DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES

O que me distingue de um revolucionário, é que este quer mudar o mundo. eu não quero mudar rigorosamente nada, apenas registar a iniquidade humana.

sábado, 29 de outubro de 2011

estávamos à espera de quê?


Pretendo escrever um post o mais sucinto possível e não me alongar muito...
A questão que se impõe: estávamos à espera do quê? (Por nós, refiro-me à minha geração que já foi considerada rasca, por outros à rasca e que tem hoje 40, 50 anos, pelo 25 de abril andávamos pelos 10, 20 anos,
Paula Rego, "Mulher Cão", Pastel de Óleo, 1994, Tate Gallery.
Nossos pais viveram um país de censura mental e moral, uma ditadura de costumes que até a roupa que se vestia, o bigode, as patilhas, o casamento, eram motivo de censura. um país paroquial, no qual o padre representava e transmitia a opinião central, tantas vezes coadjuvado pelo professor ou pelo médico. um país em que as mulheres vestiam um eterno luto negro e os homens descobriam a cabeça, tirando o boné ou o chapéu aos senhorecos da terra. um país descalço, de fundilhos nas calças e de sorrisos de criança precocemente cariados. Um país em que não se "podia voar alto porque tinha um teto demasiado baixo" ( Mário Cesariny de Vasconcellos). Um país em que os artistas eram emigrantes.
Apresenta-se como "pai fundador da democracia" um homem como Mário Soares, elege como primeiro presidente da república, em eleições livres, o general Ramalho Eanes. Conta no seu plantel de governantes pessoas como Guterres, Sócrates, Balsemão, Durão Barroso, Cavaco Silva, Passos Coelho, Santana Lopes (é bom não esquecer que até o estroina do Santana chegou a 1º ministro deste país... Outros, Armando Vara, Jorge Coelho, Dias Loureiro, Duarte Lima, Maria de Belém Roseiro, Maria de Lurdes Rodrigues, António Vitorino, Fernando Gomes, Cadilhe, Portas e outros ainda piores.
Um país que tem como pitonisas Marcelo Rebelo de Sousa, Vasco Pulido Valente e Pacheco Pereira.
Como novos "velhos do Restelo" Medina Carreira diariamente e aos dias ímpares António Barreto.
Dos autarcas que temos democaticamente eleito, nem vale a pena e ainda temos o Sr. Alberto João, na Madeira.
Um país que do "charme" lastimoso "dos ballet rose" passou à "pimbalhada pedófila", e hedionda, demasiado triste para parecer verdade, da Casa Pia...
E a tudo fomos fechando os olhos, assobiando para o lado. A tudo, calámos, nada dissemos...  
Estávamos à espera do quê? 
Depois de Zeca ter cantado "será o apocalipse ou a torneira a pingar no bidé?".
Nós que inventámos o desenrascanso e a vigarice e espalhámos estas nobres artes por todo o mundo, "globalizando avant-la-lettre".
Tudo consentímos...
Esperávamos o quê?
Uma nova revelação e respetivo milagre em Fátima? O Benfica campeão? Um tachito que nos desenrolasse a vida e uma cunha para enfiar o rapaz ou rapariga, lá de casa, na função pública, num banco, numa boa empresa...
Esperámos feitos nêsperas do Mário-Henrique Leiria* e agora veio uma velha (Angela Merkl, a título meramente simbólico) e, zás, comeu-nos.
Mas, estávamos à espera de quê?
 Jaime Crespo


*RIFÃO QUOTIDIANO

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

Mário-Henrique Leiria


a importância de um encontro

Próximo sábado, 5 de novembro, 15 horas, na Associação 25 de Abril, em Lisboa, encontro aberto promovido pela Comissão pela Proibição dos Despedimentos, para debater a exigência da retirada do acordo troika/passos/sócrates. O momento, como nos demonstram gregos e troianos, não é de ficar na espetativa. A tua participação é importante. Comparece! Eu vou lá estar... 

A colossal questão que hoje se nos coloca, já não é a da manutenção dos postos de trabalho, uma luta sem tréguas contra o desemprego e pelo pleno emprego, a questão que hoje está presente a cada segundo de existência daqueles que trabalham é a luta pela própria vida!
Os historiadores do regime, concordaram entre eles que a evolução social parou nas revoluções burguesas (revolução francesa, independência dos USA, implementação de alguns regimes republicanos, etc.), com elas a emancipação da alta burguesia terratenente, comercial, industrial e financeira. O admirável mundo novo, elevado através da democracia representativa parlamentar, da liberalização dos mercados financeiro e do trabalho. O mesmo é dizer que desregulados estes dois mercados fundamentais para a humanidade, impera a lei do mais forte, mais poderoso, mais rico.
É um retorno ao feudalismo, mas agora já não agrário e senhorial mas especulativo-financeiro, sem laços de sangue mas com exigida reverência à serventia do cifrão...
É uma escravidão sem qualquer espécie de ónus para o patrão.
Estes historiadores, ganham um sorriso "malandreco" escondendo o cinismo do seu pensamento, quando referem que o tempo das revoluções é passado, negando aos trabalhadores, o direito que a burguesia conquistou pela força: o seu direito à emancipação, legal, social, económica e cultural. O direito à verdadeira revolução dos trabalhadores!
É este direito, é a organização desta (r)evolução que transformará para sempre a face da Terra, que tragicamente hoje se nos coloca e foi-nos oferecido precisamente por aqueles que tudo nos querem tirar: o capital económico-financeiro!
Na satisfação da sua cada vez mais voraz gula e não encontrando pela frente resistência firme, tentam ir até ao fundo e de tudo se apoderarem: dos bens materiais e espirituais, até ao teu próprio ser, tudo será deles, caso continues sossegadamente a assistir... 
Hoje, é um direito e um dever que todo e qualquer trabalhador encontre os rumos, os trilhos, os caminhos que o conduzam à (R)Evolução.
Digo (R)evolução, porque como afirmei acima, o que verdadeiramente está hoje em causa, não são os direitos ao trabalho, ao salário, à educação, à saúde, à justiça e ao lazer, tudo isso temos, mais ou menos conforme "o senhor" esteja disposto ou não a conceder, uma vida "às pinguinhas" ou aos bochechos.
Queremos a nossa vida de volta, dispor dela como nos aprouver e não permitir que outros decidam o que fazer de nós.
Este Encontro é apenas um pequeníssimo passo neste sentido...

Jaime Crespo

http://proibicaodosdespedimentos.blogspot.com/ PROIBIÇÃO DOS DESPEDIMENTOS proibicaodosdespedimentos.blogspot.com

domingo, 23 de outubro de 2011

Vasco Lourenço - o PREC da direita



o radialista da Antena 1 será daqueles que pensam que as desgraças (desemprego, precariedade, corte de salários) só acontecem aos outros e fez bem o papel em nome de quem lhe paga a avença, no entanto o mundo dá voltas... Grande Vasco Lourenço, estás perdoado, são homens como este que ainda me fazem acreditar.

blog AVENTAR - best off troikópasso

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

cavacadas

Confesso que não ouvi o discurso de ontem do senhor presidente da república. Falta-me a pachorra para as inverdades que esta gente emite para nos convencer da inevitabilidade da miséria.
Se o anterior, Jorge Sampaio, se distinguia pela verborreia redonda, elitista mas sem significado algum, o atual, Cavaco Silva, até nas palavras é parco e consege em cinco minutos de discurso dizer o que Sampaio demorava duas horas: nada!
Mas se me livrei ao discurso, o mesmo não aconteceu aos comentários sobre o discurso, os quais, confesso corado, também não me fizeram chegar a conclusão alguma.
Se o atual ministro Crato, mais alguns, denunciou o que ele chama de "eduquês", o discurso e práxis das ciências da educação que de há 30 anos para cá, sem dó nem piedade, tem invadido a teoria e prática educativa neste país, sem medir consequências, com frases mal digeridas, sem uma avaliação séria aos sucessivos sistemas que se tem vindo a sobrepor uns aos outros e as escolas públicas, não só por isso mas também, tornadas numa calda caótica; então é bom agora referir que também existe o "economês" que é um discurso só dominado por iniciados em economia, ao qual eles dão uma significação própria às palavras que coloca esse discurso fora do entendimento do cidadão comum.
Em alturas da 1ª guerra mundial, o então presidente, ou seria 1º ministro?, francês, do qual não me recordo o nome, terá nomeado ministro da guerra um civil, o que indignou os militares e a provocação de um jornalista que o questionou sobre tão insólita nomeação. Ao que o sujeito terá respondido: "- Sabe. Isto da guerra é um assunto demasiado sério para ser deixado apenas nas mãos dos militares".
Estou inclinado a dizer o mesmo sobre a atualidade: A crise é um assunto demasiado sério para ser deixado nas mãos dos economistas.
Mas voltemos a Cavaco.
Um comentador comparou-o mesmo a um corredor de maratona, daqueles que passam despercebidos durante toda a prova e de repente, no último quilómetro ou até metros, aparecem a disputar a vitória.
Não sei se o caso é para tanto mas merece dois minutos de atenção.
Se a intervenção de Cavaco tem por objetivo que os anunciados cortes dos 13º e 14º meses aos depauperados funcionários públicos não vão por diante, merece aprovação, não só pelos funcionários mas como forma de não atirar para a falência uma enorme mole de pequenas indústrias, a restauração e o pouco que resta do comércio tradicional e dando enorme machadada no comércio das grandes superfícies, enfim, evitanto o definitivo afundanço da economia nacional. De acordo, julgo que a grande maioria dos portugueses concorda também.
Agora, se o que ele disse visa a que esses cortes atinjam também o setor privado, não posso estar mais em desacordo nem creio que Cavaco queira encarnar essa figura que será até aos fins dos tempos amaldiçoada: o coveiro da economia nacional.
Também não creio que Cavaco encontre um só patrão, um só gestor de empresas, um só conselho de administração que defenda tal aberração.
Por um lado a motivação de qualquer empresário ou comerciante é o lucro, esta medida aparece sob a forma de imposto, ou seja, o patrão iria recolher os dois meses de salário aos seus empregados para o entregar ao fisco, não tendo daqui qualquer lucro, apenas trabalho e chatices. Por outro lado, o setor privado baseia a sua ação junto dos trabalhadores com incentivos que os façam aumentar a produtividade e uma medida destas apenas iria gerar mais indignados, mais gente desmotivada e consequente quebra de produção.
Enfim, os dados estão lançados, mas como assinalou Bacelar de Vasconcelos, qualquer corte salarial não é só inconstitucional é acima de tudo ilegal.
Vamos ver se os coveiros de Portugal tem coragem de instituir a ilegalidade em forma de Lei..
Jaime Crespo

a cada qual a sua crise

Ao que parece, o governo resolveu aplicar, a partir de janeiro próximo, o novo estatuto remuneratório das forças de segurança, PSP e GNR. Na prática, estes homens e mulheres, irão ter um aumento na massa salarial.
Acho bem, todos queremos as nossas forças de segurança motivadas e felizes.
Mas quando o país, e pelo vistos o mundo, vive a pior crise económica de sempre, esta benesse cheira-me a engraxanço, isto é, o governo quer as forças de segurança contentes e motivadas para que no momento necessário, empunhem o cassetete e nos batam com ganas!
Ó coelho! Vê lá se não te enganas e trocas os passos...
Jaime Crespo

terça-feira, 18 de outubro de 2011

na cadeira do barbeiro - banda do casaco

Apelo à participação no encontro de 5 de Novembro



Apelo Final Enc 5 Nov 2011 Ass Simb R2

domingo, 16 de outubro de 2011

o roubo dos salários, uma questão:


Há contudo uma questão que se me coloca e ainda não vi nem ouvi ninguém falar nela: sendo o orçamento em causa um instrumento económico-legal a vigorar em 2012, o subsídio de férias dos trabalhadores, tal como as férias, adquirem-se no final do ano de trabalho, não do ano civil, salvo erro, 2,5 dias de trabalho e de subsídio por cada mês de trabalho, ora, assim sendo, parte deste "imposto" que é o corte do subsídio de férias incidirá sobre tempo de trabalho, todo ou em parte, que a pessoa efetuou realmente em 2011, não pode ser considerado como tal um imposto retroativo e em consequência inconstitucional?
Espero que alguém com conhecimentos jurídicos: juristas que trabalham para os sindicatos, advogados amigos, o dr. Garcia Pereira... tenha a gentileza de me esclarecer.

Obrigado
Jaime Crespo

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Água é de todos! Por um referendo nacionalAssine a petição aqui


Petição Privatização da Água a Referendo

Para:Exmº Srº Presidente da República; Exmº Srº Presidente da Assembleia da República; Exmº Srº Primeiro-Ministro; Grupo Parlamentar do P.S.D; Grupo Parlamentar do P.S; Grupo Parlamentar do C.D.S./P.P; Grupo Parlamentar do P.C.P; Grupo Parlamentar do B.E; Grupo Parlamentar de Os Verdes

A água é parte constituinte do planeta Terra, como qualquer recurso, apresenta valores muito escassos e face a esse facto a sua gestão torna-se premente e indispensável.

Com o exponencial crescimento da população humana e com a tipologia de vida que a Humanidade tem vindo a desenvolver, a pressão sobre a água doce disponível tem vindo a acentuar-se.

O Homem, como todos os seres vivos tem a necessidade deste bem para a sua sobrevivência.
Estes factores obrigam a que a gestão deste bem seja feita com a maior cautela. 
Assine esta petição aqui!

sábado, 8 de outubro de 2011

O PCP da linha de cascais


Aquando das eleições legislativas, antecipadas, de 7 de junho último, muito se falou da queda abruta do Bloco de Esquerda, metade da votação e metade da representação parlamentar, não é brincadeira.
Uns, a minoria, pediu uma convenção extraordinária para debater o assunto, os outros, a maioria, que não, não se justificavam duas convenções tão próximas apenas (!!!) devido aos resultados eleitorais, dos quais o bloco nem seria responsável, pois verificara-se uma viragem do eleitorado à direita e os responsáveis por isso eram Sócrates e o PS.
E contrapuseram a uma nova convenção, um debate democrático e alargado interno e externo (para os independentes).
Uma coisa que nunca percebi no Bloco foi esta adoção de uma nomenclatura (convenção, mesa,…), remetendo o nosso imaginário para a Revolução Francesa, uma revolução burguesa, ou mais requintadamente para a maçonaria ou carbonária. Nestes tempos em que para muitos a utilização das palavras é feita por uma questão de interesse e não de significado, o estudo de um bom dicionário faz muita falta, e da História também.
No entanto, passados todos estes meses, urge perguntar por onde andam esses debates abertos e alargados que ainda ninguém os viu.
Tirando uma secção no jornal on-line Esquerda.net (http://www.esquerda.net/artigos/Debates%202011) chamada de “Debate Aberto”, para onde militantes e não militantes podem enviar as suas opiniões e estas são por lá publicadas, esta iniciativa está a léguas de constituir o proclamado debate amplo, aberto, livre entre todos, porque o que se passa naquela secção é mais como a “travessa do fala só” em que cada qual descarrega a sua opinião e por vezes dissensões pessoais mas debate é coisa que não existe, quando muito há meia dúzia de opiniões que contam com meia dúzia de comentários.
Debate aberto? Ora…
O Bloco de Esquerda implantou-se muito rapidamente, essencialmente em zonas urbanas e entre a juventude que não se revia nos velhos partidos da esquerda pelas suas ideias inovadoras e pela sua forma clara, aberta, simples e verdadeira de fazer política. Quem ouvia um militante ou um dirigente do Bloco falar, sabia que era com aquilo que podia contar e não o seu contrário.
A partir do momento em que o Bloco começou a entrar em jogadas políticas, ter agendas escondidas, dizer uma coisa para fazer outra, não se conseguiu nem impor no mundo do trabalho nem teve a ousadia de criar uma força sindical oposta ao PCP, não encontrou capacidade mobilizadora para protestos de rua indo a reboque da CGTP ou do PCP, não ultrapassou o complexo PCP, como partido dominador e controleiro da esquerda, não se conseguiu afirmar como alternativa democrática e revolucionária ao estalinismo burguês instalado no PCP e na esquerda, antes lhes tomou os vícios, apenas usando umas vestes mais modernas, o Bloco condenou-se a representar apenas os movimentos que lhe deram origem e a estabelecer-se nos agora 8% mas com tendência a descer e a desaparecer. Isto se quiserem continuar a insistir nos debates do fala só.
A esquerda não precisa de uma réplica do PCP mais modernaça, bem vestida e mediática.
Um PCP da linha de Cascais pode ter o seu minuto de fama mas será facilmente descartável.
Um Bloco que apresente novas maneiras de fazer política, uma política ligada e centrada nas pessoas, que tenha a coragem de promover verdadeiros debates, francos, abertos, de olhos nos olhos, esse Bloco pode ter futuro.
Jaime Crespo