DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES

O que me distingue de um revolucionário, é que este quer mudar o mundo. eu não quero mudar rigorosamente nada, apenas registar a iniquidade humana.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O eufemismo do voto útil


Não conheço nada de mais inútil que o chamado "voto útil".

De fato votar "útil" é empenhar aquilo que mais prezamos no âmago da nossa consciência: as nossas convicções e a nossa liberdade em defendê-las.

Quem se deixa ir na dança do voto útil, deixa-se cair na acefalia política.

Quando espíritos bem-intencionados na aparência, apelam a uma campanha sem crispações, estão de fato a querer ou a querer que outros por eles, fujam ao debate político das ideias.

E é este mundo encantado, limpo, acético, é com este paraíso na terra que eles nos pretendem adormecer, como se num repente tivessem agora reinventado a pólvora, ou melhor, a cidade do sol, o mundo perfeito.

Um mundo perfeito não tem crispações. Não necessita de debate nem de clivagens políticas. Oferecem-nos este admirável mundo novo de bandeja, para que queremos nós o retorno das ideologias políticas.



Este mundo que ora nos oferecem, é uma bonita e apetitosa maçã, mas tal como a da história, está envenenada e adormece-nos.

"xiu minino, não falá política".

Todos os mundos perfeitos têm, no entanto, um pequeno defeito, não conseguem abafar a ânsia de liberdade.

Jaime Crespo

No país dos alienígenas


Passei a última semana a acompanhar a campanha eleitoral, quer nos espaços informativos, quer no espaço reservado aos partidos concorrentes para exporem as suas propostas.

No primeiro caso praticamente só aparecem os ditos "partidos com assento parlamentar", o que só por si é um paradoxo já que a assembleia foi dissolvida e consequentemente todos ficaram sem assentos, mas adiante, tanto aí como no espaço da campanha eleitoral, vê-se e ouve-se de tudo um pouco exceto propostas para o país.

Com a "desideoligização" da política levada a cabo pelos controladores da opinião porque convém aos detentores do poder, massificar as ideias é o último reduto a conquistar… Os partidos políticos deixam de se identificar por particularidades ideológicas e tornam-se indistintos, o que faz a que apareçam figuras mediáticas e simpáticas ao público e acabam por ser a única diferença entre eles. Daí, encontrar-se muita gente a confessar perante as câmaras, estarem indecisos entre votar no Bloco de Esquerda ou no CDS/PP.

Assim, nesta sopa ideologicamente acética, o que os eleitores procuram, é a figura de um D. Sebastião retardado, um homem providencial, e procura nos líderes dos partidos essa figura sobre-humana.

Perante o desfile de promessas banalizadas, educação e saúde de qualidade para todos, melhoria das condições de vida, etc, etc, o povo votante confunde-se e confunde o valor do voto.



Num momento em que o país já está bem para lá do abismo e sem condições de sair dele, pois o tecido produtivo é incipiente e não se vislumbram grandes hipóteses de saída, apenas um pequeno partido, ainda marcado por uma ideologia forte, o POUS, propões alternativas para o plano que a Troika prescreveu para ser posto em prática desde já. E propõem uma rutura total com a U.E. e o determinismo económico do capital financeiro. As hipóteses de viabilidade desta proposta não são no entanto aprofundadas. Já viram algum cão largar calmamente o osso que tem na boca?

Quanto ao resto uma imensidão de ideias vazias. O Bloco de Esquerda e o PCP também se dizem contrários ao acordo estabelecido com a troika, mas apenas oferecem em alternativa a renegociação da dívida, não põem em causa as causas da dívida.

Por outro lado, ninguém explica aos interessados, que somos todos nós, as medidas reais que o acordo implica. Assim, ao olharmos para esta realidade que os nossos políticos nos servem, só podemos chegar à conclusão de que vivemos entre alienígenas. Ao pé dos discursos, falinhas mansas, abraços, apertos de mão, beijinhos, o folclore das arruadas, tudo parece de outro planeta.

Perante este cenário, Philip K. Dick ou Úrsula Le Guin, entre outros, não passam de escritores de histórias infantis.

Quando em Setembro, após mal acabadas as férias, formos confrontados com mais impostos, menos salário, provavelmente o desemprego que espreita por nós.
No momento em que verificarmos que o nosso dinheiro já não dá para pagar a prestação da casa, do carro...  mal dá para o bife e a imperial... como dizia o meu avô "então é que a porca torce o rabo".
Aí vamos ver onde chega a calma e serenidade, famosas qualidades, deste povo à beira mar plantado.
E vamos verificar se os senhores agora simpáticos e alegres país fora, tem tomates para nos encarar apenas com a verdade.

 

Jaime Crespo

quinta-feira, 26 de maio de 2011

No you can’t !

Obama says : « No you can’t ! »


Bloco de Esquerda - candidatura por Portalegre




O Bloco defende um modelo de sociedade sem exploração ecom justiça social. Isto significa que tem de existir um verdadeiro combate àcorrupção, uma política fiscal séria, leis laborais equilibradas, e não podemospermitir que o sistema público alimente o privado e depois seja vítima dele. Asprioridades assentam na criação de emprego, pois, só deste modo, podemoscombater os flagelos sociais, dinamizar a economia e dignificar o trabalho.




O Bloco apresenta-se com uma candidatura distrital para defender alternativas diferentes às do centrão. Temos propostas para o país e para o distrito. Queremos mostrar a todas e a todas que é preciso mudar de rumo para mudar de futuro!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

anedota

A reforma está nos 65 anos...
Irá para os 67 anos...
Porque não para os 69?
Se temos que ser fodidos, ao menos escolhíamos a posição!!!

terça-feira, 10 de maio de 2011

1º de Maio em Setúbal

No dia 9 de Maio de 2011 02:05, Terra Livre <terralivre.setubal@gmail.com> escreveu:
Aqui está o vídeo que durante a última semana foi recolhido e editado. Utilizaram-se as caixas de texto para cobrir as caras, visto que estas durante a manifestação estavam descobertas e porque sabemos como funciona o aparelho repressivo.
Não disparámos armas de fogo, não fomos em formação “bloco-negro”, não causamos distúrbios, não partimos vidros, não destruímos carros… nem nenhum dos outros delírios. Houve sim fogos de artifício e frases pintadas pelo caminho.
No final do vídeo é óbvio, pela posição da câmara, que a polícia adoptou uma postura ofensiva para acabar violentamente com uma manifestação que já tinha acabado. É criada uma ratoeira para a qual somos atraídos e a partir daqui a polícia agrediu todos os que encontrou pela frente.
Ao serem posicionados agentes da polícia numa parte do Largo e depois de ser feita a comunicação, no momento em que chega a carrinha da BIR pode então começar o ataque planeado contra os que permaneciam por ali. Durante a parte em que a câmara corre na direcção da carrinha da BIR já decorria a agressão por parte da polícia (que se pode ver entre dois carros a espancar manifestantes que estão no chão) e ouvem-se os primeiros disparos para afastar os manifestantes que só nesta altura se insurgem contra a atitude policial, não a sua presença!
Faltam-nos imagens desse ângulo e convidamos aqueles que eventualmente as terão a contribuir para o arquivo que se criou para cobrir as consequências desta manifestação.
O que se segue é muito incompleto, as repetidas cargas, os disparos, os abusos, as humilhações, os espancamentos e as caçadas da polícia que levaram muitos dos manifestantes a corridas contínuas até ao outro lado da cidade não estão filmadas.
Mais informações e contacto em:
www.terralivre.net
terralivre.setubal@gmail.com
links: http://terralivre.eu/blog/?p=98
http://www.youtube.com/watch?v=ngMyjZVOG4U  

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Repressão policial contra o Primeiro de Maio anti-autoritário e anticapitalista em Setúbal




 

 
O "Primeiro de Maio anti-autoritário e anticapitalista", em Setúbal, foi convocado com um apelo à recuperação da tradição combativa e anti-autoritária do "dia do trabalhador". Desta forma, procurou ser "uma mobilização não controlada por nenhuma força partidária, por nenhuma central sindical ou qualquer força de repressão e controlo do Estado". Em larga medida, este objectivo foi conseguido. Numa altura em que os poderosos disputam ferozmente as migalhas que querem roubar aos que já pouco têm, uma manifestação que apontou outro caminho de luta e resistência teve de ser reprimida pela polícia.

 
A mobilização começou às 13 horas, com uma concentração no Largo da Misericórdia. Aqui, ouviram-se canções de intervenção e leram-se comunicados ao altifalante. Um grupo de companheiros distribuiu ainda uma sopa entre os presentes. Apesar da forte chuva que começou a cair, cerca de 150 pessoas não arredaram pé e iniciaram uma marcha pelas ruas estreitas da zona mais antiga da cidade fazendo ecoar palavras de ordem como "Nem Estado, nem patrão, autogestão!", "Não negociamos a nossa escravidão! A vida é nossa, não é do patrão!" ou "Sabotagem, greve selvagem!". A manifestação seguiu para a Praça do Quebedo, onde se estava a iniciar a manifestação da CGTP. Ao longo da Avenida 5 de Outubro o protesto continuou na cauda do desfile da CGTP, constituindo o sector mais animado e combativo desta marcha e recebendo a aprovação de muitas das pessoas que assistiam. Depois, a manifestação separou-se da CGTP e continuou o seu percurso em direcção a um dos bairros populares de Setúbal. Apesar da divergência em relação às frases gritadas pelos dirigentes da CGTP, que foram apelando à "luta" através do voto durante o percurso, não se verificaram quaisquer incidentes, nem nesta nem nas outras partes do percurso.

 
A manifestação terminou no Largo da Fonte Nova, onde os manifestantes pousaram as suas faixas no chão e se preparavam para descansar e conviver. A partir do sistema de som dum carro estacionado no largo, voltaram-se a ouvir músicas revolucionárias. No entanto, poucos minutos depois da chegada à praça, um grupo de polícias, numa atitude provocatória, insistiu em identificar e deter as pessoas que se encontravam junto ao carro do som. Com isto, iniciou-se o confronto entre a polícia e os manifestantes que tentaram impedir a detenção destes companheiros e defender-se dos ataques. A polícia utilizou gás pimenta contra a cara de alguns manifestantes e começou a disparar balas de borracha contra quem estava no largo. Um agente chegou a disparar tiros reais para o ar.

 
Atónitos, perante a actuação desmedida da polícia contra uma manifestação do Primeiro de Maio, os habitantes do bairro mostraram-se solidários e ajudaram alguns dos feridos. Os manifestantes conseguiram retirar-se do local em conjunto, mas acabaram por ser perseguidos pelas ruas de Setúbal, sendo continuamente alvo de bastonadas e de disparos de balas de borracha. Algumas pessoas foram detidas para identificação, tendo sido espancadas sob custódia policial, e muitas mais ficaram feridas.

 
A polícia conseguiu o seu objectivo, perfeitamente em consonância com os princípios do Estado policial e do capitalismo de austeridade: punir quem quer que se queira manifestar para além do protesto controlado e inofensivo das centrais sindicais oficiais e dos movimentos inofensivos de "cidadãos indignados". Numa altura em que a burguesia portuguesa, com o apoio do FMI e da União Europeia, anuncia, através dos meios de propaganda de massas por si controlados, que a única solução para a "crise" que eles criaram e com a qual continuam a lucrar, será cumprir o seu projecto de sempre – reduções salariais, despedimentos livres, privatização dos serviços essenciais, etc. –, a actuação da PSP em Setúbal é um forte sinal de que a cambada que nos governa e explora, e os seus obedientes mercenários, não está disposta a tolerar manifestações que enunciem qualquer forma de luta efectiva e não-controlada. Em véspera de eleições, querem-nos fazer crer que só podemos mudar algo através do voto, quando há muito sabemos que ao votar só estamos a legitimar um sistema que nos explora e oprime.

 
O Primeiro de Maio é uma data que evoca a luta secular dos explorados e oprimidos de todo o mundo. Por isso lembramos os chamados "Mártires de Chicago" e recordamos também os dois operários assassinados há cem anos, em 13 de Março de 1911, nessa mesma terra de Setúbal, com as balas da Guarda Republicana – António Verruga e Mariana Torres. Em Chicago, em 1886, os trabalhadores lutavam pela jornada de oito horas de trabalho, enfrentando as balas da polícia, e para que as conquistassem muito sangue teve de ser derramado. Em Setúbal, em 1911, os trabalhadores protagonizaram a primeira greve geral depois da queda da monarquia, em solidariedade com a luta das operárias conserveiras, confrontando as forças armadas da República.

 
Hoje, como ontem, temos as armas contra nós e vemo-nos perseguidos pelos cães de guarda do Estado e do Capital. Mas também hoje, como ontem, levamos um mundo novo nos nossos corações, e os golpes que nos desferem só nos fazem acreditar mais na justeza dos ideais e das formas de luta que defendemos.

 

 
Contra a repressão, solidariedade! Contra a exploração, acção directa!

 
Unidos e auto-organizados, nós damos-lhes a crise!

 

 
Associação Internacional dos Trabalhadores – Secção Portuguesa
Núcleo de Lisboa

http://ait-sp.blogspot.com