DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES

O que me distingue de um revolucionário, é que este quer mudar o mundo. eu não quero mudar rigorosamente nada, apenas registar a iniquidade humana.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A chave – curta-metragem de Marco Laureano


Dissertação, breve, sobre cinema, tendo à mão "A Chave"

Há três géneros cinematográficos que não gosto!
A saber:
  1. Gangster's e mafiosos. Não gosto destes filmes porque me perco ao fim de meia dúzia de minutos. São tantos tiros, tantas mortes que a cenas tantas já não sei quem é pelo Al Capone ou quem dispara em favor de Meyer Lansky. Muito menos pela polícia, porque estes são por todos.
    Mais uma coisa que me aborrece, é que nesses tempos gloriosos dos filmes série B, os gangster's não passavam de testas de ferro a dar cobertura aos negócios de polícias, procuradores, juízes, políticos, gentes das finanças.
    Hoje é precisamente o contrário.

     
  2. Os western's tipo John Wayne de lencinho ao pescoço, armado em mariconço, atirando a torto e a direito contra os peles vermelhas, umas gentes cabeludas, com penas de peru ou pavão nas cabeças, parecidos com grupos de junkies dirigindo-se a wodstock mas sendo massacrados pelo tea party direitista republicano intolerante.
    Aqui, o final é de previsibilidade absoluta, os tipos amaricados de lencinho ao pescoço ganham sempre por uma abada e os pobres peles vermelhas nem no cinema tem a sua hipótese de vitória.

  3. Finalmente, o terceiro género de filme que suporto a custo, é o terror. É sangueira (tomatada) a mais. Violência indiscriminada e sempre praticada por pobres patetas atrasados mentais, pretos, estrangeiros em geral, deficientes, resumindo, por alguém portador de algo que o torna diferente do comum e do que é aceite.
    Também aqui o mistério é facilmente resolúvel, o culpado é sempre a ovelha negra que se destaca de dentro do branco rebanho.

    Depois há filmes que nem sim nem não, nem sei porquê.

    Também não descortinando os porquês, há filmes dos quais gosto. Gosto alguma coisa, gosto um pouco mais ou menos ou gosto bastante.
    Mas não sei porquê. Pode ser por tudo ou por nada. Ou o nada que é tudo, do Pessoa, ou do Campos, ou do Caeiro. Que chato era este vários gajos.
    Nesta categoria dos remediados que eu gosto, encontro a curta do Marco Laureano "A Chave".
    Depois de ver o filme, vi o óbvio: todos quando nascemos trazemos dentro de nós uma chave, a chave que nos permite ou não, abrir as portas da existência. E é esse motivo que nos mantém vivos, pois caso contrário, à primeira oportunidade matávamo-nos Isto é, se o sentido da vida fosse apenas a marcha para a morte. Andaríamos todos, o mais depressa possível, a caminho do mar para descobrirmos que não temos guelras nem barbatanas como os peixes, ou em alternativa, atirámo-nos das janelas, dos nossos apartamentos altos de citadinos apenas para descobrirmos que não somos dotados de asas como as aves.
    A melhor maneira de admirar "A Chave" é pegar numa lata de coca-cola, daquela a sério cheia de calorias e açúcar como o caralho, um cachorro daqueles com salsichas enormes e grossas, a vazar mostarda e na outra mão um cartucho de pipocas. Pode-se equilibrar a lata num dos joelhos, and let's go to the trailer.
    "A Chave", ouve-se o grito convicto do realizador "ação!", bem, a convicção é mais uma questão de fé. Mas também, como se sabe, tudo isto, nós, o governo da nação e até, imagine-se o filme, tudo, está dependente da termodinâmica dos fluidos.
    Uma vassoura, o quanto baste à mão, aconselha-se vivamente, não iremos virar Mestre com a sua Marguerita. O que já não desejo nem aos piores inimigos é que se apaixonem pela Lolita, nos dias que correm sujeitavam-se a julgamento por pedofilia.
    Não queria falar de sexo, mas já que a conversa / escrita, me trouxe para aqui, não poderia deixar de usar esta chave e abrir a porta.
    Nunca conheci nenhum realizador, pessoalmente falando, e tenho esta chave por desvendar, isto que por aí se ouve de que os realizadores papam as atrizes, pelo menos as melhores é verdade? A sê-lo, eh pá. Isso é que é cá uma ganda chave. Eu, por mim, contentava-me com as figuras secundárias, mesmo algo feias, grandes e gordas.
    A cada qual a sua psicose, ou com a unha coça a micose.
    Já nos créditos, somos brindados com uma fantástica chave musical para fechar com chave d'ouro.
    Mas entre o grito de ação e a espetacular música final, há uma chave para achar, para desvendar, ou para utilizar.
    Essa é a tal chave que cada ser humano traz em si e tem que descobrir. Não só a chave mas como e onde utilizá-la: no amor, na vida ou na morte, no ramerrame dos dias comuns, numa inesperada e insólita onda de genialidade criativa.
    Que o cinema dê a cada um a sua chave.

Jaime Crespo

A Chave.1.1 - teaser - de Marco Laureano



"A Chave" teaser from chave on Vimeo.

Teaser da curta-metragem "A Chave". Duração: 23 minutos. País: Portugal. Produção: 2010.

Задира для короткого фильма "A Чаве". Полное время: 23 минуты. Страна: Португалия. Выпуск: 2010.

Teaser for the short film "A Chave". Total time: 23 minutes. Country: Portugal. Release: 2010.
Personagens e Actores:
Matilde Aires.....................Cátia Tomé
Irina Tereshkova................Irina Mazeina
Padre................................Alexandre Ferreira
Sr. Machado......................Dinis Evangelista
Vítor Chaves......................Mário Branco
Carla Portas.......................Sandra Gonçalves
Homem.............................Daniel Ferreira
Amiga...............................Lucília Laureano
Realizador.........................Marco A. Laureano
Ass. Realização..................Luís Esteves

Equipa Técnica:
Realização........................ Marco A. Laureano
Ass. Realização..................Luís Esteves
Anotador...........................
Director de Som.................João Santos
Ass. Som............................Daniel Alvares
Director de Fotografia........Teresa Sousa
Operador de Câmara..........Carlos Duarte
Ass. Imagem......................Marco Marques
Adereços............................Margarida Ivo Cruz
Director de Produção.........Marco A. Laureano
Chefe de Produção.............Luís Esteves
Ass. Produção....................Iuri Laureano
Ass. Produção....................Lucília Laureano



Em ambiente suburbano, Marco Laureano desenvolve o seu filme "A Chave", entre dois mundos: o kafkiano e o surreal; mundos que ao cabo e ao resto são a nossa querida realidade. alguém procura uma chave que abra uma porta qualquer. outros, procuram portas, ou fechaduras, aberturas para o beco das suas vidas.
Difícil demanda quando a mor parte das vezes o objecto da nossa busca, ou salvação, se encontra dentro de nós, o que como se sabe, a própria individualidade, é o objecto de mais complicada compreensão.
Convite a que cada um encontre a saída para a sua realização humana, enquanto ser vivente e pensante. Coisa que não é tão fácil como parece, mesmo para os iluminados que de tudo isso, e mais algo, são sabedores. 
23 minutos de puro prazer cinéfilo. A chave, cada qual que tenha a sua.


jaime crespo

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Dirigentes Sindicais e as Providências Cautelares


Tornou-se prática comum aos dirigentes sindicais, a contestação em Tribunal através da interposição da figura de "Providência Cautelar", contestando a inconstitucionalidade da Lei, o manifestar do seu descontentamento perante os cortes salariais e de pensões dos trabalhadores da Função Pública.
Ora, constituindo este recurso uma prática irrepreensível do bom uso da cidadania, deverá contar em todo e qualquer manual, daqueles encomendados a alguém para lhe encher os bolsos de dinheiro e ser distribuído aos alunos das nossas escolas públicas, que em Democracia são os Tribunais que resolvem, segundo as Leis, os conflitos entre as pessoas e entre estas e a entidade patronal ou até o Estado...
Muito lindo!
No entanto, no caso de perca de direitos salariais e laborais, além do civismo entramos num outro campo: a luta de classes, para muitos morta e enterrada, o que eles queriam!
Não pondo de modo algum este recurso Legal aos Tribunais para defender os direitos salariais e laborais dos trabalhadores, não posso deixar de notar que o mesmo procedimento encerra em si algo de muito perverso: deslocar o cerne do problema do local em que ele realmente existe: os locais de trabalho; para centrá-lo nos Tribunais.
Aqui já se vê o rabo do gato.
O que acontece a seguir?
De certa forma os trabalhadores acalmam a sua fúria e ficam calmamente na expectativa por uma decisão judicial que DEMORARÁ até às calendas gregas e quando for tomada, se o for, e se for no interesse dos trabalhadores, já passou tanto tempo que tornará a decisão ineficaz.
Esta prática isola ainda mais os trabalhadores com as suas dificuldades, corta o debate que deve existir no próprio local de trabalho, cerceia a justa luta dos trabalhadores e o seu direito à indignação e de os demonstrar nos locais de trabalho e na rua.
Este processo transforma a luta de classes num mero jogo de oratória entre advogados que se esforçam por argumentar melhor, até levar o adversário às cordas, perante um coletivo de juízes enfatuados e algo enjoados com o incómodo de ali estar quando poderiam nesse momento estar a jogar golfe ou a comprar a gravata último modelo da Hermes, fabricada na China, em seda quase pura....
E temos o gato totalmente a descoberto: trata-se de mais um maquiavélico processo para parar as massas trabalhadoras, para dividir, para isolar, em suma, para desmoralizar e ceder, uma vez mais, perante o Estado e o patronato.
Como diria o outro: habituem-se!

Podemos dormir descansados

Segundo afirmam dirigentes da CGTP, os mesmos estão muito atentos às propostas em engociação na concertação social, onde como é público e notório, os patrões vêem sempre as suas pretensões aprovadas e os trabalhadores, quando alguma das suas aspirações é aprovada, depois não é cumprida.
Com estas declarações, já posso dormir descansado: a CGTP vela por mim.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Boas Vindas!

Aqui estou:
simples, ingénuo, lutador... tal qual sou.
Página em branco a escrever-me todos os dias.
E esta necessidade imoderada de fazer a Revolução!

jaime crespo