DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES

O que me distingue de um revolucionário, é que este quer mudar o mundo. eu não quero mudar rigorosamente nada, apenas registar a iniquidade humana.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

o ano que vem


Camaradas:

o ano que se avinha, afigura-se bastante duro, quer para quem trabalha, que verá os rendimentos do trabalho substancialmente reduzidos, horários de trabalho substancialmente aumentados, bem como os seus direitos contratuais e laborais gravemente afetados; quer para os desempregados, que verão ser reduzidos os subsídios, bem como o tempo em que o mesmo vigora e com a recessão económica que se adivinha, a hipótese de encontrar um novo trabalho serão mais reduzidas que acertar no euromilhões, pelo contrário, o desemprego aumentará em progressão geométrica. Aliás, na falta de coragem para tomar medidas favoráveis aos trabalhadores, o governo aconselha quem está desempregado a... emigrar.
Já houve alguém, salvo erro, Nuno Morais Sarmento, para justificar a privatização da RTP, que disse que o montante que o estado gasta com a RTP daria para pagar uma viagem de volta ao mundo a cada português. Servirá esse dinheiro, da privatização da RTP para financiar a nossa emigração?


 

Perante a total ignorância da classe trabalhadora, por parte do governo de direita, só nos resta unir-mo-nos e ir à luta. quem luta pode ganhar ou perder, quem fica sossegado perde sempre.
Há que exigir aos dirigentes dos partidos e organizações que se dizem de esquerda que venham para o nosso lado e que nos locais onde (ainda) têm voz, na Assembleia da República, por exemplo, tomem posições intransigentes na defesa dos trabalhadores.
O mesmo apelo dirijo aos dirigentes das organizações de trabalhadores, sindicatos, comissões de trabalhadores, núcleos de empresa, etc. que deixem a sua passividade, que se deixem de colaborar na treta que tem sido a concertação social, chegámos ao fundo, tiraram-nos todos os direitos, nada mais há a negociar, a partir de agora, um só caminho nos pode motivar: exigir os nossos direitos de volta.
Assim, desejo que no novo ano, consigamos unir-nos e travar a luta toda.

jaime crespo

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

a alienação da EDP, vista pelo BE


A posição tomada pelo grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, em relação à venda da EDP, a um grupo chinês, não se compreende, numa perspetiva de Esquerda. Dizem mais ao meno isto "somos contra a venda da EDP como foi feita, a uma empresa que é do estado, pública portanto, e de um país que tem um regime ditatorial".
Camaradas, o que quer isto dizer?
Caso a EDP tivesse sido vendida a uma empresa privada, sediada numa risonha democracia, digamos a Alemanha, já estava tudo bem?
Não. o que está errado não é a quem vão vender, o que está errado é alienar todo o património público, descapitalizar por completo o estado e submeteram-nos à ditadura dos mercados auto-regulados, política que já conduziu à situação atual e com a insistência nela, irá conduzir-nos a todos a ums situação bm pior.
Abram a pestana, camaradas do BE, ou assim não vamos lá.
jaime crespo

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

não ter pejo em servir os servos



segundo a imprensa de hoje, as consultas nos hospitais públicos ficarão apenas 5,00€ mais baratas que nas clínicas privadas. Compreende-se agora que a questão dos aumentos de preços, da austeridade correlacionada, enfim, da dita crise, tem, apesar das medidas aparentarem decisões desconexas, um objetivo claro: a privatização pura e dura dos serviços públicos.
Por outro lado, feita a devida análise às empresas concorrentes à compra da EDP, vulgo, privatização, dos 21,35% que o estado português ainda detém na empresa; verificamos que a melhor oferta vem da estatal chinesa "three gorges", seguindo-se-lhe a também estatal brasileira "Eletrobás", a não estatal mas protegida pelo estado federal alemã e de excelentes relações com o governo da senhora Merckel, "E.On", aparece ainda em boa posição a "Cemig", cujo controlo é detido pelo estado de Minas Gerais.
Podemos concluir daqui, que enquanto o Estado português malbarata os bens públicos, os outros estados reforçam as suas posições de controlo em empresas estratégicas, no caso, não se coibindo de de juntar ao património dos seus estados o que é vendido como refugo pelo estado português.
Descapitalizado o Estado dos seus setores estruturantes e estratégicos, claro que não tem meios para servir aos seus cidadãos os serviços públicos básicos, essenciais e de qualidade: justiça, saúde e educação, que assim vão morrendo de morte lenta.
Depressa retornaremos à segunda metade do século XV, assomos do XVI, e à tentativa de criação de um estado moderno e forte em Portugal, por D. João II, aquele que terá começado por dizer "apenas sou senhor dos caminhos de Portugal", que inteligente, compreendeu que teria que anular os poderes privados, fazendo-o e dizendo então "sou senhor dos senhores, não servo dos servos".
Não necessitamos hoje em dia de recuperar as teorias políticas nem sobretudo as práticas para as alcançar de D. João II. Mas necessitamos de políticos honestos, que defendem os bens que são de todos e sobretudo não se envergonhem de servir os servos.
jaime crespo

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Declaração de princípios de Sos Sao Mamede





“A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, (…) visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.”


(art.º 2.º da Constituição da República Portuguesa)







1. A democracia portuguesa está longe de se esgotar nos mecanismos representativos. O encontro e o acordo dos cidadãos para a regulação da vida colectiva, se reduzidos aos momentos em que se elege e se é eleito, tornar-se-iam uma caricatura da democracia, oca, esvaziada, ritual. A participação cívica, a todos os níveis e em todas as escalas, e em ambiente de liberdade e de estímulo, está para a democracia como o sangue para o corpo, a seiva para a planta.

O mundo global, teatro de tantos e por vezes tão antagónicos interesses, exige territórios vivos. A recessão demográfica que há décadas castiga, entre outras, a zona do nordeste alentejano, não poderá ser combatida senão contando com o empenhamento e o envolvimento das populações em todos os assuntos da vida comunitária, potenciando o desenvolvimento da “massa crítica” de que tanto carecem as regiões deprimidas.

É com estes pressupostos que se dá hoje notícia pública da constituição do grupo cívico SOS São Mamede. Grupo plural centrado na defesa e promoção do equilíbrio social e natural deste território, na conservação da sua biodiversidade, na sustentabilidade das suas práticas económicas, sociais e ambientais, na expansão das suas potencialidades paisagísticas, etnográficas e culturais. Grupo cívico – ferramenta ao serviço dos cidadãos para que melhor possam exercer os seus deveres e os seus direitos, no respeito integral pelas competências próprias das autoridades públicas. Grupo aberto e universal – para concretizar a adesão, singular ou colectiva, a este grupo, são suficientes a expressão dessa vontade e o compromisso de honra (que, a ser quebrado em actividades do Grupo, apenas responsabilizará o indivíduo e nunca o Grupo e constituirá motivo de exclusão deste) de abstenção de qualquer acto contrário à lei da República Portuguesa, independentemente de convicções morais, de filiações políticas ou ideológicas, de nacionalidade ou de local de residência.

O mundo somos nós. Nós fazemos o mundo.



2. Há cerca de dois anos que se vem assistindo à implantação, em terrenos no concelho de Marvão, nas freguesias da Beirã, de Santo António das Areias e de Santa Maria, de muitos quilómetros de vedações de rede fina, suportadas por postes metálicos assentes, em alguns locais, em betão, que chegam a atingir 2,45 m, totalmente aderentes aos solos, e encimadas por duas fiadas de arame farpado. O efeito paisagístico, talvez o mais imediato, é devastador: áreas integradas num Parque Natural surgem retalhadas, esquartejadas, através de cercas agressivas que parecem configurar prisões, sem que se vislumbre a utilidade que tais vedações possam ter, no presente, ou possam vir a ter, no futuro. O SOS São Mamede manifesta, face a esta situação, a sua perplexidade e a sua preocupação: perplexidade, pelo desconhecimento dos interesses económicos que podem explicá-la, e preocupação, pelos impactes negativos que terá na fauna local e na sua livre circulação, obviamente condicionada com a implementação destas estruturas. Valores patrimoniais e etnográficos, como calçadas e trilhos antigos, poderão também estar ameaçados, tal como valores económicos: basta pensar nas actividades ligadas ao turismo.

O Parque Natural da Serra de São Mamede, sítio único na Península Ibérica, integra valores naturais e paisagísticos excepcionais.

O SOS São Mamede espera que as diversas autoridades públicas, aquelas que foram directamente escolhidas pelas populações, e as que foram nomeadas pelos representantes eleitos do povo, neste como noutros casos, honrem a nobreza das suas funções, assegurando aos cidadãos toda a informação disponível, o debate público que for necessário, e a transparência nos negócios exigida pela lei e pela ética.

O SOS São Mamede confia nessas autoridades e, na medida das suas possibilidades e das suas capacidades, assumir-se-á como seu interlocutor tendo em vista os esclarecimentos públicos indispensáveis.




sossaomamede@gmail.com

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Noam Chomsky: Ocupemos o futuro

in: esquerda.net:

Temos a plutocracia e o precariado: o 1% e os 99%, como se vê no movimento Ocupar. Não são cifras literais mas sim, é a imagem exacta. O aspecto mais digno de entusiasmo do movimento Ocupar Wall Street é a construção de vínculos que estão a formar-se em toda a parte.
Noam Chomsky, Boston, 22 de Outubro de 2011 - Foto de Occupy Boston no facebook
Noam Chomsky, Boston, 22 de Outubro de 2011 - Foto de Occupy Boston no facebook
Dar uma conferência Howard Zinn é uma experiência agridoce para mim. Lamento que ele não esteja aqui para tomar parte e revigorar um movimento que foi o sonho da sua vida. Com efeito, ele pôs boa parte dos seus ensinamentos nisso.
Se os laços e associações que se estão a estabelecer nestes acontecimentos notáveis puderem sustentar-se durante o longo e difícil período que os espera – a vitória nunca chega logo -, os protestos do Ocupar Wall Street poderão representar um momento significativo na história norte-americana.
Nunca se tinha visto nada como o movimento Ocupar Wall Street, nem em tamanho nem em carácter. Nem aqui nem em parte alguma do mundo. As vanguardas do movimento estão a tratar de criar comunidades cooperativas que bem poderiam ser a base de organizações permanentes, de que se necessita para superar os obstáculos vindouros e a reacção contra o que já se está a produzir.
Que o movimento Ocupem não tenha precedentes é algo que parece apropriado, pois esta é uma era sem precedentes, não só nestes momentos, mas desde os anos 70.
Os anos 70 foram uma época decisiva para os Estados Unidos. Desde a sua origem este país teve uma sociedade em desenvolvimento, não sempre no melhor sentido, mas com um avanço geral em direcção da industrialização e da riqueza.
Mesmo em períodos mais sombrios, a expectativa era que o progresso teria de continuar. Eu tenho idade suficiente para recordar a Grande Depressão. Em meados dos anos 30, quando a situação objectivamente era muito mais dura que hoje, e o espírito bastante diferente.
Estava-se a organizar um movimento de trabalhadores militantes – com o Congresso de Organizações Industriais (CIO) e outros – e os trabalhadores organizavam greves e operações padrão a ponto de quase tomarem as fábricas e as comandarem por si mesmos.
Devido às pressões populares foi aprovada a legislação do New Deal. A sensação que prevalecia era que sairíamos daqueles tempos difíceis.
Agora há uma sensação de desesperança e às vezes desespero. Isto é algo bastante novo na nossa história. Nos anos 30, os trabalhadores poderiam prever que os empregos iriam voltar. Agora, os trabalhadores da indústria, com um desemprego praticamente ao mesmo nível que durante a Grande Depressão, sabem que, se as políticas actuais persistirem, esses empregos terão desaparecido para sempre.
Essa mudança na perspectiva norte-americana evoluiu a partir dos anos 70. Numa mudança de direcção, vários séculos de industrialização converteram-se numa desindustrialização. Claro, a manufactura continuou, mas no exterior; algo muito lucrativo para as empresas mas nocivo para a força de trabalho.
A economia centrou-se nas finanças. As instituições financeiras expandiram-se enormemente. Acelerou-se o círculo vicioso entre finanças e política. A riqueza passou a concentrar-se cada vez mais no sector financeiro. Os políticos, confrontados com os altos custos das campanhas eleitorais, afundaram-se profundamente nos bolsos de quem os apoia com dinheiro.
E, por sua vez, os políticos os favoreciam, com políticas favoráveis a Wall Street: desregulação, transferências fiscais, relaxamento das regras da administração corporativa, o que intensificou o círculo vicioso. O colapso era inevitável. Em 2008, o governo mais uma vez resgatou as empresas de Wall Street que eram supostamente grande demais para falirem, com dirigentes grandes demais para serem encarcerados.
Agora, para a décima parte do 1% da população que mais beneficiou das políticas recentes ao longo de todos esses anos de ganância e enganos, tudo vai muito bem.
Em 2005, o Citigroup – que certamente foi objecto em ocasiões repetidas de resgates do governo – viu o luxo como uma oportunidade de crescimento. O banco distribuiu um folheto para investidores no qual os convidava a investirem o seu dinheiro em algo chamado de índice de plutonomia, que identificava as acções das companhias que atendessem ao mercado de luxo.
O mundo está dividido em dois blocos: a plutocracia e o resto, resumiu o Citigroup. “Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá são as plutocracias-chave: as economias impulsionadas pelo luxo”.
Quanto aos não ricos, às vezes chamados de precariado: o proletariado que leva uma existência precária na periferia da sociedade. Essa periferia, no entanto, converteu-se numa proporção substancial da população dos Estados Unidos e de outros países.
Assim, temos a plutocracia e o precariado: o 1% e os 99%, como se vê no movimento Ocupar. Não são cifras literais mas sim, é a imagem exacta.
A mudança histórica na confiança popular no futuro é um reflexo de tendências que poderão ser irreversíveis. Os protestos do movimento Ocupem são a primeira reacção popular importante que poderão mudar essa dinâmica.
Eu detive-me nos assuntos internos. Mas há dois acontecimentos perigosos na arena internacional que ofuscam todos os demais.
Pela primeira vez na história há ameaças reais à sobrevivência da espécie humana. Desde 1945 temos armas nucleares e parece um milagre que tenhamos sobrevivido. Mas as políticas do governo Barack Obama estão a fomentar a escalada.
A outra ameaça, claro, é a catástrofe ambiental. Por fim, practicamente todos os países do mundo estão a tomar medidas para fazer algo a respeito disso. Mas os Estados Unidos estão a regredir.
Um sistema de propaganda reconhecido abertamente pela comunidade empresarial declara que a mudança climática é um engano dos sectores liberais. Por que teríamos de dar atenção a esses cientistas?
Se essa intransigência no país mais rico do mundo continuar, não poderemos evitar a catástrofe.
Deve fazer-se algo, de uma maneira disciplinada e sustentável. E logo. Não será fácil avançar. É inevitável que haja dificuldades e fracassos. Mas a menos que o processo que está a ocorrer aqui e noutras partes do país e de todo o mundo continue a crescer e se converta numa força importante da sociedade e da política, as possibilidades de um futuro decente são exíguas.
Não se pode lançar iniciativas significativas sem uma ampla e activa base popular. É necessário sair por todo o país e fazer as pessoas entenderem do que se trata o movimento Ocupar Wall Street, o que cada um pode fazer e que consequências teria não fazer nada.
Organizar uma base assim implica educação e activismo. Educar as pessoas não significa dizer em que acreditar; significa aprender dela e com ela.
Karl Marx disse: a tarefa não é somente entender o mundo, mas transformá-lo. Uma variante que convém ter em conta é que, se queremos com mais força mudar o mundo, vamos entendê-lo. Isso não significa escutar uma palestra ou ler um livro, embora essas coisas às vezes ajudem. Aprende-se a participar. Aprende-se com os demais. Aprende-se com as pessoas com quem se quer organizar. Todos temos de alcançar conhecimentos e experiências para formular e implementar ideias.
O aspecto mais digno de entusiasmo do movimento Ocupar Wall Street é a construção de vínculos que estão a formar-se em toda a parte. Esses laços podem manter-se e expandir-se, e o movimento poderá dedicar-se a campanhas destinadas a porem a sociedade numa trajectória mais humana.
Este artigo é uma adaptação da intervenção de Noam Chomsky no acampamento Occupy Boston, na praça Dewey, em 22 de Outubro. Ele falou numa aatividade de uma série de Conferências em Memória de Howard Zinn, celebrada pela Universidade Livre do Ocupar Boston. Zinn foi historiador, activista e autor de A People’s History of the United States.
Artigo publicado no jornal mexicano La Jornada, tradução de Katarina Peixoto para Carta Maior

sábado, 3 de dezembro de 2011

Juntos, na defesa das nossas Juntas de Freguesia




Ontem e julgo que durante este fim de semana, a Associação de Freguesias, está reunida a discutir a extinção de centenas, senão milhares, de juntas de freguesia e sua inclusão noutras.

O que até aqui corria à boca fechada é agora impossível de esconder e corre já à boca cheia. É a tática e a técnica política tecnocrática e neo-liberal a trabalhar: coloca-se a correr como boato algo que realmente se quer fazer, depois como o povo não reage ou o faz já tarde, o que começou num mero diz que disse, acaba por se fazer lei. Foi assim com o roubo dos salários, encerramento de centros de saúde, portagens nas scut’s, etc.

Pois caros concidadãos, é chegada a hora de agir ejuntos defendermos as nossas juntas de freguesia.
Eu digo juntos porque esta é a única maneira de salvarmos as nossas freguesias à extinção.
Eles vão tentar dividir-nos entre aqueles das freguesias que vão ser já extintas e os das que irão continuar e até parece que terão vantagens ao integrarem alguma ou algumas das freguesias agora a extinguir.
Como diz o saber popular, no caso brasileiro, “pimenta no olho do vizinho, para mim é refresco".

Mas não tenhais ilusões. Este é apenas o 1º passo da maquiavélica troika / governo passos coelho / paulo portas, a seguir serão extintas as freguesias que agora se mantiverem, para criar apenas uma ou duas mega freguesias em cada concelho, para numa estocada final, o próprio concelho ser extinto e criada qualquer kafkiana administração.
Por isso, caros concidadãos, ou lutamos, agora, juntos, contra mais esta aberração que nos querem impor ou as terras que nos viram nascer não terão futuro, porque nós, seus filhos, as deixámos matar com a nossa passividade.
Já nos tiraram as estações de correios, acabaram ou reduziram até à insignificância os serviços de transporte públicos, fecharam-nos as escolas, nalguns casos, levaram até a GNR e o padre por não fazerem mais falta. O que querem mais de nós?
Retirar-nos a nossa identidade e apoderarem-se do património material e cultural que uma junta de freguesia encerra e significa para os seus naturais?

Eles querem, se permitirmos, sorver-nos até ao tutano!
Meus amigos, está pois na hora de juntos, dizermos não à extinção de freguesias, sejam elas quais forem.


consequências da extinção de freguesias

continuando, vejamos agora algumas das consequências que acarreta a extinção das freguesias, quero acrescentar que a extinção de freguesias acarreta duas consequências: para as pessoas, mais marcadamente no interior do país ao qual já pouco ou nada resta, é a quebra de laços identitários; politicamente corresponde a um golpe soez na democracia, pois as forças políticas mais pequenas e até independentes que se fazem representar nas juntas e nas assembleias de freguesia serão varridos do mapa político, criando-se cada vez mais um país a duas cores: o PSD e o PS, com uns laivos de PP e de CDU.
comparar o que o Dr. António Costa fez aprovar na CML, fundindo algumas freguesias e aplicar o mesmo tratamento ao resto do país é "confundir o cu das calças com a feira das Galveias", é maldade pura. já nada tem a ver com o cortar gorduras nem com a austeridade, tem a ver com o gozar com a cara do povo.
que um comentador avençado, que nasceu na freguesia da puta que o pariu, ache bem o desaparecimento das freguesias, não me admira nem m'aspanta. estes tipos estão tão cegos na sua tarefa de guarda avançada do neo-liberalismo que para justificar o injustificável, são capazes de vender a mãe, quanto mais o orgulho de gentes humildes, que calçam botas grosseiras, cheiram a terra e a animal, estas pessoas já foram por eles fodidas há muito tempo.
Para não dizer que estes “artistas” defensores tão arreigados do bem público, passaram anos a fazer cidades a esmo e concelhos a eito, onde mais lhes convinha politicamente, agora querem que seja o povo das freguesias mais abandonadas e do interior a pagar a conta do forrobodó administrativo que eles próprios criaram ao longo dos anos.
Lhes dizemos: basta ya!

extinção de freguesias - as contas

falemos agora das contas da extinção das freguesias.
diz o governo e seus seguidores que se vão poupar alguns (poucos, digo eu) milhões de €uros. 1, 2 milhões? sabe-se lá, nem se dão ao trabalho de fazer as contas...
do que as pessoas e o erário público vão gastar com a alteração, disso eles não falam.
mas para quê? se para esta gente as pessoas traduzem-se em €uros e quando não dão lucro ou dão pouco, que morram...
mas façamos as contas por eles. as pessoas naturais ou a viverem nas freguesias a extinguir, terão que pagar a atualização de todos os documentos pessoais, bem como de registos de propriedades móveis ou imóveis, rurais e urbanas que eventualmente possuam. o erário público vai ter que disponibilizar serviços, funcionários e meios que procedam a estas atualizações. as pessoas quando tiverem algum assunto a resolver, como no interior do país a população está envelhecida, eles já trataram de acabar com os transportes públicos, onde os houve, a solução para se deslocarem até à junta de freguesia que passará a distar 9, 10, 20... km, terão que ir a pé ou alugar táxi...
assim que entre deve e haver não sei se o país retirará da medida algum lucro financeiro.
mas a democracia não se deve reger pelo lucro, mas pelo bem estar das pessoas. a democracia é cara? então experimentem a ditadura...
a democracia pressupõe ouvir o povo. admito que haja pessoas sérias e inteligentes a defenderem esta medida. então, está aqui um caso, em minha opinião que devia ser submetido a referendo. mas como já alguém disse sobre os atos eleitorais, o perigo é nunca se saberem antecipadamente os resultados.
mas o que é isso de ignorar a opinião dos portugueses sobre tão comezinho assunto?
numa união europeia em que dois dos atuais governos não foram eleitos pelo povo (Grécia e Itália)?
mal anda o mundo quando nas democracias se começam a revelar comportamentos idênticos aos das ditaduras...

P.S.: Tiro o meu chapéu e mostro a careca a todos os autarcas que no seu congresso apuparam o relvas e aos que abandonaram a sala, tiro duas vezes.

Jaime Crespo

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

a greve geral em discurso direto



Boa tarde:
o que me traz a este contato é o facto de discordar de dois pontos referidos pelo vosso convidado de hoje, o Dr. Luis Gonçalves da Silva.
Um: coloca no mesmo patamar o direito ao trabalho com o direito à greve. Ora o 1º é universal, qualquer pessoa deve ter direito a exercer uma profissão e a ser remunerado e tratado com dignidade por isso. O 2º é um direito particular, quando o direito ao trabalho com dignidade e respeito é posto em causa. Assim, não são direitos que se sobreponham, porque um só aparece quando o outro está posto em causa. Logo, os trabalhadores que furam a greve estão a trair os seus colegas de trabalho e merecem ser discriminados por isso. O papel deles é assim como se de repente um jogador de uma equipa de futebol desatasse a marcar golos na própria baliza. Julgo que nenhum colega ou adepto admitiria impune tal comportamento.
o segundo ponto com o qual discordo do Dr. Luis Silva, é quando ele refere que os patrões convivem bem com as greves e respeitam esse direito... Eles até podem conviver bem com as greves, convivem é muito mal com os grevistas. O sr. Dr. sabe melhor que eu que 95% das nossas empresas são pequenas ou micro, empregam pouca gente, daí a greve ter tido repercussão, no setor privado, apenas em empresas multinacionais ou grandes empresas. Sabe também que desde a alteração ao código do trabalho, na qual ele colaborou, no setor privado mesmo os trabalhadores efetivos podem ser despedidos a qualquer momento, mas a maioria dos trabalhadores no setor privado, estarem privados de contatarem ou serem contatadoas pelos sindicatos e pelos sindicalistas, não tem quem os mobilize, mais de 90% desses trabalhadores tem contratos precários, trabalham a recibo verde, ou contratos sem termo certo. E claro que o patrão ao despedir dará semre outra razão, não vai dizer que despede o trabalhador ou não renova o contrato porque o trabalhador fez greve! Só se for parvo. Há ainda a situação da avaliação, a partir do momento em que o trabalhador por fazer greve pode ser (com outra desculpa) ser avaliado negativamente e aquele que não faz greve recebe avaliação positiva, constitui mais um fator de pressão sobre os trabalhadoresd. Enfim, as retaliações patronais sobre os trabalhadores que fazem greve, ou a ameaça para que eles não a façam, existe, mas é como a corrupção nunca se consegue provar.
Para finalizar, referiu o Dr. Luis Silva que um dia de greve custa ao país 500 milhões de €uros, fico feliz por ter contribuído para esse prejuízo, são esses €uros me3nos que "eles" roubam. Não foram as greves que conduziram o país a esta situação, a Dinamarca, salvo erro, é o país da europa em que se verificam mais dias de greve por ano e vê-se as diferenças entre a Dinamarca e Portugal... Os BPP's e os BPN's e outros casos, daqueles que nunca tem responsáveis nem se consegue provar nada, isso é que levou portugal a este estado de coisas.
Quem roubou que pague o furto!

jaime crespo

ecos da huelga general

Aos senhores deste mundo e do outro:
se quereis a paz: aqui a tendes.
mas se buscais a guerra, à vossa cama a levaremos!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

crise total - a crise continua

AIT-SP - panfleto sobre a greve geral

Panfleto Greve Geral Nov 2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Bloco de Esquerda e a greve que aí vem


infelizmente, parece-me, que o Bloco de Esquerda se está a condenar a não se repensar nem a fazer-se representar.
o Bloco até trabalha bem a nível parlamentar mas e depois? nas empresas, na rua, onde anda o Bloco?
que contributo, que participação e que preparação tem o Bloco feito para a greve de dia 24?
tinhamos pelo menos um imperativo ético de esquerda que era apelar à participação na greve de todos os trabalhadores precários, com contratos sem termo certo e outros que não vão fazê-la com medo de represálias: não verem o seu contrato renovado ou serem literalmente despedidos pela entidade patronal. tinhamos pois o imperativo de avisar os patrões que esses trabalhadores teriam em nós Bloco uma força que os defenderia e que responderia com represálias à represálias patronais: divulgar o nome do patrão e da empresa na internet, manifestações à porta das instalações até re admitirem o(s) trabalhado(es) despedido(s), apelo ao boicote dos seus produtos ou serviços, elaborar uma lista negra dos maus patrões e das empresas com más práticas em relação aos trabalhadores, etc.
pelo contrário, nós, Bloco, e o PCP através da entrevista que Jerónimo de Sousa deu ao Público, apenas lamentamos a situação de chantagem em que esses trabalhadores vivem e constatar o fato deles não irem fazer greve...
lamento e quando tanta coisa se podia fazer.

jaime crespo

sábado, 12 de novembro de 2011

estamos quase lá...


ALTERAÇÃO AO CÓDIGO DO TRABALHO

1. INDUMENTÁRIA:


Informamos que o funcionário deverá trabalhar vestido de acordo com o seu Salário.
Se o virmos calçado com uns ténis Adidas de 100€ ou com uma bolsa Gucci de 150€, presumiremos que está muito bem de finanças e portanto, não precisa de aumento. 





Se ele se vestir de forma pobre, será um sinal de que precisa aprender a controlar melhor o seu dinheiro para que possa comprar roupas melhores e portanto, não precisa de aumento. 





E se ele se vestir no meio-termo, estará perfeito e portanto, não precisa de aumento.

2.AUSÊNCIA DEVIDO A DOENÇA:
Não vamos mais aceitar uma declaração do médico como prova de doença.
Se o funcionário tem condições para ir até ao consultório médico também tem para vir trabalhar. 



3. CIRURGIA:
As cirurgias são proibidas.
Enquanto o funcionário trabalhar nesta empresa, precisará de todos os seus órgãos, portanto, não deve pensar em tirar nada. Nós contratámo-lo inteiro.
Remover algo constitui quebra de contrato. 



4. AUSÊNCIAS DEVIDO A MOTIVOS PESSOAIS:
Cada funcionário receberá 104 dias para assuntos pessoais, em cada ano. Chamam-se Sábados e Domingos. 



5. FÉRIAS:
Todos os funcionários têm direito a gozar ainda mais 12 dias de férias nos seguintes dias de cada ano:
1 de Janeiro,
Dia de Páscoa
25 de Abril,
1 de Maio,
10 de Junho,
15 de Agosto,
5 de Outubro,
1 de Novembro,
1 de Dezembro.
8 de Dezembro.
25 de Dezembro. 



6. AUSÊNCIA DEVIDO AO FALECIMENTO DE ENTE QUERIDO:


Esta não é uma justificação para perder um dia de trabalho.
Não há nada que se possa fazer pelos amigos, parentes ou colegas de trabalho falecidos.
Todo o esforço deverá ser empenhado para que os não-funcionários cuidem dos detalhes. Nos casos raros, onde o envolvimento do funcionário é necessário, o enterro deverá ser marcado para o final da tarde.
Teremos prazer em permitir que o funcionário trabalhe durante o horário do almoço e, daí sair uma hora mais cedo, desde que o seu trabalho esteja em dia.

7. AUSÊNCIA DEVIDO À SUA PRÓPRIA MORTE: 


Isto será aceite como desculpa. Entretanto, exigimos pelo menos15 dias de aviso prévio, visto que cabe ao funcionário treinar o seu substituto.

8. O USO DO WC: 




Os funcionários estão a passar tempo demais na casa de banho.
No futuro, seguiremos o sistema de ordem alfabética. Por exemplo,
Todos os funcionários cujos nomes começam com a letra 'A' irão entre as
 9:00 e 9:20, aqueles com a letra 'B' entre 9:20 e 9:40, etc. Se não puder ir na hora designada, será preciso esperar a sua vez, no dia seguinte.
Em caso de emergência, os funcionários poderão trocar o seu horário com um colega. Ambos os chefes dos funcionários deverão aprovar essa troca, por escrito.
Adicionalmente, agora há um limite estritamente máximo de 3minutos na sanita. Acabando esses 3 minutos, um alarme tocará, o rolo de papel higiénico será recolhido, a porta da sanita abrir-se-á e uma foto será tirada. Se for repetente, a foto será afixada no quadro de avisos e Intranet do Serviço com o título infractor Crónico.

9. A HORA DO ALMOÇO: 





Os magros têm 30 minutos para o almoço, porque precisam comer mais para parecerem saudáveis.
As pessoas de tamanho normal têm 15 minutos para comer uma refeição balanceada que sustente o seu corpo mediano.
Os gordos têm 5 minutos, porque é tudo que precisam para tomar uma salada e um moderador de apetite.

Muito obrigado pela sua fidelidade à nossa empresa. Estamos aqui para proporcionar uma experiência laboral positiva. Portanto, todas as dúvidas, comentários, preocupações, reclamações, frustrações, irritações, desagravos, insinuações, alegações, acusações, observações, consternações e quaisquer outras... ões' deverão ser dirigidas para outro lugar.

Tenham uma boa semana.

Administração.Com a aprovação da Comissão Europeia PEC 50
0.



quinta-feira, 10 de novembro de 2011

i' m a loser


blog fechado por tempo indeterminado......................



the beatles - i'm a loser

Eu Sou Um Perdedor Eu sou um perdedor, Eu sou um perdedor E eu não sou o que pareço ser.. De todo amor que eu ganhei ou que perdi há um que nunca vou esquecer Ela era a menina em um milhão, meu amigo Eu devia saber que ela ganharia no final Eu sou um perdedor,E eu perdi alguém que estava bem próximo de mim Eu sou um perdedor, E eu não sou o que pareço ser.. Embora eu ria e aja como um palhaço Atrás dessa máscara, eu estou com o rosto triste Minhas lágrimas estão caindo como a chuva cai do céu É por ela ou por mim mesmo que eu choro? Eu sou um perdedor,e eu perdi alguém que estava próximo de mim Eu sou um perdedor, e eu não sou o que pareço ser... O que eu fiz para merecer esse destino? Eu percebi que deixei isso muito tarde E é verdade, o orgulho sempre vem antes de uma queda Estou te dizendo isso para você não perder todas Eu sou um perdedor, e eu perdi alguém que estava próximo de mim, Eu sou um perdedor, e eu não sou o que pareço ser

sábado, 29 de outubro de 2011

estávamos à espera de quê?


Pretendo escrever um post o mais sucinto possível e não me alongar muito...
A questão que se impõe: estávamos à espera do quê? (Por nós, refiro-me à minha geração que já foi considerada rasca, por outros à rasca e que tem hoje 40, 50 anos, pelo 25 de abril andávamos pelos 10, 20 anos,
Paula Rego, "Mulher Cão", Pastel de Óleo, 1994, Tate Gallery.
Nossos pais viveram um país de censura mental e moral, uma ditadura de costumes que até a roupa que se vestia, o bigode, as patilhas, o casamento, eram motivo de censura. um país paroquial, no qual o padre representava e transmitia a opinião central, tantas vezes coadjuvado pelo professor ou pelo médico. um país em que as mulheres vestiam um eterno luto negro e os homens descobriam a cabeça, tirando o boné ou o chapéu aos senhorecos da terra. um país descalço, de fundilhos nas calças e de sorrisos de criança precocemente cariados. Um país em que não se "podia voar alto porque tinha um teto demasiado baixo" ( Mário Cesariny de Vasconcellos). Um país em que os artistas eram emigrantes.
Apresenta-se como "pai fundador da democracia" um homem como Mário Soares, elege como primeiro presidente da república, em eleições livres, o general Ramalho Eanes. Conta no seu plantel de governantes pessoas como Guterres, Sócrates, Balsemão, Durão Barroso, Cavaco Silva, Passos Coelho, Santana Lopes (é bom não esquecer que até o estroina do Santana chegou a 1º ministro deste país... Outros, Armando Vara, Jorge Coelho, Dias Loureiro, Duarte Lima, Maria de Belém Roseiro, Maria de Lurdes Rodrigues, António Vitorino, Fernando Gomes, Cadilhe, Portas e outros ainda piores.
Um país que tem como pitonisas Marcelo Rebelo de Sousa, Vasco Pulido Valente e Pacheco Pereira.
Como novos "velhos do Restelo" Medina Carreira diariamente e aos dias ímpares António Barreto.
Dos autarcas que temos democaticamente eleito, nem vale a pena e ainda temos o Sr. Alberto João, na Madeira.
Um país que do "charme" lastimoso "dos ballet rose" passou à "pimbalhada pedófila", e hedionda, demasiado triste para parecer verdade, da Casa Pia...
E a tudo fomos fechando os olhos, assobiando para o lado. A tudo, calámos, nada dissemos...  
Estávamos à espera do quê? 
Depois de Zeca ter cantado "será o apocalipse ou a torneira a pingar no bidé?".
Nós que inventámos o desenrascanso e a vigarice e espalhámos estas nobres artes por todo o mundo, "globalizando avant-la-lettre".
Tudo consentímos...
Esperávamos o quê?
Uma nova revelação e respetivo milagre em Fátima? O Benfica campeão? Um tachito que nos desenrolasse a vida e uma cunha para enfiar o rapaz ou rapariga, lá de casa, na função pública, num banco, numa boa empresa...
Esperámos feitos nêsperas do Mário-Henrique Leiria* e agora veio uma velha (Angela Merkl, a título meramente simbólico) e, zás, comeu-nos.
Mas, estávamos à espera de quê?
 Jaime Crespo


*RIFÃO QUOTIDIANO

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

Mário-Henrique Leiria


a importância de um encontro

Próximo sábado, 5 de novembro, 15 horas, na Associação 25 de Abril, em Lisboa, encontro aberto promovido pela Comissão pela Proibição dos Despedimentos, para debater a exigência da retirada do acordo troika/passos/sócrates. O momento, como nos demonstram gregos e troianos, não é de ficar na espetativa. A tua participação é importante. Comparece! Eu vou lá estar... 

A colossal questão que hoje se nos coloca, já não é a da manutenção dos postos de trabalho, uma luta sem tréguas contra o desemprego e pelo pleno emprego, a questão que hoje está presente a cada segundo de existência daqueles que trabalham é a luta pela própria vida!
Os historiadores do regime, concordaram entre eles que a evolução social parou nas revoluções burguesas (revolução francesa, independência dos USA, implementação de alguns regimes republicanos, etc.), com elas a emancipação da alta burguesia terratenente, comercial, industrial e financeira. O admirável mundo novo, elevado através da democracia representativa parlamentar, da liberalização dos mercados financeiro e do trabalho. O mesmo é dizer que desregulados estes dois mercados fundamentais para a humanidade, impera a lei do mais forte, mais poderoso, mais rico.
É um retorno ao feudalismo, mas agora já não agrário e senhorial mas especulativo-financeiro, sem laços de sangue mas com exigida reverência à serventia do cifrão...
É uma escravidão sem qualquer espécie de ónus para o patrão.
Estes historiadores, ganham um sorriso "malandreco" escondendo o cinismo do seu pensamento, quando referem que o tempo das revoluções é passado, negando aos trabalhadores, o direito que a burguesia conquistou pela força: o seu direito à emancipação, legal, social, económica e cultural. O direito à verdadeira revolução dos trabalhadores!
É este direito, é a organização desta (r)evolução que transformará para sempre a face da Terra, que tragicamente hoje se nos coloca e foi-nos oferecido precisamente por aqueles que tudo nos querem tirar: o capital económico-financeiro!
Na satisfação da sua cada vez mais voraz gula e não encontrando pela frente resistência firme, tentam ir até ao fundo e de tudo se apoderarem: dos bens materiais e espirituais, até ao teu próprio ser, tudo será deles, caso continues sossegadamente a assistir... 
Hoje, é um direito e um dever que todo e qualquer trabalhador encontre os rumos, os trilhos, os caminhos que o conduzam à (R)Evolução.
Digo (R)evolução, porque como afirmei acima, o que verdadeiramente está hoje em causa, não são os direitos ao trabalho, ao salário, à educação, à saúde, à justiça e ao lazer, tudo isso temos, mais ou menos conforme "o senhor" esteja disposto ou não a conceder, uma vida "às pinguinhas" ou aos bochechos.
Queremos a nossa vida de volta, dispor dela como nos aprouver e não permitir que outros decidam o que fazer de nós.
Este Encontro é apenas um pequeníssimo passo neste sentido...

Jaime Crespo

http://proibicaodosdespedimentos.blogspot.com/ PROIBIÇÃO DOS DESPEDIMENTOS proibicaodosdespedimentos.blogspot.com

domingo, 23 de outubro de 2011

Vasco Lourenço - o PREC da direita



o radialista da Antena 1 será daqueles que pensam que as desgraças (desemprego, precariedade, corte de salários) só acontecem aos outros e fez bem o papel em nome de quem lhe paga a avença, no entanto o mundo dá voltas... Grande Vasco Lourenço, estás perdoado, são homens como este que ainda me fazem acreditar.

blog AVENTAR - best off troikópasso

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

cavacadas

Confesso que não ouvi o discurso de ontem do senhor presidente da república. Falta-me a pachorra para as inverdades que esta gente emite para nos convencer da inevitabilidade da miséria.
Se o anterior, Jorge Sampaio, se distinguia pela verborreia redonda, elitista mas sem significado algum, o atual, Cavaco Silva, até nas palavras é parco e consege em cinco minutos de discurso dizer o que Sampaio demorava duas horas: nada!
Mas se me livrei ao discurso, o mesmo não aconteceu aos comentários sobre o discurso, os quais, confesso corado, também não me fizeram chegar a conclusão alguma.
Se o atual ministro Crato, mais alguns, denunciou o que ele chama de "eduquês", o discurso e práxis das ciências da educação que de há 30 anos para cá, sem dó nem piedade, tem invadido a teoria e prática educativa neste país, sem medir consequências, com frases mal digeridas, sem uma avaliação séria aos sucessivos sistemas que se tem vindo a sobrepor uns aos outros e as escolas públicas, não só por isso mas também, tornadas numa calda caótica; então é bom agora referir que também existe o "economês" que é um discurso só dominado por iniciados em economia, ao qual eles dão uma significação própria às palavras que coloca esse discurso fora do entendimento do cidadão comum.
Em alturas da 1ª guerra mundial, o então presidente, ou seria 1º ministro?, francês, do qual não me recordo o nome, terá nomeado ministro da guerra um civil, o que indignou os militares e a provocação de um jornalista que o questionou sobre tão insólita nomeação. Ao que o sujeito terá respondido: "- Sabe. Isto da guerra é um assunto demasiado sério para ser deixado apenas nas mãos dos militares".
Estou inclinado a dizer o mesmo sobre a atualidade: A crise é um assunto demasiado sério para ser deixado nas mãos dos economistas.
Mas voltemos a Cavaco.
Um comentador comparou-o mesmo a um corredor de maratona, daqueles que passam despercebidos durante toda a prova e de repente, no último quilómetro ou até metros, aparecem a disputar a vitória.
Não sei se o caso é para tanto mas merece dois minutos de atenção.
Se a intervenção de Cavaco tem por objetivo que os anunciados cortes dos 13º e 14º meses aos depauperados funcionários públicos não vão por diante, merece aprovação, não só pelos funcionários mas como forma de não atirar para a falência uma enorme mole de pequenas indústrias, a restauração e o pouco que resta do comércio tradicional e dando enorme machadada no comércio das grandes superfícies, enfim, evitanto o definitivo afundanço da economia nacional. De acordo, julgo que a grande maioria dos portugueses concorda também.
Agora, se o que ele disse visa a que esses cortes atinjam também o setor privado, não posso estar mais em desacordo nem creio que Cavaco queira encarnar essa figura que será até aos fins dos tempos amaldiçoada: o coveiro da economia nacional.
Também não creio que Cavaco encontre um só patrão, um só gestor de empresas, um só conselho de administração que defenda tal aberração.
Por um lado a motivação de qualquer empresário ou comerciante é o lucro, esta medida aparece sob a forma de imposto, ou seja, o patrão iria recolher os dois meses de salário aos seus empregados para o entregar ao fisco, não tendo daqui qualquer lucro, apenas trabalho e chatices. Por outro lado, o setor privado baseia a sua ação junto dos trabalhadores com incentivos que os façam aumentar a produtividade e uma medida destas apenas iria gerar mais indignados, mais gente desmotivada e consequente quebra de produção.
Enfim, os dados estão lançados, mas como assinalou Bacelar de Vasconcelos, qualquer corte salarial não é só inconstitucional é acima de tudo ilegal.
Vamos ver se os coveiros de Portugal tem coragem de instituir a ilegalidade em forma de Lei..
Jaime Crespo

a cada qual a sua crise

Ao que parece, o governo resolveu aplicar, a partir de janeiro próximo, o novo estatuto remuneratório das forças de segurança, PSP e GNR. Na prática, estes homens e mulheres, irão ter um aumento na massa salarial.
Acho bem, todos queremos as nossas forças de segurança motivadas e felizes.
Mas quando o país, e pelo vistos o mundo, vive a pior crise económica de sempre, esta benesse cheira-me a engraxanço, isto é, o governo quer as forças de segurança contentes e motivadas para que no momento necessário, empunhem o cassetete e nos batam com ganas!
Ó coelho! Vê lá se não te enganas e trocas os passos...
Jaime Crespo

terça-feira, 18 de outubro de 2011

na cadeira do barbeiro - banda do casaco

Apelo à participação no encontro de 5 de Novembro



Apelo Final Enc 5 Nov 2011 Ass Simb R2

domingo, 16 de outubro de 2011

o roubo dos salários, uma questão:


Há contudo uma questão que se me coloca e ainda não vi nem ouvi ninguém falar nela: sendo o orçamento em causa um instrumento económico-legal a vigorar em 2012, o subsídio de férias dos trabalhadores, tal como as férias, adquirem-se no final do ano de trabalho, não do ano civil, salvo erro, 2,5 dias de trabalho e de subsídio por cada mês de trabalho, ora, assim sendo, parte deste "imposto" que é o corte do subsídio de férias incidirá sobre tempo de trabalho, todo ou em parte, que a pessoa efetuou realmente em 2011, não pode ser considerado como tal um imposto retroativo e em consequência inconstitucional?
Espero que alguém com conhecimentos jurídicos: juristas que trabalham para os sindicatos, advogados amigos, o dr. Garcia Pereira... tenha a gentileza de me esclarecer.

Obrigado
Jaime Crespo

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Água é de todos! Por um referendo nacionalAssine a petição aqui


Petição Privatização da Água a Referendo

Para:Exmº Srº Presidente da República; Exmº Srº Presidente da Assembleia da República; Exmº Srº Primeiro-Ministro; Grupo Parlamentar do P.S.D; Grupo Parlamentar do P.S; Grupo Parlamentar do C.D.S./P.P; Grupo Parlamentar do P.C.P; Grupo Parlamentar do B.E; Grupo Parlamentar de Os Verdes

A água é parte constituinte do planeta Terra, como qualquer recurso, apresenta valores muito escassos e face a esse facto a sua gestão torna-se premente e indispensável.

Com o exponencial crescimento da população humana e com a tipologia de vida que a Humanidade tem vindo a desenvolver, a pressão sobre a água doce disponível tem vindo a acentuar-se.

O Homem, como todos os seres vivos tem a necessidade deste bem para a sua sobrevivência.
Estes factores obrigam a que a gestão deste bem seja feita com a maior cautela. 
Assine esta petição aqui!

sábado, 8 de outubro de 2011

O PCP da linha de cascais


Aquando das eleições legislativas, antecipadas, de 7 de junho último, muito se falou da queda abruta do Bloco de Esquerda, metade da votação e metade da representação parlamentar, não é brincadeira.
Uns, a minoria, pediu uma convenção extraordinária para debater o assunto, os outros, a maioria, que não, não se justificavam duas convenções tão próximas apenas (!!!) devido aos resultados eleitorais, dos quais o bloco nem seria responsável, pois verificara-se uma viragem do eleitorado à direita e os responsáveis por isso eram Sócrates e o PS.
E contrapuseram a uma nova convenção, um debate democrático e alargado interno e externo (para os independentes).
Uma coisa que nunca percebi no Bloco foi esta adoção de uma nomenclatura (convenção, mesa,…), remetendo o nosso imaginário para a Revolução Francesa, uma revolução burguesa, ou mais requintadamente para a maçonaria ou carbonária. Nestes tempos em que para muitos a utilização das palavras é feita por uma questão de interesse e não de significado, o estudo de um bom dicionário faz muita falta, e da História também.
No entanto, passados todos estes meses, urge perguntar por onde andam esses debates abertos e alargados que ainda ninguém os viu.
Tirando uma secção no jornal on-line Esquerda.net (http://www.esquerda.net/artigos/Debates%202011) chamada de “Debate Aberto”, para onde militantes e não militantes podem enviar as suas opiniões e estas são por lá publicadas, esta iniciativa está a léguas de constituir o proclamado debate amplo, aberto, livre entre todos, porque o que se passa naquela secção é mais como a “travessa do fala só” em que cada qual descarrega a sua opinião e por vezes dissensões pessoais mas debate é coisa que não existe, quando muito há meia dúzia de opiniões que contam com meia dúzia de comentários.
Debate aberto? Ora…
O Bloco de Esquerda implantou-se muito rapidamente, essencialmente em zonas urbanas e entre a juventude que não se revia nos velhos partidos da esquerda pelas suas ideias inovadoras e pela sua forma clara, aberta, simples e verdadeira de fazer política. Quem ouvia um militante ou um dirigente do Bloco falar, sabia que era com aquilo que podia contar e não o seu contrário.
A partir do momento em que o Bloco começou a entrar em jogadas políticas, ter agendas escondidas, dizer uma coisa para fazer outra, não se conseguiu nem impor no mundo do trabalho nem teve a ousadia de criar uma força sindical oposta ao PCP, não encontrou capacidade mobilizadora para protestos de rua indo a reboque da CGTP ou do PCP, não ultrapassou o complexo PCP, como partido dominador e controleiro da esquerda, não se conseguiu afirmar como alternativa democrática e revolucionária ao estalinismo burguês instalado no PCP e na esquerda, antes lhes tomou os vícios, apenas usando umas vestes mais modernas, o Bloco condenou-se a representar apenas os movimentos que lhe deram origem e a estabelecer-se nos agora 8% mas com tendência a descer e a desaparecer. Isto se quiserem continuar a insistir nos debates do fala só.
A esquerda não precisa de uma réplica do PCP mais modernaça, bem vestida e mediática.
Um PCP da linha de Cascais pode ter o seu minuto de fama mas será facilmente descartável.
Um Bloco que apresente novas maneiras de fazer política, uma política ligada e centrada nas pessoas, que tenha a coragem de promover verdadeiros debates, francos, abertos, de olhos nos olhos, esse Bloco pode ter futuro.
Jaime Crespo