DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES

O que me distingue de um revolucionário, é que este quer mudar o mundo. eu não quero mudar rigorosamente nada, apenas registar a iniquidade humana.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Síntese crítica do governo (já) velho:

1 - política do papalvo, são medidas tipo viajar em classe económica que não aquecem nem arrefecem, apenas enganam papalvos, o que me interessava era o que iam fazer à Tap, vão vender, compreendido!
2 - política do bater no Zé Povinho, redução dos subsídios sociais, inclusivamente o subsídio de desemprego e obrigatoriedade dessas pessoas desenvolverem serviço social, tal como alguns condenados em tribunal, ou seja, os muito pobres e os desempregados passam a ser tratados como criminosos, já não lhes chegava... E tudo isto sem a igualdade de tratamento que a Constituição ainda requer. E que tal mandar fazer serviço social aos gestores do BPN e do BPP, aqueles que devem contas astronómicas ao fisco, levam empresas à falência, não pagam aos trabalhadores a tempo e horas, acham que 475€ de ordenado é um entrave ao desenvolvimento económico, mas eles próprios vivem em luxo pornográfico.
3 - Descapitalização total do Estado com a alienação ao desbarato dos poucos bens que ainda restam, TAP, RTP, Seguros da CGD, CTT, águas... É claro, depois disto o Estado que não tem nada para gerir necessita de funcionários para quê?

Nota Final aos Camaradas do Bloco de Esquerda: em nota de imprensa(?) que me chegou através do email, congratulam-se os dirigentes do BE com o facto de que são os únicos que cumprem a Lei da Paridade: oito (8) deputados, quatro (4) mulheres e quatro (4) homens... Para mim tanto se me dá e estou farto desta política corretinha e bem compostinha. Por mim até podem ser oito (8) gays ou oito (8) lésbicas Para as partes sexuais dos deputados estou-me a cagar e tanto se me dá se são providos de pénis ou de vagina ou esterilizados. Aquilo é um Parlamento não é um programa de acasalamento ou um concurso de Tango. O que eu quero é que estes oito(8) mânfios vão para lá fazer cumprir o que apresentaram ao povo e que eu pessoalmente referendei através do voto: oposição implacável à política troikada da troika. O resto são cantigas...
Sexos, há muitos, meus palermas.

domingo, 26 de junho de 2011

o cerne da entrevista de Miguel Portas ao "i"


para lá da tinta que já fez correr a opinião de Miguel Portas de que a renovação do Bloco de Esquerda só é possível com o afastamento de cargos diretivos dos dirigentes fundadores e que a diração do Bloco deve ser entregue a jovens com menos de 30 anos... enfim, tem a importância que tem, pela minha parte concordo com a primeira premissa apenas por uma questão de desgaste a que esses dirigentes terão sofrido, quanto à segunda, não considero relevante a questão da idade, nem é por se ser jovem que se tem ideias novas, uma pessoa de setenta anos pode estar perfeitamente lúcida enquanto um jovem de vinte e cinco anos completamente alienado.
Mas a entrevista traz uma importante interpretação do momento político atual e sobretudo do que aconteceu no ato eleitoral.
À questão: "Mas há certamente um problema de erros políticos. As sondagens diziam que mais de 30% dos eleitores não concordavam com o memorando da troika, mas, o PCP e o BE tiveram menos de 13%"
Miguel Portas responde, colocando o dedo onde a ferida está aberta e dói mais, respondendo assim: "Existem dois problemas. Existia uma proposta de alternativa à troika, essa proposta era que a renegociação da dívida fosse feita em versão europeia ou nacional, mas não existia uma alternativa política. Uma alternativa económica sem alternativa política é coxa para uma situação em que grande parte da população se vê confrontada com a ideia de bancarrota ou a possibilidade de não haver salários em Junho. O problema não esteve na proposta, nem na campanha, mas o facto de nem o Bloco nem o PC estarem em condições de responder à pergunta que as pessoas faziam: para que servem os votos em vocês se vocês não vão para o governo? A necessidade de um processo mobilizador política e socialmenteque se pode consubstanciar na ideia de governar à esquerda é algo bastante mais do que Bloco e PCP. Exige um terceiro pilar de socialistas, independentes de movimentos sociais e académicos e estamos ainda loge disso. Paradoxalmente, esta era de credores em que estamos cria condições para um caminho deste tipo."
Paradoxalmente, a troika tem a solução política no âmbito da sociedade capitalista. A alternativa política tem que estar na sociedade socialista, ter medo das palavras ou inteligentemente fugir à questão e não ir até ao fundo, é um problema político dos dirigentes da esquerda com o qual os trabalhadores se confrontam.
Ou achamos, como os seus tributários, que o capitalismo é o melhor dos sistemas e tratamos de encontrar respostas às crises que sempre caem sobre a pele dos trabalhadores, ou em alternativa, vamos até ao fundo da questão, a necessidade de construir o socialismo e isso passa pela recusa e pela rutura total com esta União Europeia e com todas as suas medidas limitadoras à ação dos governos nacionais e restritoras dos direitos laborais.
É difícil, é complicado? É! mas quem disse que a revolução era um caminho simples e fácil? 

sábado, 25 de junho de 2011

Sobre a ideia de criar mais um partido de esquerda


Um novo partido de esquerda? É despiciendo, redundante, escusado, enfim, inútil...



O Ministro da Saúde


A escolha do Dr. Paulo Macedo para ministro da saúde parece acertada, sendo ele religioso confesso, acredita em milagres, especialmente no da salvação. Não se cura, morre, salva-se!
Depois era conhecido nas Finanças por levar os seus colaboradores mais próximos e outros, a assistirem a Missas e exibições especiais do filme "Brave Heart".
Assim, falta o médico, chama o padre, falta o padre, chama o funcionário da funerária, falta a funerária, chama o coveiro...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Crise



Falemos pois da Crise, esse diabo horripilante que diariamente nos acenam. A crise de facto não existe, é o fantasma de que o capital financeiro internacional se serve para nos amedrontar e assim nos levar pela certa aonde quer. Esta Crise tinha de início um objetivo: dotar os governos nacionais de um alibi para executar o programa de privatizações das empresas que interessam a esse capital financeiro controlar. De bónus, esta situação ainda lhes dá a redução dos direitos laborais a nada.
Olhe-se para a situação da Grécia e compreender-se-á tudo isto muito claramente.
Os governos e parlamentos nacionais, eleitos pelo povo, estão de mãos atadas e apenas cumprem as ordens emanadas pelos capitalistas, a partir do momento em que perderam o controlo das principais e estruturantes atividades económicas: financeira (bancos e seguradoras, energias, etc), e assim ficaram os estados nacionais descapitalizados e nas mãos dos novos agiotas.
Vão difundindo o slogan de que o que é privado é que é bom, e assim privatizam o que falta: os transportes, a educação, a saúde, a justiça, a água... um dia qualquer acordas e o ar que respiras está privativado e um funcionário qualquer a aparelhar-te o nariz para medir o consumo de oxigénio e o ânus para medirem o nível de gases poluentes que libertas...
Oiça-se atentamente a entrevista de Rui Machete, ontem à Antena 1 e compreende-se o papel reservado aos partidos de esquerda, no caso português o PCP, deve levar as pessoas à rua mas controlá-las para que se manifestem ordeiramente sem as arruaças que se vêm noutras paragens.
Assim, numa penada, o capital financeiro ganha duas batalhas: a privatização das empresas que lhes interessam e reduzir os direitos laborais a pó.
No dia em que consigam almejar estes dois objetivos a crise acaba e tudo voltará à normalidade, exceto a vida de quem trabalha.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A discussão que anima o Bloco, um modesto contributo



Como é normal, no seguimento de um ato eleitoral, os militantes ou simpatizantes de cada uma das organizações que foram a sufrágio discutem os resultados obtidos pela sua organização. Sei que nalgumas bandas esse costume salutar não existe mas esse é um problema dessas organizações, dos seus militantes e simpatizantes, talvez por estarem peados na liberdade de discutirem a organização de que são filiados ou meros apoiantes, resolveram, e são bem-vindos, também eles participar na discussão em que o Bloco, felizmente, está enredado.
Simplificando a situação, e aqui o importante são as ideias não as pessoas, apenas personificarei os campos para uma melhor compreensão do texto e da situação que ele pretende retratar, temos por um lado Francisco Louçã (com a Mesa e a Direção Política do Bloco) a defenderem uma linha de continuidade ao trabalho que o Bloco tem desenvolvido e apelando a um debate interno "franco e aberto", sem colocar em causa a Direção Política que liderou o Bloco até às eleições e continua a liderar para lá delas. No outro lado, está Daniel Oliveira, cito-o apenas porque é a cara mais conhecida deste lado, e muitos aderentes do Bloco que defendem a demissão da Direção Política e a convocação de uma Convenção extraordinária para debater não só a responsabilidade da Direção Política na queda eleitoral abrupta, mas a linha política futura do Bloco, ou se preferirem, a sua recentragem política.
Seria cómodo para mim posicionar-me equidistante de ambas as correntes e como Pilatos lavar as minhas mãos. Não alinhando por nenhuma das correntes, não sou neutro e estou de acordo com uns em alguns pontos e com outros noutros pontos.
Resultados eleitorais: cada ato eleitoral é diferente entre si pois cada um é condicionado pelas circunstâncias políticas, sociais e económicas do momento em que é disputado. A condição mais marcante neste ato agora findo, a meu ver, mais que o desemprego, a perda de direitos, a crise... Foi o ódio visceral que os portugueses desenvolveram em relação a José Sócrates. Um ódio que ultrapassou a dimensão política para se estender até à esfera pessoal. Infelizmente os portugueses são mais votados a votar contra o que não gostam que a sufragar as coisas de que gostam realmente. Assim, este ódio a Sócrates refletiu-se nas urnas como uma forte votação no PSD e bastante mais moderada no CDS, por serem, à vista aqueles que mais garantias davam ao eleitorado de um afastamento total e permanente de Sócrates da vida dos portugueses. A ver vamos.
Assim, perante este contexto e contrariamente ao que seria de esperar, os partidos, PCP e Bloco, que se opuseram à intervenção estrangeira, prefigurada na troica, não tiraram dividendos dessa sua posição, nem capitalizaram os seus esforços na defesa dos direitos dos trabalhadores, em votos expressos.
Se o PCP resistiu, elegendo mais um deputado em Faro, distrito que ganhou um deputado, salvo erro a Coimbra, já o Bloco sofreu uma queda brutal, caindo para metade daquilo que obtivera em 2009.
A tendência de muitos comentários tem sido no sentido de comparar os resultados destes dois partidos. Isso não pode nem deve ser feito. Enquanto o PCP é uma organização política histórica, há muito enraizada na sociedade portuguesa e que atingiu ao equilíbrio da sua base de apoio, quero dizer com isto que de eleição para eleição os seus resultados variam pouco, sustentam-se numa base de apoio fixa, mas também revela falta de capacidade em alargar essa base.
Já o Bloco, surgiu há relativamente poucos anos na vida política do país, é ainda um fenómeno novo, ainda que, bem o sei, herdeiro de organizações pré existentes. Assim, isto leva-me a crer que só nestas eleições o Bloco se encontrou com a sua base de apoio fiel. Se ainda tem argumentos para voltar a alargar essa base ou se pelo contrário vai estagnar ou até mesmo perecer, não seria caso único, relembro o PRD, apesar das circunstâncias políticas da sua formação e desenvolvimento serem substancialmente diferentes daquelas que levaram ao aparecimento do Bloco, o seu exemplo demonstra contudo que o desaparecimento de uma organização política que chega a obter grande representação e a aparentar pujança ideológica pode acontecer, mas a resposta a estas questões só o futuro no-las pode vir a dar.
A questão: centremos pois de novo a questão que aqui me traz. No meu entendimento, aqui discordo de Fernando Rosas, quando este afirma que o que Daniel Oliveira propõe é uma Convenção extraordinária com resultado anunciado, a demissão da Direção Política e da Mesa, eu não entendo assim.
Em política não me interessam as pessoas que dirigem determinado movimento político, mas o que esse movimento representa politicamente e qual a ideologia que se propõe defender e aplicar à sociedade. Julgo não estar enganado ao dizer que aquilo que nos faz todos os dias andar, no Bloco de Esquerda, é o trilhar do caminho do Socialismo, um Socialismo em Liberdade e Democracia, por oposição ao Capitalismo e ao Socialismo Totalitário que outros defendem.
No entanto para executar as ideias políticas são necessárias pessoas e a questão que se coloca é se os atuais dirigentes políticos do Bloco são de entre nós os mais capacitados para levar a cabo esse trabalho, não esquecer, o caminho do Socialismo.
Não colocando as pessoas em causa nem duvidando do seu trabalho, em nome do debate franco e aberto que parece todos quererem, seria de bom-tom que a direção política colocasse os seus lugares à disposição e convocasse a tal convenção extraordinária.
Poucas dúvidas tenho que do debate a haver a direção saída da convenção extraordinária seria muito parecida com a atual. Perguntarão, então para quê gastar tempo e energias numa convenção extraordinária se tu mesmo reconheces que a direção saída dessa convenção seria igual à atual? Uma questão de legitimidade democrática! Não é normal em democracia, ainda que capitalista, uma organização política perder metade do seu anterior eleitorado e os seus dirigentes continuarem a considerar-se legitimados pelo passado.
Finalizando, penso mesmo que a atual direção política do Bloco é quem mais tem a ganhar tomando a posição atrás descrita, demissão e convenção extraordinária, perdendo esse debate abre as portas para que os seus críticos tomem as rédeas do Bloco e demonstrem que sabem fazer melhor, ganhando encontra uma nova legitimidade e força junto dos aderentes que retirará credibilidade às críticas mais acintosas durante muito tempo.
Jaime Crespo