todos os lugares onde os governantes e os ricos tenham medo da revolta dos pobres.
Mas eles que não se esqueçam que não nos podem matar a todos. Não nos podem prender a todos. Haverá sempre quem resista. Quem volte. Com pedras ou sem pedras, haverá sempre quem lute contra os polícias armados, pois onde houver luta pela justiça e igualdade, haverá sempre cães de guarda a defender o dono.

Levamos um mundo novo nos nossos corações, e os golpes que nos desferem só nos fazem acreditar mais na justeza dos ideais e das formas de luta que defendemos.

Contra a repressão, solidariedade! Contra a exploração, acção directa!
Unidos e auto-organizados, nós damos-lhes a crise!

Associação Internacional dos Trabalhadores – Secção Portuguesa                                                         16/11/2012
Núcleo de Lisboa    -     http://ait-sp.blogspot.com

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

GREVE GERAL - 14 NOVEMBRO ESPANHA E PORTUGAL: OS MESMOS ROUBOS, A MESMA LUTA!


GREVE GERAL - 14 NOVEMBRO
ESPANHA E PORTUGAL: OS MESMOS ROUBOS, A MESMA LUTA!

A AIT-SP e a CNT-AIT apelam conjuntamente à participação de todos os trabalhadores ibéricos, com ou sem trabalho, na greve geral de 14 de Novembro, porque em ambos os países:

- governos e patronato recorrem a medidas de austeridade com o pretexto do combate à “crise”, que são autênticos roubos e intensificação da exploração da classe trabalhadora e aos sectores da população mais fragilizados;

- os governos sobem os impostos aos trabalhadores, diminuem-lhes os salários e reduzem direitos conquistados no passado com as suas lutas;

- os governos cortam nas pensões, nos subsídios de desemprego e nos vários apoios sociais, pagos de antemão pelos trabalhadores com os seus descontos, passando-se o mesmo tanto na saúde como na educação, em benefício sempre dos mesmos: o capital financeiro e o patronato em geral;

- os bancos recebem apoio financeiro do Estado enquanto as pessoas são obrigadas a entregar as suas casas aos bancos; o desemprego atinge mais de cinco milhões de pessoas em Espanha e cerca de um milhão em Portugal e a maioria da população enfrenta diariamente uma vida de pobreza e exploração;

- a economia capitalista e o Estado favorecerão sempre o patronato e os ricos, porém são os trabalhadores os verdadeiros produtores da riqueza social.

Somente a classe trabalhadora tem a capacidade de paralisar a economia de forma a fazer com que os governos cedam aos interesses da população explorada e oprimida. Para isso temos de ser capazes de ir mais além de paragens de 24 horas isoladas no tempo, mais além da paralisação pontual da actividade nas indústrias e sectores tradicionais, de encontrar formas de interromper todo o processo de produção e consumo, de incorporar na mobilização o conjunto da classe trabalhadora, por mais precarizada e dividida que esta esteja. Ganhar a capacidade de fazer o maior dano possível aos interesses económicos da elite empresarial e financeira é o objectivo principal da greve geral.

A greve geral deve também ser um passo para a autogestão, ou seja, para consciencialização de que a classe trabalhadora possui a capacidade para recuperar o controlo sobre a economia e para repartir com justiça a riqueza produzida, através de processos de participação directa e assembleária.

A AIT-SP e a CNT-AIT, como organizações anarco-sindicalistas que são, praticam um sindicalismo independente e revolucionário, de acção directa e apoio-mútuo, rejeitando a colaboração de classes e qualquer apoio do Estado e do capitalismo. Participamos na jornada de mobilização internacional de 14 de Novembro juntamente com as demais secções da Associação Internacional dos Trabalhadores, que luta pela construção de uma sociedade livre e igualitária, onde todos possam viver com dignidade.

Por uma greve geral por tempo indeterminado!

Pela auto-organização e auto-emancipação dos trabalhadores!

CNT-AIT
Confederación Nacional del Trabajo
C/Historiador Domínguez Ortíz, 7 local
14002 Córdoba – España
spcc@cnt.es
http://www.cnt.es

AIT-SP
Associação Internacional dos Trabalhadores – Secção Portuguesa
Apartado 50029
1701-001 Lisboa - Portugal
aitport@yahoo.com
http://ait-sp.blogspot.com

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Traducción:
Huelga general – 14 Noviembre
España y Portugal: los mismos robos, la misma lucha!

La AIT-SP y la CNT-AIT apelan conjuntamente a la participación de todos los trabajadores ibéricos, con o sin trabajo, en la huelga general de 14 de Noviembre, porque en ambos los países:
- gobiernos y patronato recurren a medidas de austeridad, con el pretexto del combate a la “crisis”, que son verdaderos robos e intensificación de la explotación de la clase trabajadora y de los sectores más vulnerables de la población;
- los gobiernos suben los impuestos a los trabajadores, les disminuyen los salarios y reducen derechos conquistados por sus luchas en el pasado;
- los gobiernos recortan las pensiones, las prestaciones por desempleo y los varios apoyos sociales, pagos de antemano por los trabajadores con sus contribuciones, lo mismo sucediendo en la sanidad y en la educación, en beneficio siempre de los mismos: el capital financiero y el patronato en general;
- los bancos reciben apoyo financiero del Estado mientras las personas son obligadas a entregar sus casas a los bancos; el paro afecta a más de cinco millones de trabajadores en España y a cerca de un millón en Portugal y la mayoría de la población enfrentase diariamente con una vida de pobreza y explotación;
- la economía capitalista y el Estado favorecerán siempre al patronato y a los ricos, pero son los trabajadores los verdaderos productores de la riqueza social.
Sólo la clase trabajadora tiene la capacidad para paralizar la economía de forma a hacer con que los gobiernos cedan a los intereses de la población explotada y oprimida. Para ello, tenemos de ser capaces de ir más allá de paros de 24 horas aislados en el tiempo, más allá de la paralización de la actividad puntual en las industrias y sectores tradicionales, de encontrar formas de interrumpir todo el proceso de producción y consumo, de incorporar a la movilización al conjunto de la clase trabajadora, por precarizada y dividida que esté. Ganar la capacidad de hacer el mayor daño posible a los intereses económicos de la élite empresarial y financiera es el objetivo principal de la huelga general.
La huelga general debe también ser un paso hacia la autogestión, es decir, para la concienciación de que la clase trabajadora tiene la capacidad para recuperar el controlo sobre la economía y para repartir con justicia la riqueza producida, a través de procesos de participación directa y asamblearia.
La AIT-SP y la CNT-AIT, como organizaciones anarcosindicalistas que son, practican un sindicalismo independiente y revolucionario, de acción directa y apoyo mutuo, rechazando cualquiera colaboración de clases y cualquier apoyo del Estado y del capitalismo. Participamos en la jornada de movilización internacional de 14 de noviembre junto con las demás secciones de la Asociación Internacional de los Trabajadores, que lucha por la construcción de una sociedad libre e igualitaria, donde todos podamos vivir con dignidad.
 ¡Por una huelga general por tiempo indeterminado!
¡Por la auto-organización y auto-emancipación de los trabajadores!
CNT-AIT
Confederación Nacional del Trabajo
C/Historiador Domínguez Ortíz, 7 local
14002 Córdoba – España
spcc@cnt.es
http://www.cnt.es
AIT-SP
Asociación Internacional de los Trabajadores – Sección Portuguesa
Apartado 50029 /1701-001 Lisboa / Portugal

sábado, 10 de novembro de 2012

Bipolaridade política








Ouvi  algumas aegações irónicas proferidas, hoje, na convenção do Bloco de Esquerda as quais tomo a liberdade de comentar:
Complexo do dito pelo não dito – foi repetidamente alegada a urgência de formar um governo de esquerda sem o P.S., o que estas afirmações querem dizer na realidade é que os dirigentes do Bloco não desejam governo de esquerda nenhum, eles na realidade, tomando esta posição irredutível, querem é que a direita continue a governar Portugal, ainda por cima chegam atrasados em relação ao P.C.P. esta tem sido a tática política deste partido desde pelo menos o 25 de abril, esta hostilização do P.S. à esquerda empurrou-o taticamente para a direita, claro que as políticas de direita tomadas pelos governos do P.S. são da sua responsabilidade mas não só;
Complexo da nuvem por Juno – nesta linha, confundir o P.S. com a direção de José Seguro é como tomar Coelho, Portas, Gaspar, Relvas ou o dr. Cavaco por todo o povo português;
Complexo visionário – foi badalada a emergência de uma grande esquerda, ou uma esquerda grande, visionarismo puro na linha de Santa Teresa de Ávila ou de Savonarola, demonstra ainda uma mania das grandezas mal digerida pela pequenez a que a realidade os remete;
Complexo da mudança eterna – Rosas disse que o país está à beira de uma grande mudança, isto é repetido desde pelo menos o Renascimento e já Camões poetava que “todo o mundo é composto de mudança / tomando sempre novas qualidades”, enfim;
Complexo democrático – foi dito que o Bloco quer derrubar este governo e a convocação de novas eleições, se as eleições representassem uma mola viável de mudança estaria de acordo, mas a mudança só acontece com a mudança de mentalidades e particularmente com a mudança de atitudes e práticas políticas que o povo espera da parte das organizações políticas e das quais o Bloco de Esquerda tem mais responsabilidades que outro qualquer uma vez que apareceu como a força política da modernidade mas revelando afinal que não passa de mais do mesmo, a mediocridade geral e a esperteza saloia como prática política, assim o fosso entre eleitores e partidos ou eleitos alargar-se-á irremediavelmente pois o que lhes é oferecido é mais do mesmo.
jaime crespo

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

levar a greve geral mais além.

é minha convicção que devíamos transformar a greve geral de dia 14 em algo de diferente e excecional, independentemente das posições que possam vir ou não a ser tomadas pelos dirigentes sindicais. afinal os sindicatos são nossos não são del
es.
estou farto da normalidadezinha e da calma modorrenta das outras greves: ficamos calmamente em casa, lamentamos o dia de salário que perdemos, nas tv's os dirigentes sindicais congratulam-se com a adesão e sucesso da greve, os ministros desvalorizam e enfatizam o civismo do povo. depois, tudo fica na mesma: cortam-nos salário, direitos e aumentam os impostos; os precários continuam na sua precariedade e os desempregados cada vez mais à rasca. estou farto desta calma confrangedora, porra!
4ª feira vamo-nos a eles, saiamos de casa, façamos piquetes frente ao local de trabalho, manifestemo-nos, e já agora, porque não ocuparmos os locais de trabalho, simbolicamente por um dia? para já.
ou agimos ou "eles" decidem sobre as nossas vidas.

domingo, 4 de novembro de 2012

Bairro de Santa Filomena: iminência de novas demolições que degradarão a vida de dezenas de pessoas


Bairro de Santa Filomena (Amadora):
iminência de novas demolições que
degradarão a vida de dezenas de pessoas

25 de Setembro
O Colectivo Habita e a Comissão de Moradores/as do Bairro de Sta Filomena vêm por este meio denunciar e manifestar a sua preocupação com o processo de demolições que se prepara para recomeçar. Novamente, as famílias começaram a ser chamadas ao atendimento social da Câmara. A autarquia convocou-as para um atendimento individualizado, com a presença de representantes do ACIDI e da embaixada de Cabo Verde, para dizer que nada têm para oferecer: não lhes é apresentada qualquer solução mas é-lhes exigido   que abandonem as suas casas rapidamente. A Câmara e o ACIDI assumem que o destino destas famílias, a sua integridade e segurança bem como os seus direitos não têm qualquer importância.

A situação concreta das famílias em causa é preocupante: fora do PER estão no total uma centena de agregados familiares, representando umas 380 pessoas entre as quais pelo menos 105 crianças e jovens de menos de 18 anos, mais de 80 pessoas estão desempregadas, pelo menos 14 pessoas que sofrem de invalidez permanente, deficiência ou doença crónica. Também incluem muitas famílias monoparentais, a maior parte compostas por uma mãe e seus filhos/as. A média dos rendimentos está a volta de 250€, 300€ por mês.

É preocupante também o facto de estarmos no período de Outono/ Inverno em que as condições meteorológicas são mais adversas; assim como a existência de várias crianças que já iniciaram o ano escolar e se vêm agora ameaçadas de despejo sem alternativas, atentando  contra os seus mais elementares direitos, provocando uma instabilidade prejudicial e inaceitável.

Relembramos que todas as famílias desalojadas na primeira fase não viram até hoje qualquer tipo de apoio e vivem em condições degradantes, incertas, que não respeitam a sua dignidade e segurança.

Se a Autarquia e o Governo não têm, ou não querem ter, programas e alternativas para as pessoas que não conseguem aceder ao mercado livre de habitação, então é necessário que suspendam o processo de demolições e despejos em curso. O critério de constar num recenseamento de há 20 anos atrás (PER, 1993) está ultrapassado e é inaceitável. A situação do país é grave e a das pessoas pior: os níveis de desemprego e de diminuição de rendimentos não podem ser acompanhados pela humilhação e indignidade do despejo sem que se assegure qualquer alternativa. 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

por uma greve geral europeia

A greve geral Ibérica:
após a marcação de uma greve geral para 14 de novembro, em Portugal, pela CGTP, as centrais espanholas UGT e CC.OO, decidiram também marcar uma greve geral para esse dia, em Espanha, e a que chamaram greve geral Ibérica. as centrais sindicais de Malta, resolveram igualmente marcar uma greve geral para esse dia.
se uma greve geral incomoda muita gente duas incomodam muito mais e três... ai jesus que não pode ser.
perante este cenário bastante favorável a
os trabalhadores e população europeia em geral, de a greve geral de 14 de novembro se poder estender a mais países da união europeia e pela 1ª vez se reunirem condições sérias das populações e trabalhadores derrotarem a troika e os tecnocratas de Bruxelas, qual a resposta da CES (confederação europeia de sindicatos) a este cenário? chama as centrais suas filiadas e aconselha-as não a marcarem greves gerais mas sim a marcarem jornadas de luta!!!
em linguagem de crentes, não façam a peregrinação porque uma procissão basta!
assim é que não vai o movimento sindical a lado algum.
com sindicalistas dados, os trabalhadores, lá vão sempre sendo enrabados.
MOVIMENTO POR UMA GREVE GERAL EUROPEIA, JÁ!



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O ataque contra as nossas condições de vida radicaliza-se! A nossa resistência também!


O ataque contra as nossas condições de vida radicaliza-se! 

A nossa resistência também!


O Cerco a S. Bento do passado 15 de Outubro revelou-se como mais um episódio da crescente radicalização da resistência contra o ataque do Estado e do Capital contra as nossas condições de vida, sob a forma das chamadas medidas de austeridade.


Por demasiado tempo, os trabalhadores e demais explorados e marginalizados deste país sofreram em silêncio esta guerra social sem escrúpulos que nos é movida pela classe dirigente e exploradora. As manifestações do último mês e mesmo alguns movimentos grevistas dos últimos tempos, ainda que plenos de contradições, demonstraram que o desespero levou muitos de nós a perderem o medo e que o ambiente de revolta é generalizado. E é tal a heterogeneidade dos manifestantes e das suas formas de protesto, que se tornaram risíveis quaisquer tentativas das autoridades e de certa imprensa em colar a responsabilidade pelos actos “radicais” a minorias anarquistas.

Enquanto anarco-sindicalistas, estamos com todos aqueles que resolveram tomar a luta nas suas mãos, rejeitando qualquer mediação partidária ou sindical dos que nos dizem representar, mas sempre nos traem em troco de benesses ou posições de poder.

Rejeitamos em absoluto qualquer posição nacionalista ou autoritária no seio deste movimento. A nossa luta é a luta de todos os que são explorados e oprimidos em todo o mundo contra os que nos exploram e oprimem em todo o mundo.

Rejeitamos qualquer objectivo político neste movimento. Sabemos que muitos desejam apenas a queda do governo porque esperam vir a ocupar o seu lugar e, para tal, procuram instrumentalizar as “massas”.


Nós afirmamos que um povo auto-organizado não precisa de Estado e desejamos simplesmente encontrar formas de nos auto-organizarmos, com gente como nós, para a resolução dos nossos problemas pelas nossas próprias mãos, sem políticos nem patrões.

Nem representantes, nem representados!

Auto-organização, acção directa, autogestão!


Associação Internacional dos Trabalhadores – Secção Portuguesa
Núcleo de Lisboa


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Um dos vídeos de 15 de Outubro: 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

o passe social estudante.



há medidas que com muito esforço, ainda consigo compreender como necessárias para controlar o défice. mas um governo que apresenta como medida o que apresentou ontem, como solução para os passes sociais dos estudantes, ultrapassou todos os níveis da incompetência ou estupidez dos ministros do atual governo. esta medida distingue-se pela malvadez, pelo 
gozar com a desgraça alheia.
propor um passe social estudante apenas aos filhos de famílias cujo rendimento mensal não é superior a 520 euros é uma barbaridade. estas famílias nem podem já mandar os filhos à escola, eles andam a engordar as fileiras das estatísticas do trabalho infantil.
para se aferir da brutalidade da medida, vejam que um casal em que ambos ganhem o ordenado mínimo, se tiver filhos, estes não tem direito a passe social estudante!!!
como escrevia o grande Eça de Queiroz, "este governo não se pode derrubar porque este governo é uma nódoa e tal como as nódoas, só sai com benzina."

terça-feira, 17 de julho de 2012


segundo ouvi dizer, o impagável (no sentido literal do termo) albert john garden, líder madeirense, ontem, no decorrer de uma das muitas festas que se fazem em sua honra e glória naquele arquipélago, ía falecendo vítima de um incómodo engasganço. quem o terá salvo foi um bombeiro que por ali estava.

prendam esse bombeiro já! o homem é um potencial psicopata que gosta de ver atear incêndios. mas o que é que você anda a fazer nesta vida, seu bombeiro? olhe que quem distribui as medalhas no 10 de junho é o senhor silva, não o pentedoutor albérte joã. está bem, o segundo é que lhe dá p'ró tacho mas o país tinha-lhe ficado eternamente agradecido se atrasasse o seu dever por uns minutos, no mínimo devia ter telefonado ao seu superior, ao inem, ao saúde 24 a pedir instruções. olha lá o emplastro :)

jaime crespo


o Dr. Estafermo

atirar trampa à parede (ao povo) e limpar à camisa (branca, branquinha) e à gravata.



D. Januário Torgal, bispo das Forças Armadas e Segurança, tem vindo, com as posições frontalmente assumidas, a revelar-se o Homem que a oposição de esquerda deveria ter e não tem. os discursos inflamados de Loução ou Jerónimo e dos dirigentes sindicais, depois de esvaziados da inflamação mais não são que futilidades.
nem vem ao caso falar do fosquinhas do Seguro que há-de morrer de velho mas sem nada que lhe marque o caminho; como aqueles idosos que vivem até para lá dos 100 mas sem comer em excesso, sem beber, sem fumar e... sem foder.
muito bem, anteontem, uma vez mais, D. Januário colocou o dedo na ferida e disse com todas as letras "este é um governo de corruptos"!
perante isto, o que fez o governo? encomendou o sermão ao ministro Branquinho, que belo nome para a ocasião, branquinho, branquear, o omo lava mais branco...
Ora a um político exigem-se-lhe respostas políticas. cabia ao branquinho, quanto a mim perante o teor da acusação feita pelo bispo a resposta inequívoca teria que ser dada pelo próprio 1º ministro e não podia ser dúbia, teria que esclarecer e convencer o povo português que o bispo se havia excedido e que afinal este governo é composto por pessoas sérias, para lá de qualquer dúvida.
à mulher de César não basta ser séria, tem também que o parecer.
que resposta veio branquinho dar ao povo? a resposta que qualquer advogadozeco de meia tigela teria dado sobre qualquer acusação feita a um seu cliente, alegou a presunção de inocência e remeteu para o Bispo o ónus da prova.
seria assim, branquinho teria razão caso o Bispo se estivesse a referir a qualquer cidadão, ora o Bispo referiu-se aos ministros da nação e a resposta dada por branquinho mais não foi do que atirar trampa aos olhos do povo e limpar-se à sua impecável camisa branca.
enquanto isto, o povo e o país vão-se afundando na merda que os seus governantes, dirigentes políticos e sindicais vão fazendo.
Valha-nos o bispo das Forças Armadas e Segurança, D. Januário Torgal.




jaime crespo

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Decidir pela encrenca



Ou melhor dizendo, fazer que decide e decidir pior que o não fazer, foi o que fez o Tribunal Constitucional ao emitir, mais de um ano depois!!!, parecer sobre os cortes salariais aos funcionários públicos.
Alegam os juízes constitucionais o ferimento do preceito constitucional da igualdade, esses cortes, ao atingirem apenas os funcionários públicos discriminaram-nos negativamente em relação aos empregados das empresas privadas.
Este parecer, logo abriu a porta para que os troikistas, com o economista João Duque a ponta de lança, viessem defender que assim sendo, respeitando a Constituição e o famigerado princípio da igualdade, então o que o governo deve fazer é estender os cortes também ao setor privado. Cortar sempre à custa dos rendimentos de quem trabalha...
Para não enviesar pelo caminho que está a ser seguido e é quanto a mim a completa perversão, da letra e do espírito do preceito constitucional que enforma o princípio da igualdade, o que está aqui em causa é um roubo descarado no rendimento dos trabalhadores, os trabalhadores assinam um contrado com a entidade patronal, seja ela pública ou privada, para sobre o seu trabalho produzido ao longo de um ano serem pagos 14 vezes sobre dada remuneração. É este roubo que está em caus e não qualquer princípio de igualdade. Ao defender o que agora os troikistas defendem será algo do género de obrigar um ladrão a assaltar todas as pessoas e não apenas duas ou três de modo a que toda a gente tivesse sido assaltada.
Um jurista amigo meu, defende assanhadamente o parecer dos juízes constitucionais, alegando que perante a letra da Constituição, eles não poderiam ter decidido de outra forma. Pode ser que sim, não tenho formação jurídica, mas sei que numa democracia quando o povo deixa de entender as suas leis e as medidas de quem o governa, muda-se de leis e de governantes. 
Na Europa parece quererem mudar de povo, a isso chama-se ditadura, isso é o totalitarismo a entrar-nos pela porta das traseiras e sem o consentimento do dono da casa: o Povo.
jaime crespo

segunda-feira, 2 de julho de 2012

emagrecimento repentino

Foto: emagrecimento: nem tudo são desvantagens nesta situação. retirando-se o fato e esquecendo a bateria de exames que os médicos prescrevem com vista a descobrirem para onde está a ir a massa, neste caso a minha) adiposa, de toda a situação advém uma vantagem inestimável. vejamos, há uns bons dez anos que não via a gaita e agora já lhe vejo a cabecinha, isto é mais uma semana e já vejo a gaita toda... depois já posso morrer que morro feliz a ver a gaita tocar <;)

emagrecimento: nem tudo são desvantagens nesta situação. retirando-se o fato e esquecendo a bateria de exames que os médicos prescrevem com vista a descobrirem para onde está a ir a massa, neste caso a minha) adiposa, de toda a situação advém uma vantagem inestimável. vejamos, há uns bons dez anos que não via a gaita e agora já lhe vejo a cabecinha, isto é mais uma semana e já vejo a gaita toda... depois já posso morrer que morro feliz a ver a gaita tocar <;)
jaime crespo

partido comunista português


partido comunista português:
podem crer, companheir@s que não sofro de espécie alguma de fobia para com o pcp, eles (pcp) é que parece padecerem de fobia aos anarquistas e à insubmissão a toda e qualquer espécie de poder que eles representam.
não tenho dúvidas que tal como na rússia de 1917, também serão os anarquistas as primeiras vítimas de uma hipotática tomada do poder pelo pcp. é que ao contrário do que eles advogam, não são a vanguarda politizada dos trabalhadores mas sim a guarda avançada da burguesia económico-financeira. e é esta verdade incómoda e que nós denunciamos que tanto os incomoda.

anarquista anonymous


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Comentário sobre a situação económica actual.


Comentário sobre a situação económica actual.
O problema das sociedades ocidentais hoje em dia, é que existe uma polícia do pensamento que «não deixa» as pessoas
pensarem pela própria cabeça e pretende impor um figurino da «moda» do pensamento, acerca de questões candentes da
sociedade, de acordo com as conveniências e modas do momento, mas sem salvaguardar os valores perenes e
imorredoiros da sociedade, que ao longo dos tempos, conservou sempre o essencial, sem se perder nas conveniências de
ocasião. Até os pseudo-analistas políticos, se encarregam de tentar fazer passar a ideia de que tudo está bem e os

problemas em vias de resolução.

Claro, são pagos para isso mesmo, para dizer apenas o que convém. Mas não a verdade. Porque isso não seria politicamente corrrecto...
E isto em nome do politicamente correcto, quando no fundo as pessoas conservam as suas opiniões, ainda que muitas

vezes os políticos e os meios de comunicação tentem manipular essas opiniões.

E a prova disso é a decadência moral actual e sobretudo o facto de vivermos numa ditadura da mediocridade e da
corrupção generalizada, em que vemos sociedades ditas civilizadas da Europa, a destruirem alimentos para manterem

cotas de produção e preços no consumidor... de forma artificial.

E claro a subsidiar produções, de acordo com interesses estabelecidos que muitas vezes não são de modo nenhum o que
é mais preciso. Não creio que uma sociedade, que altera as regras do mercado apenas para servir interesses privados,

subsista incólume por muito tempo. Nem creio que seja possível sobreviver com um desemprego tão elevado. 

Até mesmo no triunfo dos porcos, os animais acabaram por se aperceberem das injustiças...
Neste momento na Europa inteira, os políticos vivem completamente divorciados da realidade e o que é mais grave, dos

eleitores e de quem eles supostamente dizem representar. 

A mim não representam de certeza e não é esta a comunidade europeia que eu desejava, nem a que prometeram.

Nem tem nada a ver com o projecto inicial idealizado por Konrad Adenauer.

Antes pelo contrário, aquilo a que se tem assistido, é a completa subversão das promessas eleitorais e a violação das leis
de cada país, a tentativa de sobreposição dos poderes de cada país em completa violação das constituições desses
mesmos países, mas com a desculpa de que como são devedores, devem obrigatoriamente aceitar as condições impostas

pela usura. Ou seja, se não aceitam essas condições, não recebem ajuda. É a completa falência do estado. 

Mas para obrigar esses mesmos países a endividarem-se em projectos megalómanos e alguns inúteis, aí não havia regras
nem medidas, apenas facilidades. A factura é apresentada agora: ou vendem tudo da esfera do estado ao sector privado ou
entram na falência. E o pior é que se criaram artificialmente as condições de elevado desemprego, com a deslocalização
das fábricas (para países onde se pagam ordenados de miséria e escravatura), ideais para se poderem escravizar os povos

da Europa, através do desemprego, do outsourcing, dos falsos recibos verdes e da instabilidade laboral.

Não tenhamos dúvidas, a célula base da sociedade é a família, e se não existe estabilidade profissional, também não

existe estabilidade da família e claro por extensão não pode existir estabilidade na sociedade.

Os ataques feitos à família ao longo dos últimos 30 anos em Portugal, conduziram-nos a esta situação de crise que é

sobretudo de falta de ética e de valores.

Houve muita pressa, em criar um Tratado de Lisboa, sem consultar as pessoas através de referendo, tal cmo tinha sido
prometido em campanha eleitoral, e o Tratado de Bolonha, para uniformizar o ensino e a educação e nivelar por baixo a
educação. Claro, era de toda a conveniência manter a juventude na ignorância e no alheamento, para mais facilmente se
poder dominar a sociedade. E agora aquilo a que assistimos todos os dias é o retirar dos direitos que as pessoas levaram
muitos anos para conseguir, violar a lei e a constituição pelo menos em Portugal, para mais facilmente se roubar tudo o
que o nosso país ainda tem. Fecham-se escolas, hospitais, centros de saúde e tribunais, em nome da lógica da

contenção da despesa. Todos os dias muitas pequenas empresas vâo à falência e há cada vez mais desemprego.

E qualquer dia fecham a Assembleia da República e passamos a ser governados por enviados estrangeiros. Aliás, já há

políticos europeus a dizer isso mesmo. Está planeado.

Por isso eu digo que é urgente reactivar o Comité de Desnazificação da Alemanha, mas sobretudo, é urgente sair da União
Europeia e da moeda única. Claro que se o projecto da União Europeia era outro, não existe legitimidade nenyhuma para o
continuar, uma vez que foi totalmente subvertido. A Alemanha obrigou os paises europeus a aceitarem tratados com
condições que uma boa parte dos países não tem possibilidades de as cumprir. E isso neste momento é mais que

evidente, pelo que se vê ao nível da prestação económica das diversas economias e sobretudo pelos indicadores sociais.

Não é possível haver uniformidade, entre 27 paises com economias e estruturas sociais tão díspares, e quem pensa o

contrário, é porque não tem a mínima noção da realidade. Ou finge que não tem. 

Se quisermos continuar a ser um país civilizado, onde o ser humano ainda e por enquanto, é mais importante que o

dinheiro, não existe outra solução que não seja renegociar a dívida e sobretudo os prazos e juros.

Nenhuma economia consegue sobreviver a pagar estes juros tão elevados e muito menos com a actual asfixia da
economia que vê todos os dias empresas a fechar as portas e multidões de desempregados afluírem ao fundo de
desemprego. nenhum estado consegue suportar uma despesa dessas. As pessoas já se esqueceram do exemplo da

Argentina.

E claro que se o país entrar de novo na bancarrota e na impossibilidade de honrar os seus compromissos, nada mais há a
fazer do que sair de uma moeda construída artificialmente e que está sob constantes ataques das agências de terrorismo
financeiro e da especulação. A actual impossibilidade da execução orçamental e sobretudo da receita fiscal, é um indcador
que claramente ilustra isso: os políticos incompetentes e irresponsáveis, criaram uma situação sem saída, para a política
actualmnente inplementada. Há que encontrar outra solução urgente, mas sobretudo parar com a sangria de venda do
património estatal, sob pena de muito em breve entrarmos em clima de confrontos sociais motivados pela revolta e pela
fome. Também em vésperas da revolução francesa, os governantes insistam em não prestar atenção aos indicadores sociais, e
todos sabem o que aconteceu a seguir. Ainda hoje os franceses guardam na memória, a vingança motivada pela revolta,
que foi levada a cabo com todos os desvarios que as pessoas conhecem. Mas claro, quem não conhece a história,

arrisca-se sempre a cometer os mesmos erros.

Quero agora aproveitar para partilhar com todos, um caso que aconteceu há muitos anos, mas que infelizmente para
algumas das nossas mentalidades políticas medíocres, tornam muito actual. E claro, continua a acontecer exactamente o

mesmo. 

Conheci pessoalmente há muitos anos um jornalista amigo do meu pai, que relatava numa crónica de jormal, os elevados e
insuspeitos méritos de um ex-ministro, que após uma brilhante carreira no funcionalismo e ao serviço do povo que ele dizia
servir, se reformou do estado e humildemente aceitou um cargo de administrador numa grande empresa privada, devido aos

seus comprovados e mais que reconhecidos méritos profissionais.

Claro, que foi ganhar um bom e justamente merecido ordenado, com todos os privilégios inerentes. Nada mais justo para

um político que tanto se esforçou para servir apenas os interesses do povo que servia...

E claro o jornalista aproveitou também para contar outra história, em tudo semelhante, mas em que apenas diferia a
profissão. Contou que foi a uma boite, dessas onde trabalham as profissionais do sexo, e lembrou-se de perguntar pela
Micas, uma profissional muito competente que lá trabalhava... também com muitos méritos profissionais e sem dúvida uma

larga experiência profissional e de elevada pordutividade, tal como o supracitado ministro. 

E a resposta que recebeu das colegas dela foi: A Micas já não trabalha aqui, agora está por conta...
Pois, tal como o outro ministro. 
Acho que não preciso de vos dizer mais nada. Vocês até os conhecem e sabem quem eles são.
Apeoveito para partilhar o link do video:
que ilustra bem o que eu afirmo acerca do euro.
Diogo

segunda-feira, 18 de junho de 2012

só é livre quem faz por isso

um escravo que queira ser livre só tem que tentar, por todos os meios ao seu dispor,  quebrar as grilhetas que o oprimem. aquele que fica sem nada fazer, esperando que um dia, talvez nas calendas, o seu senhor lhas retire, esse, não prova merecer a Liberdade.
o povo grego foi ontem a eleições, talvez sim, talvez não, teve uma oportunidade única na História para mudar o seu destino. preferiu que tudo ficasse na mesma, afinal, demonstrou que são da estirpe daqueles que ficam à espera que um qualquer senhor os liberte.
merecem ser livres? talvez não, talvez sim. ainda assim, eu diria que sim, a resposta ter~´a que ser o povo grego a dá-la e estou convencido que o fará.

jaime crespo

domingo, 3 de junho de 2012

o programa de transição - Trotski

Nota inicial: por considerar um documento importante para a compreensão da História, sobretudo da falência atual do sistema capitalista que abre brechas por todo o lado, lançando populações inteiras na miséria e criando um sistema neo-esclavagista no trabalho, inicio hoje a publicação do opúsculo "o Programa de Transição", escrito por Léon Trotski, em 1936, quando se encontrava já a viver o seu atribulado exílio. é claro que nem tudo no escrito poderá ser considerado atual necessitando por isso de uma reformulação à luz dos tempos modernos, não concordo com todas as ideias aqui apresentadas por Trotski, no entanto constitui um documento e uma linha ideológica, de rumo e de ação para orientação do tão desorientado mundo dos trabalhadores perante os desafios cada dia mais arrogantes que o capitalismo hoje lhe apresenta.
O texto encontra-se totalmente disponível em: http://www.marxists.org/portugues/trotsky/1938/programa/, para quem estiver interessado. tem um senão, a trdução é em português do Brasil e nem sempre parece adequada ao nosso português.
Boa leitura e malhor reflexão:


Programa de Transição

Leão Trotski

1936


Fonte: Gentilmente cedido pela Juventude do PSTU.

Capítulos 1 a 12


As premissas objectivas para uma revolução socialista

A situação política mundial no seu conjunto caracteriza-se, antes de mais nada, pela crise histórica da direção do proletariado.
A premissa econômica da revolução proletária já alcançou há muito o ponto mais elevado que possa ser atingido sob o capitalismo. As forças produtivas da humanidade deixaram de crescer. As novas invenções e os novos progressos técnicos ? não conduzem mais a um crescimento da riqueza material. As crises conjunturais, nas condições da crise social de todo o sistema capitalista, sobrecarregam as massas de privações e sofrimentos cada vez maiores. O crescimento do desemprego aprofunda, por sua vez, a crise financeira do Estado e mina os sistemas monetários estremecidos. Os governos, tanto democráticos quanto fascistas, vão de uma bancarrota a outra.
A própria burguesia não encontra saída. Nos países onde foi obrigada a fazer sua última jogada com a carta do fascismo, ela caminha, atualmente, de olhos ri fechados, para a catástrofe econômica e militar. Nos países historicamente privilegiados, isto é, naqueles onde ainda pode permitir-se durante algum tempo, o luxo da democracia às custas da acumulação nacional anterior (Grã-Bretanha, França, EUA, etc.), todos os partidos tradicionais do capital encontram-se numa tal situação de desagregação que, por momentos, chega à paralisía da vontade. O New Deal, apesar do caráter resoluto que ostentava no primeiro período, representa apenas uma forma particular da desagregação, possível apenas num país onde a burguesia pôde acumular riquezas sem conta. A crise atual, que ainda está longe de seu fim, já demonstrou que a política do New Deal nos EUA, assim como a política da Frente Popular na França, não oferece qualquer saída ao impasse econômico.
O panorama das relações internacionais não possui melhor aspecto. Sob a pressão crescente do declínio capitalista, os antagonismos imperialistas atingiram o limite, além do qual os diversos conflitos e explosões sangrentas (Etiópia, Espanha, Extremo Oriente, Europa Central...) devem, infalivelmente, confundir-se num incêndio mundial. A burguesia dá-se conta, sem dúvida, do perigo mortal que uma nova guerra representa para seu domínio, mas é, atualmente, infinitamente menos capaz de preveni-la do que às vésperas de 1914.
Os falatórios de toda espécie, segundo os quais as condições históricas não estariam "maduras" para o socialismo, são apenas produto da ignorância ou de um engano consciente. As premissas objetivas da revolução proletária não estão somente maduras: elas começam a apodrecer. Sem vitória da revolução socialista no próximo período histórico, toda a civilização humana está ameaçada de ser conduzida a uma catástrofe. Tudo depende do proletariado, ou seja, antes de mais nada, de sua vanguarda revolucionária. A crise histórica da humanidade reduz-se à crise da direção revolucionária.

O proletariado e a sua liderança

A economia, o Estado, a política da burguesia e suas relações internacionais estão profundamente afetadas pela crise social que caracteriza a situação pré-revolucionária da sociedade. O principal obstáculo na transformação da situação pré-revolucionária em situação revolucionária é o caráter oportunista da direção do proletariado, sua covardia pequeno-burguesa diante da grande burguesia, os laços traidores que mantém com esta, mesmo em sua agonia.
Em todos os países, o proletariado está envolvido por uma angústia profunda. Massas de milhões de homens lançam-se sem cessar no caminho da revolução. Mas, a cada vez, chocam-se com seus próprios aparelhos burocráticos conservadores.
O Proletariado espanhol fez, desde abril de 1931, uma série de tentativas heróicas para tomar o poder em suas mãos e a direção dos destinos da sociedade. Entretanto, seus próprios partidos (social-democrata, stalinista, anarquistas, POUM), cada qual à sua maneira, atuaram como freio e, assim, prepararam o triunfo de Franco.
Na França, o poderosa onda de greves com ocupação de fábricas, particularmente em junho de 1936, mostrou com clareza que o proletariado estava completamente pronto para derrubar o sistema capitalista. Entretanto, as organizações dirigentes (socialistas, stalinistas e sindicalistas) conseguiram, sob a égide da Frente Popular, canalizar e deter, ao menos momentaneamente, a torrente revolucionária.
A onda sem precedentes de greves com ocupação de fábricas e o crescimento prodigiosamente rápido dos sindicatos industriais (ClO), nos EUA, são a expressão indiscutível da instintiva aspiração dos operários norte-americanos a se elevarem à altura das tarefas que a História Ihe reservou. Porém, aqui também, as organizações dirigentes, inclusive a Cl04, recentemente criada, fazem todo o possível para conter e paralisar a ofensiva revolucionária das massas.
A passagem definitiva da Internacional Comunista para o lado da ordem burguesa e seu papel cinicamente contra-revolucionário no mundo inteiro, particularmente na Espanha, na França, nos Estados Unidos e nos outros países "democráticos", criaram extraordinárias dificuldades suplementares para o proletariado mundial. Sob o signo da Revolução de Outubro, a política conciliadora das "Frentes Populares" vota a classe operária à impotência e abre o caminho ao fascismo.
As "Frentes Populares" de um lado e o fascismo de outro, são os últimos recursos políticos do imperialismo na luta contra a revolução proletária. No entanto, do ponto de vista histórico, estes dois recursos são apenas ficções. A putrefação do capitalismo continua, tanto sob o signo do barrete frígio na França como sob o signo da suástica na Alemanha. Somente a derrubada da burguesia pode oferecer uma saída.
A orientação das massas está determinada, de um lado, pelas condições objetivas do capitalismo que se deteriora; de outro, pela política traidora das velhas
organizações operárias. Destes dois fatores, o fator decisivo é, sem duvida, o primeiro: as leis da História são mais poderosas que os aparelhos burocráticos. Por mais diversos que sejam os métodos dos sociais traidores - da legislação Social" de Leon Blum às falsificações judiciais de Stalin -, eles não conseguirão jamais quebrar a vontade revolucionária do proletariado. Cada vez mais seus esforços desesperados para deter a roda da História demonstrarão às massas que a crise da direção do proletariado, que se transformou na crise da civilização humana, s6 pode ser resolvida pela IV Internacional.

Programa mínimo e programa de transição

A tarefa estratégica do próximo periodo - período pré-revolucionário de agitação, propaganda e organização - consiste em superar a contradição entre a maturidade das condições objetivas da revolução e a imaturidade do proletariado e de sua vanguarda (confusão e desencorajamento da velha geração, falta de experiência da nova). É necessário ajudar as massas, no processo de suas lutas cotidianas a encontrar a ponte entre suas reivindicações atuais e o programa da revolução socialista. Esta ponte deve consistir em um sistema de REIVINDICAÇÕES TRANSITÓRIAS que parta das atuais condições e consciência de largas camadas da classe operária e conduza, invariavelmente, a uma só e mesma conclusão: a conquista do poder pelo proletariado.
A social-democracia clássica, que desenvolveu sua ação numa época em que o capitalismo era progressista, dividia seu programa em duas partes independentes uma da outra: o programa mínimo, que se limitava a reformas no quadro da sociedade burguesa, e o programa máximo, que prometia para um futuro indeterminado a substituição do capitalismo pelo socialismo. Entre o Programa mínimo" e o Programa máximo" não havia qualquer mediação. A social-democracia não tem necessidade desta ponte porque de socialismo ela só fala nos dias de festa.
A Internacional Comunista enveredou pelo caminho da social-democracia na época do capitalismo em decomposição, quando não há mais lugar para reformas sociais sistemáticas nem para a elevação do nível de vida das massas, quando a burguesia retoma sempre com a mão direita o dobro do que deu com a mão esquerda (impostos, direitos alfandegários, inflação, deflação", carestia da vida, desemprego, regulamentação policial das greves, etc.), quando cada reivindicação séria do proletariado, e mesmo cada reivindicação progressista da pequena burguesia, conduzem inevitavelmente além dos limites da propriedade capitalista e do Estado burguês.
A tarefa estratégica da IV Internacional não consiste em reformar o capitalismo, mas em derrubá-lo. Seu objetivo político é a conquista do poder pelo proletariado para realizar a expropriação da burguesia. Entretanto, o cumprimento desta tarefa estratégica é inconcebível sem a mais atenta atitude em todas as questões de tática, mesmo as pequenas e parciais.
Todas as frações do proletariado, todas as camadas, profissões e grupos devem ser levados ao movimento revolucionário. O que distingue a época atual não é o fato de ela liberar o partido revolucionário do trabalho prosaico diário, mas o de permitir conduzir esta luta em união indissolúvel com as tarefas da revolução.
A IV Internacional não rejeita as reivindicações do velho programa mínimo", à medida que elas conservaram alguma força vital. Defende incansavelmente os direitos democráticos dos operários e suas conquistas sociais. Mas conduz este trabalho diário ao quadro de uma perspectiva correta, real, ou seja, revolucionária. A medida que as velhas reivindicações parciais mínimas" das massas se chocam com as tendências destrutivas e degradantes do capitalismo decadente - e isto ocorre a cada passo -, a IV Internacional avança um sistema de REIVINDICAÇÕES TRANSITÓRIAS, cujo sentido é dirigir-se, cada vez mais aberta e resolutamente, contra as próprias bases do regime burguês. O velho programa mínimo" é contentemente ultrapassado pelo PROGRAMA DE TRANSIÇÃO, cuja tarefa consiste numa mobilização sistemática das massas em direção à revolução proletária.

Escala móvel de salários e escala móvel das horas de trabalho

Nas condições do capitalismo em decomposição, as massas continuam a viver a vida morna de oprimidos que, hoje mais do que nunca, estão ameaçados de serem lançados no abismo da miséria. Elas são obrigadas a defender seu pedaço de pão, mesmo se não podem aumentá-lo ou melhorá-lo. Não há possibilidade nem necessidade de enumerar aqui as diversas reivindicações parciais que surgem, a cada momento, de circunstâncias concretas, nacionais, locais, profissionais. Mas dois males econômicos fundamentais, nos quais se resume o absurdo crescente do sistema capitalista - o desemprego e a carestia da vida -, exigem palavras de ordem e métodos de luta generalizados.
A IV Internacional declara uma guerra implacável à política dos capitalistas que é, em grande parte, a de seus agentes, os reformistas, tendendo a fazer recair sobre os trabalhadores todo o peso do militarismo, da crise, da desagregação dos sistemas monetários e de todos os outros males da agonia capitalista. Reivindica TRABALHO e uma EXISTÊNCIA DIGNA para todos.
Nem a inflação monetária nem a estabilização podem servir de palavras-de-ordem ao proletariado, pois são duas faces de uma mesma moeda. Contra a carestia da vida, que à medida que a guerra for aproximando-se adquirirá um caráter cada vez mais desenfreado, só se pode lutar com a palavra-de-ordem de ESCALA MÓVEL DE SALÁRIOS. Os contratos coletivos devem assegurar o aumento automático dos salários, correlativamente à elevação dos preços dos artigos de consumo.
O proletariado não pode tolerar, sob pena de degenerar, a transformação de uma parte crescente dos operário em desempregados crônicos, em miseráveis vivendo das migalhas de uma sociedade em decomposição. O direito ao trabalho é o único direito sério que o operário tem numa sociedade fundada sobre a exploração. Entretanto, este direito lhe é tirado a cada instante. Contra o desemprego, tanto estrutural" quanto conjuntural, é tempo de lançar, ao mesmo tempo que a palavra-de-ordem de trabalhos públicos, a de ESCALA MÓVEL DAS HORAS DE TRABALHO. Os sindicatos e as outras organizações de massa devem unir aqueles que têm trabalho àqueles que não o têm através dos mútuos compromissos da solidariedade. O trabalho disponfvel deve ser repartido entre todos os operários existentes, e essa repartição deve determinar a duração da semana de trabalho. O salário médio de cada operário continua o mesmo da antiga semana de trabalho. O salário, com um minimo estritamente assegurado, segue o movimento dos preços. Nenhum outro programa pode ser aceito para o atual perfodo de catástrofes.
Os proprietários e seus advogados demonstrarão a ~impossibilidade de realizar" estas reivindicações. Os pequenos capitalistas, sobretudo aqueles que caminham para a ruína, invocarão, além do mais, seus livros de contabilidade. Os operários rejeitarão categoricamente esses argumentos e essas referências. Não se trata do choque normal" de interesses materiais opostos. Trata-se de preservar o proletariado da decadência, da desmoralização e da rufna. Trata-se da vida e da morte da única classe criadora e progressista, e, por isso mesmo, do futuro da humanidade. Se o capitalismo é incapaz de satisfazer às reivindicações que surgem infalivelmente dos males que ele mesmo engendrou, que morra! A possibilidade" ou impossibilidade" de realizar as reivindicações é, no caso presente, uma questão de relação de forças, que só pode ser resolvida pela luta. Sobre a base desta luta, quaisquer que sejam seus sucessos práticos imediatos, os operários compreenderão melhor toda a necessidade de liquidar a escravidão capitalista.

Os sindicatos na época de transição

Na luta pelas reivindicações parciais e transitórias, os operários têm atualmente mais necessidades do que nunca de organizações de massas, antes de tudo de sindicatos. A poderosa ascensão dos sindicatos na França e nos Estados Unidos é a melhor resposta aos doutrinários esquerdistas que pregavam que os sindicatos estavam fora de moda".
Os bolchevique-leninistas encontram-se nas primeiras fileiras de todas as formas de luta, mesmo naquelas onde se trata somente de interesses materiais ou dos direitos democráticos mais modestos da classe operária. Tomam parte ativa na vida dos sindicatos de massa, preocupando-se em reforçá-los, em aumentar seu espirito de luta. Lutam implacavelmente contra todas as tentativas de submeter os sindicatos ao Estado burguês e de subjugar o proletariado pela "arbitragem obrigatória" e todas as outras formas de intervenção policial não somente fascistas, mas também "democráticas". Somente tendo como base este trabalho é possível lutar com sucesso no interior dos sindicatos contra a burocracia reformista e, em particular, contra a burocracia stalinista. As tentativas sectárias de criar ou manter pequenos sindicatos "revolucionários", como uma segunda edição do partido, significam, de fato, a renúncia à luta pela direção da classe operária. É necessário colocar aqui como um princípio inquebrantável: o auto-isolamento capitulador fora dos sindicatos de massa, equivalente à traição da revolução, é incompatível com a militância na IV Internacional.
Ao mesmo tempo, a IV Internacional rejeita e condena resolutamente todo fetichismo próprio aos sindicalistas:
a) Os sindicatos não têm e não podem ter programa revolucionário acabado, em virtude de suas tarefas, de sua composição e do caráter de seu recrutamento, e por isso eles não podem substituir o Partido. A edificação de partidos revolucionários em cada país, seções da IV Internacional, é a tarefa central da época de transição.
b) Os sindicatos, mesmo os mais poderosos, não congregam mais de 20 a 25% da classe operária que, aliás, são suas camadas mais bem qualificadas e mais bem pagas. A maioria mais oprimida da classe operária só é levada à luta em momentos especiais, os de um excepcional ascenso do movimento operário. Nesses
S momentos, é necessário criar organizações ad-hoc que congreguem toda a massa em luta: os COMITES DE GREVE, os COMITES DE FÁBRICA e, enfim, os SOVIETES.
c) Enquanto organização das camadas superiores do proletariado, os sindicatos, como o testemunha toda a experiência histórica, compreendendo-se a recente experiência dos sindicatos anarco-sindicalistas da Espanha, desenvolvem f poderosas tendências à conciliação com o regime democrático burguês. Nos períodos agudos das lutas de classes, os aparelhos dirigentes dos sindicatos esforçam-se para tornar-se senhores do movimento de massas com o fim de neutralizá-lo. Isto já acontece em simples greves, sobretudo quando há greves de massas com ocupação de fábricas que abalam os princípios da sociedade burguesa. Em tempo de guerra ou de revolução, quando a situação da burguesia se torna particularmente difícil, os dirigentes sindicais tornam-se, de ordinário, ministros burgueses.
É por essas razões que as seções da IV Internacional devem esforçar-se constantemente não só em renovar o aparelho dos sindicatos, propondo audaciosa e resolutamente nos momentos críticos novos líderes prontos à luta no lugar dos funcionários rotineiros e carreiristas, mas inclusive criar, em todos os casos em que for possível, organizações de combate autônomas que respondam melhor às tarefas da luta de massas contra a sociedade burguesa, sem vacilar mesmo, caso seja necessário, em romper abertamente com o aparelho conservador dos sindicatos. Se é criminoso voltar as costas às organizações de massa para se contentar com facções sectárias, não é menos criminoso tolerar passivamente a subordinação do movimento revolucionário das massas ao controle de camarilhas burocráticas declaradamente reacionárias ou conservadoras disfarçadas ("progressistas"). O sindicato não é um fim em si, mas somente um dos meios da marcha para a revolução proletária.

Os comitês de fábrica

O movimento operário da época de transição não tem um caráter regular e igual, mas febril e explosivo. As palavras-de-ordem, assim como as formas de organização, devem estar subordinadas a este caráter do movimento. Fugindo da rotina como da peste, a direção deve estar de ouvido atento à iniciativa das próprias massas.
As greves com ocupação de fábricas, uma das mais recentes manifestações desta iniciativa, escapam aos limites do regime capitalista anormal". Independentemente das reivindicações dos grevistas, a ocupação temporária das empresas golpeia no cerne a propriedade capitalista. Toda greve com ocupação coloca na prática a questão de saber quem é o dono da fábrica: o capitalista ou os operários.
Se a greve com ocupação suscita esta questão episodicamente, o COMITE DE FÁBRICA confere a esta mesma questão uma expressão organizada. Eleito por todos os operários e empregados da empresa, o comitê da fábrica cria de uma só vez um contrapeso à vontade da administração.
À crítica que os reformistas fazem aos patrões de tipo antigo - os que se chamam "patrões pelo direito divino", do gênero Ford -, para favorecer os "bons" exploradores "democráticos", nós opomos a palavra-de-ordem de comitês de fábrica como centros de luta contra uns e outros.
Os burocratas dos sindicatos opor-se-ão, regra geral, à criação de comitês de fábrica, assim como se opõem a todo passo audacioso no caminho da mobilização das massas. Será entretanto, tão mais fácil quebrar sua oposição quanto mais amplo for o movimento. Onde os operários da empresa, nos períodos "calmos", já pertencem ao sindicato (closed shop), o comitê coincidirá, formalmente, com o órgão do sindicato, mas Ihe renovará a composição e ampliará suas funções. Entretanto, o principal significado dos comitês é o de se tornarem estados maiores de combate para as camadas operárias que o sindicato não é, geralmente, capaz de atingir. É, aliás, precisamente dessas camadas mais exploradas que sairão os destacamentos mais devotados à revolução.
Desde que o comitê aparece, estabelece-se de fato uma DUALIDADE DE PODER na fábrica. Por sua própria essência, esta dualidade de poder é transitória, porque encerra em si própria dois regimes inconciliáveis: o regime capitalista e o regime proletário. A importância principal dos comitês de fábrica consiste, precisamente, no fato de abrir senão um período diretamente revolucionário, ao menos um período pré-revolucionário entre o regime burguês e o regime proletário. As ondas de ocupação de fábricas que irromperam em certo número de países demonstram amplamente que a propaganda sobre os comitês de fábrica não é nem prematura nem artificial. Movimento deste gênero são inevitáveis num futuro próximo. É necessário abrir a tempo uma campanha em favor dos comitês de fábrica para não mais ser tomado de surpresa.

 

 

O "segredo comercial" e o controle operário sobre a indústria

O capitalismo liberal, baseado sobre a livre concorrência e a liberdade de comércio, já desapareceu. O capitalismo monopolista, que o substituiu, não somente foi incapaz de controlar a anarquia do mercado, como também, ao contrário, conferiu a esta última um caráter particularmente convulsivo. A necessidade de um controle" sobre a economia, de uma "direção" estatal, de uma planificação" é, atualmente, reconhecida, pelo menos em palavras, por quase todas as correntes do pensamento burguês e pequeno-burguês, do fascismo à social-democracia. Para os fascistas, trata-se, sobretudo, de uma pilhagem planificada" do povo com fins militares. Os sociais-democratas procuram esvaziar o oceano da anarquia com a colher de uma "planificação" burocrática. Os engenheiros e os professores escrevem artigos sobre a tecnocracia". Os governos democráticos chocam-se, nas suas mesquinhas tentativas de regulamentação", à sabotagem intransponível do grande capital.
A verdadeira relação entre exploradores e controladores" democráticos é caracterizada do melhor modo pelo fato de que os senhores "reformadores", tomados de santa emoção, param ao limiar dos trustes com seus segredos" industriais e comerciais. Nesse terreno reina o principio da "não-intervenção". As contas entre o capitalista isolado e a sociedade constituem um segredo do capitalista: a sociedade nada tem que ver com isto. O segredo" comercial é sempre justificado, como na época do capitalismo liberal pelas exigências da concorrência". Os trustes, porém, não guardam segredos entre si. O segredo comercial, na época atual, é um complô constante do capital monopolista contra a sociedade. Os projetos de limitação do absolutismo dos patrões pelo direito divino" permanecerão lamentáveis farsas, enquanto os proprietários privados dos meios sociais de produção puderem esconder aos produtores e aos consumidores as maquinações da exploração, da pilhagem, do engano. A abolição do segredo comercial" é o primeiro passo em direção a um verdadeiro controle da indústria.
Os operários não possuem menos direitos que os capitalistas em conhecer os "segredos" da empresa, do truste, do ramo de indústria, de toda a economia nacional em seu conjunto. Os bancos, a indústria pesada e os transportes centralizados devem ser os primeiros a serem submetidos à observação.
As primeiras tarefas do controle operário consistem em esclarecer quais são as rendas e as despesas da sociedade, a começar pela empresa isolada; em determinar a verdadeira quota do capitalista individual e de todos os exploradores em conjunto na renda nacional; em desmascarar as combinações de bastidores e as trapaças dos bancos e trustes; em revelar, enfim, diante de toda a sociedade, o assustador desperdício de trabalho humano que resulta da anarquia capitalista e da pura caça ao lucro.
Nenhum funcionário do Estado burguês pode levar a bom termo este trabalho, quaisquer que sejam os poderes de que se veja investido. O mundo inteiro observou a impotência do presidente Roosevelt e do presidente do Conselho, Léon Blum, em fase do complô das "60" ou das "200 famílias". Para vencer a resistência dos exploradores é necessário a pressão do proletariado. Os comitês de fábrica, e somente eles, podem assegurar um verdadeiro controle sobre a produção, fazendo apelo enquanto conselheiros e não como tecnocratas - aos especialistas honestos e devotados ao povo: contadores, estatísticos, engenheiros, sábios, etc.
A luta contra o desemprego, em particular, é inconcebível sem uma ampla e ousada organização de GRANDES OBRAS PÚBLICAS. Mas as grandes obras só podem ter uma importância durável e progressista, tanto para a sociedade quanto para os próprios desempregados, se fizerem parte de um plano geral, concebido para certo número de anos. Nos limites de tal plano, os operários reivindicarão a retomado do trabalho, por conta da sociedade, nas empresas privadas, que forem fechadas em conseqüência da crise O controle operário em tais casos ocupará o lugar de uma administração direta dos operários.
A elaboração de um plano econômico, mesmo elementar - do ponto de vista do interesse dos trabalhadores e não dos exploradores - é inconcebível sem controle operário, sem que os operários voltem seus olhos para todas as energias aparentes e veladas da economia capitalista. Os comitês de diversas empresas devem eleger, em oportunas conferências, comitês de trustes, de ramos de indústrias, de regiões econômicas, enfim, de toda a indústria nacional em seu conjunto Assim, o controle operário tornar-se-á a ESCOLA DA ECONOMIA PLANIFICADA. Pelas experiências do controle, o proletariado preparar-se-á para dirigir diretamente a indústria nacionalizada quando tiver chegado a hora.
Aos capitalistas, principalmente os de pequena e média envergadura, que às vezes propõem abrir seus livros de contas diante dos operários - sobretudo para Ihes mostrar a necessidade de diminuir os salários - os operários devem responder que o que Ihes interessa não é a contabilidade de falidos ou semifalidos isolados, mas a contabilidade de todos os exploradores. Os operários não podem nem querem adaptar seu nível de vida aos interesses de capitalistas isolados e vitimas de seu próprio regime. A tarefa consiste em reconstruir todo o sistema de produção e distribuição sobre princípios mais racionais e mais dignos. Se a abolição do segredo comercial é a condição necessária ao controle operário, este controle é o primeiro passo no caminho da direção socialista da economia.

A expropriação de certos grupos capitalistas

O programa socialista da expropriação, isto é, da derrubada política da burguesia e da liquidação de seu domínio econômico, não deve, de nenhuma maneira, impedir-nos, no presente período de transição, de reivindicar, apresentando-se a ocasião, a expropriação de certos ramos da indústria entre os mais importantes para a existência nacional ou de certos grupos da burguesia entre os mais parasitários.
Assim, às lamentações dos senhores democratas sobre a ditadura das "60 famílias" nos EUA, ou das 4200 famílias" na França, opomos a reivindicação de expropriação desses 60 ou 200 feudais capitalistas.
Exatamente da mesma forma reivindicamos a expropriação das companhias monopolistas da indústria da guerra, das estradas-de-ferro, das mais importantes fontes de matérias-primas etc.
A diferença entre essas reivindicações e a vaga palavra-de-ordem reformista de "nacionalização" consiste em que:
1 - rejeitamos a indemnização;
2 - prevenimos as massas contra os charlatães da Frente Popular que, propondo a nacionalização em palavras, continuam de fato agentes do capital;
3 - conclamamos as massas a contar apenas com sua própria força revolucionária;
4 - ligamos o problema da expropriação à questão do poder dos operários e camponeses.
A necessidade de lançar a palavra-de-ordem de expropriação na agitação quotidiana, de maneira fracionada, portanto, e não apenas do ponto de vista propagandístico, isto é, sob sua forma geral, decorre do fato de que os diversos ramos da indústria passam por diversos estágios de desenvolvimento, ocupam várias funções na vida da sociedade e passam por diferentes graus da luta de classes. Apenas o ascenso revolucionário geral do proletariado pode colocar a expropriação geral da burguesia na ordem do dia. O objetivo das reivindicações transitórias é preparar o proletariado a resolver esse problema.

A expropriação dos bancos privados e a estatização do sistema de crédito

O imperialismo significa o domínio do capital financeiro. Ao lado dos consórcios e dos trustes, freqüentemente acima deles, os bancos concentram em suas mãos o comando real da economia. Na sua estrutura, os bancos refletem, sob forma concentrada, toda a estrutura do capitalismo contemporâneo: combinam tendências de monopólio com tendências de anarquia. Organizam milagres de técnica, empresas gigantescas, trustes poderosos; organizam também, a carestia, as crises, o desemprego. impossível dar um só passo sério na luta contra o despotismo dos monopólios e a anarquia capitalista, que se completam um ao outro em sua obra de destruição, se deixamos as alavancas dos comandos dos bancos nas mãos dos bandidos capitalistas.
A fim de realizar um sistema único de investimento e de crédito, segundo um plano racional que corresponda aos interesses do povo inteiro, é necessário fundir todos os bancos numa instituição única. Somente a expropriação dos bancos privados e a concentração de todo o sistema de crédito nas mãos do Estado colocarão à disposição deste os meios reais necessários, quer dizer, materiais e não apenas fictícios e burocráticos, para a planificação econômica.
A expropriação dos bancos não significa de nenhum modo a expropriação dos pequenos depósitos bancários. Pelo contrário: para os pequenos depositantes o BANCO ÚNICO DO ESTADO poderá criar condições mais favoráveis que os bancos privados. Da mesma maneira, apenas o banco do Estado poderá estabelecer para os pequenos agricultores, artesãos e pequenos comerciantes condições de crédito privilegiadas, isto é, baratas. Mais importante, ainda, é, entretanto, o fato de que toda a economia, sobretudo a indústria pesada e os transportes, dirigida por um único estado-maior financeiro, servirá aos vitais interesses dos operários e de todos os outros trabalhadores.
A ESTATIZAÇÃO DOS BANCOS não dará, entretanto, esses resultados favoráveis a não ser que o poder do próprio Estado passe inteiramente das mãos dos exploradores às mãos dos trabalhadores.

Os piquetes de greves, os destacamentos de combate, a milícia operária, o armamento do proletariado.

As greves com ocupação de fábricas são uma advertência muito séria, da parte das massas, endereçada não apenas à burguesia, como também às organizações operárias, inclusive IV Internacional. Em 1919-1920, os operários italianos apoderaram-se, por iniciativa própria, das empresas, assinalando, assim, a seus próprios "chefes", a chegada da revolução social. Os "chefes" não levaram em conta a advertência. O resultado foi a vitória do fascismo.
As greves com ocupação não são ainda a tomada das fábricas à maneira italiana, mas constituem um passo decisivo nesse caminho. A crise atual pode exasperar ao máximo o ritmo da luta de classes e precipitar o desenlace. Não se deve, entretanto, acreditar que uma situação revolucionária apareça de uma só vez. Na realidade, sua aproximação é marcada por toda uma série de convulsões. A onda de greves com ocupação de fábricas é, precisamente, uma delas. A tarefa das seções da IV Internacional é ajudar à vanguarda proletária a compreender o caráter geral e os ritmos de nossa época e de fecundar a tempo a luta das massas por intermédio de palavras-de-ordem cada vez mais resolutas e por medidas organizacionais de combate.
O aguçamento da luta do proletariado provoca a exacerbação dos métodos de contra-ataque por parte do capital. As novas ondas de greve com ocupação de fábricas podem provocar, e provocarão infalivelmente, como reação, enérgicas medidas por parte da burguesia. O trabalho preparatório já esta em curso nos estados-maiores dos trustes. Infelizes as organizações revolucionárias e o proletariado que, de novo, forem pegos de improviso
Em parte alguma a burguesia se contenta em utilizar apenas a polícia e o exército oficiais. Nos Estados Unidos, mesmo nos períodos "calmos", mantêm destacamentos militarizados e bandos armados particulares nas fábricas. É necessário acrescentar a isto, atualmente, os bandos de nazistas americanos. A burguesia francesa, à primeira aproximação do perigo, mobilizou os destacamentos fascistas semilegais e ilegais até no interior do exército oficial. Bastará que os operários ingleses aumentem de novo seu ascenso para que imediatamente os bandos de Mosley dobrem, triplique, decupliquem em número e iniciem uma cruzada sangrenta contra os operários. A burguesia dá-se claramente conta de que, na época atual, a luta de classes tende infalivelmente a se transformar em guerra civil. Os magnatas e os lacaios do capital aprenderam com os exemplos da Itália, da Alemanha, da Áustria, da Espanha e de outros países muito mais do que os chefes oficiais do proletariado.
Os políticos II e da III Internacionais, assim como os burocratas do sindicato, fecham conscientemente os olhos para o exército privado da burguesia; de outro modo não poderiam manter vinte e quatro horas sua aliança com ela. Os reformistas incutem sistematicamente nos operários a idéia de que a sacrossanta democracia está assegurada da melhor maneira quando a burguesia está armada até os dentes e os operários desarmados.
O dever da IV Internacional é acabar, de uma vez por todas, com esta política servil. Os democratas pequeno-burgueses - inclusive os sociais-democratas, os stalinistas e os anarquistas - tão mais fortemente gritam a respeito da luta contra o fascismo quanto mais covardemente capitulam diante dele. Aos bandos do fascismo somente podem opor-se com sucesso destacamentos de operários armados que sintam atrás de si o apoio de dezenas de milhões de trabalhadores. A luta contra o fascismo começa não na redação de um jornal liberal, mas na fábrica e termina na rua. Os pelegos e os guardas particulares nas fábricas são as células fundamentais do exército do fascismo. Os PIQUETES DE GREVE são as células fundamentais do exército do proletariado. É de lá que é necessário partir. Por ocasião de cada greve e de cada manifestação de rua, é necessário propagar a idéia da necessidade da criação de DESTACAMENTOS OPERÁRIOS DE AUTO DEFESA. É necessário inscrever esta palavra-de-ordem no programa da ala revolucionária dos sindicatos. É necessário formar praticamente os destacamentos de auto defesa em todo o lugar onde for possível a começar pela organizações de jovens e conduzi-los ao manejo das armas.
A nova onda do movimento de massas deve servir não somente para aumentar o número de destacamentos, mas ainda para unificá-los por bairros, cidades, regiões. É necessário dar uma expressão organizada ao ódio legítimo dos operários pelos pelegos e bandos de gangsters e de fascistas. É necessário lançar a palavra-de-ordem de MlLfCIA OPERÁRIA como única garantia séria para a inviolabilidade das organizações, reuniões e imprensa operárias.
É somente graças a um trabalho sistemático, constante, infatigável e corajoso na agitação e propaganda, sempre em relação com a experiência das próprias massas, que se podem extirpar de sua consciência as tradições de docilidade e passividade; educar destacamentos de combates heróicos, capazes de dar o exemplo a todos os trabalhadores; infringir uma série de derrotas táticas aos bandos da contra-revolução; aumentar a confiança em si mesmos dos explorados e oprimidos; desacreditar o fascismo aos olhos da pequena burguesia e abrir o caminho da conquista do poder pelo proletariado.
Engels definia o Estado como "destacamentos de pessoas armadas". O ARMAMENTO DO PROLETARIADO é o elemento constituinte indispensável de sua luta emancipadora. Quando o proletariado o quiser, encontrará os caminhos e os meios de armar-se. A direção, também neste domínio, incumbe, naturalmente, às seções da IV Internacional.

A aliança dos operários e camponeses

O operário agricola é, no campo, o irmão de armas e o equivalente do operário da indústria. São duas partes de uma s6 e mesma classe. Seus interesses são inseparáveis. O programa das reivindicações transitórias dos operários industriais é também, com tais ou quais mudanças, o programa do proletariado agricola.
Os camponeses (sitiantes, pequenos proprietários) representam outra classe: é a pequena-burguesia do campo. A pequena-burguesia compõe-se de camadas diversas, desde os semiproletários até os exploradores. É por isso que a tarefa política do proletariado industrial consiste, em fazer penetrar a luta de classes no campo. Somente assim poderá separar seus aliados de seus inimigos.
As particularidades do desenvolvimento nacional de cada pais encontram sua expressão mais aguda na situação dos camponeses e, parcialmente, da pequena-burguesia urbana (artesãos e comerciantes), porque estas classes, por numerosos que sejam aqueles que a compõem, representam, no fundo, sobrevivências de forma pré-capitalistas de produção. As seções da IV Internacional devem, sob a forma mais concreta possível, elaborar programas de reivindicações transitórias, para os camponeses (pequenos proprietários) e a pequena burguesia urbana, correspondentes às condições de cada pais. Os operários de vanguarda devem aprender a dar respostas claras e concretas às questões de seus futuros aliados.
Enquanto o camponês for um pequeno produtor 4independente", terá necessidade de crédito barato, de preços acessíveis para as máquinas agrícolas e adubos, de condições favoráveis de transporte e de uma organização honesta de escoamento dos produtos agrícolas. Entretanto, os bancos, os negociantes e trustes
pilham o camponês de todos os lados. Somente os próprios camponeses podem reprimir esta pilhagem, com a ajuda dos operários. É necessário que entrem em cena os COMITÉS DE PEQUENOS LAVRADORES que, junto com os comitês operários e os comitês de empregados de banco, devem tomar nas mãos o controle das operações de transporte, de crédito e de comércio que interessam à agricultura.
Invocando mentirosamente as exigências "excessivas" dos operários, a grande burguesia transforma, oficialmente, a questão dos preços das mercadorias numa cunha que introduz, em seguida, entre os operário8 e 08 camponeses, como entre os operários e a pequena-burguesia das cidades. O camponês, o artesão e o pequeno comerciante - diferentemente do operário, do empregado e do pequeno funcionário - não podem reivindicar um aumento de salário paralelo ao aumento dos preços. A luta burocrática oficial contra a carestia serve apenas para enganar as massas. Os camponeses, os artesãos e os comerciantes devem, entretanto, enquanto consumidores, imiscuírem-se ativamente, de mãos dadas com os operários, na política de preços. As lamentações dos capitalistas sobre os custos da produção, do transporte e do comércio, os consumidores responderão: mostrem-nos seus livros; nós exigimos o controle sobre a política dos preços". Os órgãos deste controle devem ser os COMITÊS DE VIGILÂNCIA DOS PREÇOS, formados por delegados de fábricas, de sindicatos, de cooperativas, de organizações de camponeses, da "gente miúda" das cidades, de donas de casa etc.
Neste caminho, os operários saberão mostrar aos camponeses que a causa dos preços elevados não reside nos altos salários, mas nos lucros desmedidos dos capitalistas e nos desperdícios da anarquia capitalista.
O programa de NACIONALIZAÇÃO DA TERRA e de COLETIVIZAÇÃO DA AGRICULTURA deve ser elaborado de modo que exclua radicalmente a idéia de expropriação dos pequenos camponeses ou de sua coletivização forçada. O camponês continuará proprietário de seu lote de terra enquanto ele próprio achar necessário e possível. Para reabilitar o programa socialista aos olhos dos camponeses é necessário denunciar, impiedosamente, os métodos stalinistas de coletivização, ditados pelos interesses da burocracia e não pelos interesses dos camponeses ou dos operários.
A expropriação dos expropriadores não significa, também, o confisco forçado da propriedade dos PEQUENOS ARTESÃOS e dos PEQUENOS LOJISTAS. Ao contrário, o controle operário sobre os bancos e os trustes e, com maior razão a nacionalização dessas empresas podem criar para a pequena-burguesia urbana condições de crédito, de compra e venda incomparavelmente mais favoráveis que sob a dominação ilimitada nos monopólios. A dependência em face do capital privado dará lugar à dependência em face do Estado, que dará tanto mal8 atenção a seus pequenos colaboradores e agentes quanto mais firmemente os trabalhadores controlarem tal Estado.
A participação prática dos camponeses explorados no controle dos diversos campos da economia permitirá aos próprios camponeses decidir sobre a questão de se saber se convém ou não passar ao trabalho coletivo da terra, em que prazos e em que escala. Os operários da indústria comprometem-se a darem nesse sentido, toda sua colaboração aos camponeses: por intermédio dos sindicatos, dos comitês de fábrica e, sobretudo, do governo operário e camponês
A aliança que o proletariado propõe, não às "classes médias" em geral, mas às camadas exploradas da cidade e do campo, contra todos os exploradores, incluindo os exploradores "médios", não pode ser fundamentada sobre a coação, mas somente sobre um acordo voluntário, que deve ser consolidado em um "pacto" especial. Este "pacto" é, precisamente, o programa das reivindicações transitórias, livremente aceito pelas duas partes.

A luta contra o imperialismo e contra a guerra

Toda situação mundial e, consequentemente, também a vida política interna dos diversos países encontram-se sob a ameaça da guerra mundial. A catástrofe iminente já angustia as massas mais profundas da humanidade.
A II Intemacional repete sua política de traição de 1914 com tanto maior segurança quanto a Internacional "Comunista" ocupa, atualmente, o papel de primeiro violino do patriotismo. Desde que o perigo da guerra tomou um aspecto concreto, os stalinistas, sobrepujando de longe os pacifistas burgueses e pequeno-burgueses, tomaram-se os campeões da pretensa "defesa nacional" Eles fazem excecão apenas nos países fascistas, quer dizer, naqueles onde não representam nenhum papel. A luta revolucionária contra a guerra recai inteiramente sobre os ombros da IV Internacional.
A política dos boichevique-leninistas sobre esta questão foi formulada nas teses programáticas do Secretariado Internacional, que guardam, ainda hoje, todo seu valor ("A IV INTERNACIONAL E A GUERRA", 1Q de maio de 1934). 0 sucesso do partido revolucionário no próximo período dependerá, antes de tudo, de sua política com respeito à questão da guerra. Uma política correta compreende dois elementos: uma atitude intransigente quanto ao imperialismo e sua guerras e uma aptidão em se apoiar sobre a experiência das próprias massas.
Na questão da guerra, mais do que em qualquer outra, a burguesia e seus agentes enganam o povo com abstrações, fórmulas gerais, frases patéticas: "neutralidade", "segurança coletiva", "armamento para a defesa da paz", "defesa nacional"", "luta contra o fascismo" etc. Todas estas fórmulas se reduzem no final das contas, à questão de que a guerra, quer dizer, a sorte dos povos, deve continuar nas mãos dos imperialistas, de seus governos, de sua diplomacia, de seus estados-maiores, com todas suas intrigas e todos seus complôs contra os povos.
A IV Internacional rejeita com indignação todas as abstrações que representam, para os democratas, o mesmo papel que, para os fascistas, a "honra", o "sangue", á graça". Mas a indignação` não basta. É necessário ajudar as massas por intermédio de critérios, de palavras-de-ordem, de reivindicações transitórias a distinguir entre a realidade concreta e essas abstrações fraudulentas.
"DESARMAMENTO"? Mas todo o problema se resume em saber quem desarmará e quem será desarmado. O único desarrnamento que possa prevenir ou pôr um fim à guerra é o desarmamento da burguesia pelos operários. Mas para desarmar a burguesia, é necessário que os próprios operários estejam arrnados.
"NEUTRALIDADE ? Mas o proletariado não é absolutamente neutro numa guerra entre o Japão e a China ou entre a Alemanha e a URSS. Isto significa a defesa da China e da URSS? Evidentemente, mas não por intermédio dos imperialistas que estrangularam a China e a URSS.
"DEFESA DA PÁTRIA"? Mas por esta abstração a burguesia entende a defesa de seus lucros e de suas pilhagens. Estamos prontos a defender a pátria contra os capitalistas estrangeiros, se antes imobilizarmos nossos próprios capitalistas e os impedirmos de atacar a pátria de outrem; se os operários e camponeses de i nosso país tornam seus verdadeiros senhores; se as riquezas do país passam das mãos de ínfima minoria para as mãos do povo; se o exército, de Instrumento dos exploradores se torna o instrumento dos explorados.
É necessário saber traduzir essas idéias fundamentais em idéias mais particulares e mais concretas, segundo o avanço dos acontecimentos e a orientação do estado de espirito das massas. É necessário, além disso, distinguir rigorosamente entre o pacifismo do diplomata, do professor, do jornalista e o pacifismo do carpinteiro, do operário agrícola ou da lavadeira. No primeiro desse caso, o pacifismo é a cobertura do imperialismo. No segundo, a expressão confusa da desconfiança diante do imperialismo.
Quando o pequeno camponês ou o operário falam de defesa da pátria, falam da defesa de sua casa, de sua família e da família de outrem contra a invasão, contra as bombas, contra os gases asfixiantes. O capitalista e seu jornalista entendem por defesa da pátria a conquista de colônias e mercados, a extensão, pela pilhagem, da-parte "nacional" da renda mundial. O pacifismo e o patriotismo burgueses são mentiras completas. No pacifismo e no patriotismo dos oprimidos há um germe progressista que é necessário saber compreender para dai tirar as conclusões revolucionárias necessárias. É necessário saber dirigir estas duas formas de pacifismo e de patriotismo uma contra a outra.
Partindo dessas considerações, a IV Intemacional apoia toda reivindicação, mesmo parcial que for capaz de conduzir as massas, ainda que insuficientemente, à política ativa, despertar sua critica e reforçar seu controle sobre as maquinações da burguesia.
É deste ponto de vista que nossa seção americana, por exemplo, apoia criticamente a proposta de um referendo sobre a questão de declaração de guerra. Nenhuma reforma democrática pode, bem entendido, impedirá por si mesma, os governos de provocar a guerra quando o queiram. É necessário explicar isso
abertamente. Mas quaisquer que sejam as ilusões das massas em relação ao referendo, esta reivindicação reflete a desconfiança dos operários e camponeses em relação ao governo e ao parlamento da burguesia. Sem apoiar ou ser indulgente com as ilusões, é necessário apoiar, com todas nossas forças a desconfiança progressista dos oprimidos com respeito aos opressores. Quanto mais crescer o movimento pelo referendo mais cedo os pacifistas burgueses dele se separarão, mais profundamente se encontrarão desacreditados os traidores da Internacional "Comunista", mais viva se tomará a desconfiança dos trabalhadores em relação aos imperialistas.
É deste mesmo ponto de vista que é necessário lançar a reivindicação do direito de voto aos 18 anos para os homens e mulheres. Aquele que amanhã será chamado a morrer pela "pátria" deve ter o direito de se fazer ouvir hoje. A luta contra a guerra deve começar, antes de tudo, pela MOBILIZAÇÃO REVOLUCIONÁRIA DA JUVENTUDE.
É preciso esclarecer, sob todos os aspectos, o problema da guerra, levando-se em conta, ao mesmo tempo, o sentido com que se apresenta às massas em dado momento.
A guerra é uma gigantesca empresa comercial, sobretudo para a indústria de guerra. E por isso que as "200 famílias" são as primeiras patriotas e as principais provocadoras da guerra. O controle operário sobre a indústria da guerra é o primeiro passo na luta contra os fabricantes de guerras
A palavra-de-ordem dos reformistas - imposto sobre os benefícios da guerra, nós opomos as palavras-de-ordem: CONFISCO DOS BENEFICIOS DE GUERRA E EXPROPRIAÇÃO DAS EMPRESAS QUE TRABALHAM PARA A GUERRA. No pais em que a indústria de guerra está "nacionalizada", como na França, a palavra-de-ordem de controle operário conserva todo seu valor: o proletariado deve ter tão pouca confiança no Estado burguês quanto no burguês individualmente.
Nenhum homem, nenhum centavo para o governo burguêsl
Nenhum programa de armamentos, mas um programa de trabalhos de utilidade pública!
Independência completa das organizações operárias com respeito ao controle militar e policial!
É necessário arrancar, de uma vez por todas, a livre disposição do destino dos povos das mãos das corjas imperialistas, ávidas e impiedosas, que agem por detrás das costas dos povos.
De acordo com isso reivindicamos:
- abolição completa da diplomacia secreta, todos os tratados e acordos devem ser acessíveis a cada operário e a cada camponês;
- instrução militar e armamento dos operários e camponeses sob o controle imediato dos comitês de operários e camponeses;
- criação de escolas militares para a formação de oficiais vindos das fileiras dos trabalhadores, escolhidos pelas organizações operárias;
- substituição do exército permanente, isto é, de quartel, por uma milícia popular em união indissolúvel com as fábricas, minas, fazendas etc.
A guerra imperialista é a continuação e a exacerbação da política de pilhagem da burguesia; a luta do proletariado contra a guerra é a continuação e aprofundamento de sua luta de classe. O advento da guerra muda a situação e, parcialmente, os processos de luta entre as classes, mas não muda nem seus fins, nem sua direção fundamental.
A burguesia imperialista domina o mundo. É por isso que a próxima guerra, no que tem de fundamental, será uma guerra imperialista. O conteúdo decisivo da política do proletariado internacional será, consequentemente, a luta contra o imperialismo e sua guerra. O princípio básico desta luta será: "o inimigo principal está em nosso próprio país" ou "a derrota de nosso próprio governo (imperialista) é o mal menor".
Mas nem todos os países do mundo são países imperialistas. Ao contrário; a maioria dos países são vítimas do imperialismo. Certos países coloniais ou semicoloniais tentarão, indubitavelmente, usar a guerra para se livrar do jugo da escravidão. No que Ihes concerne, a guerra não será imperialista, mas emancipadora. O dever do proletariado internacional será ajudar os países oprimidos em guerra contra seus opressores. Este mesmo dever estende-se também à URSS ou a outro Estado operário que possa surgir antes da guerra ou durante. A derrota de todo governo imperialista na luta contra um Estado operário ou um país colonial é o mal menor.
Os operários de um país imperialista não podem, entretanto, ajudar um país anti-imperialista por intermédio de seu governo, quaisquer que sejam, em dado momento, as relações diplomáticas e militares entre os dois países. Se os govemos estabelecem uma aliança temporária e, no fundo, incerta, o proletariado do país imperialista deve continuar em oposição de classe a seu governo e apoiar o ""aliado" não imperialista deste por seus próprios meios, quer dizer, pelos métodos da luta de classes internacional (agitação em favor do Estado operário e do país colonial, não somente contra seus inimigos, mas também contra seus pérfidos aliados: boicote e greve em certos casos, denúncia ao boicote e à greve em outros etc.).
Ao mesmo tempo que sustenta um país colonial ou a URSS na guerra, o proletariado não deve solidarizar-se no que quer que seja com o govemo burguês do país colonial nem com a burocracia termidoriana da URSS. Ao contrário, deve manter sua completa independência política em relação a ambos. Ajudando uma guerra justa e progressiva, o proletariado revolucionário conquista as simpatias dos trabalhadores das colônias e da URSS e, deste modo, torna mais firme a autoridade e a influência da IV Internacional, podendo colaborar melhor na derrubada do govemo burguês do país colonial, da burocracia reacionária da URSS.
No inicio da guerra, as seções da IV Internacional sentir-se-ão inevitavelmente isoladas: cada guerra pega as massas populares de imprevisto e as leva para o lado do aparelho governamental. Os internacionalistas deverão nadar contra a corrente.
Entretanto, as devastações e os males da nova guerra, que, desde os primeiros meses, ultrapassarão de longe os horrores sangrentos de 1914-1918, farão logo as massas perderem as ilusões. Seu descontentamento e revolta crescerão aos saltos. As seções da IV Internacional encontrar-se-ão à cabeça do fluxo revolucionário. O programa de reivindicações transitórias adquirirá uma candente atualidade. O problema da conquista do poder pelo proletariado far-se-á sentir em toda sua plenitude.
Antes de sufocar ou afundar no sangue da humanidade, o capitalismo envenena a atmosfera mundial com os vapores deletérios do ódio nacional e racial. O anti-semitismo é atualmente uma das convulsões mais malignas da agonia do capitalismo.
A denúncia intransigente dos preconceitos de raça e de todas as formas e nuances da arrogância e do patriotismo nacionais, em particular do anti-semitismo, deve fazer da IV Internacional, como o principal trabalho de educação na luta contra o imperialismo e contra a guerra. Nossa palavra-de-ordem fundamental continua sendo. Proletários de todos os países, uni-vosl"